Fora da Ordem

‘The Bitter Truth’: Evanescence mais maduro e consciente, após 10 anos sem álbum de inéditas

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Primeiro álbum de inéditas do Evanescence em 10 anos apresente boa dose de nostalgia com sonoridade moderna

A capa do álbum The Bitter Truth

O mundo descobria da pior forma o significado de lockdown (confinamento, em tradução livre) quando o Evanescence abriu as portas para The Bitter Truth, esperado quarto álbum de inéditas. O primeiro single, “Wasted On You”, foi lançado em abril de 2020, no auge da pandemia.

Ficou entendido ali que o grupo de Amy Lee não estava disposto a fazer o mais do mesmo como vinha há uma década. É preciso assumir: o álbum autointitulado de 2011 (carinhosamente conhecido como Ev3), embora entregue o bom rock, pouco acrescenta criativamente à discografia cheia de identidade do Evanescence.

“Wasted On You” começa com o vocal intenso de Lee acompanhado por notas de piano e explode com as referências noventistas, passando por Radiohead e R.E.M., em refrão marcante. É este o momento em que fica evidenciada a queda de Lee por picos declaradamente pop, como se “Creep” e “Everybody Hurts” encontrassem “Love On The Brain”, da Rihanna. Ainda, a atmosfera que entendemos enquanto identidade do grupo, está ali.

Assim como a canção de onde saiu o nome do disco, esse punhado de verdades amargas de Lee carrega a capacidade de passear pelas ruínas de um Evanescence jovem que a artista insiste em esconder.

Mais curioso é quando o grupo, produzido por Nick Raskulinecz – dono de um currículo que inclui Alice in Chains e Foo Fighters – mostra que as referências podem ir do industrial de Marilyn Manson ao indiepop de Billie Eilish. Essa mistura fica perceptível na irônica e afiada “Yeah Right”, outra das melhores peças do TBT.

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Identidade da banda em evidência

Para além desses momentos relativamente diferentes, há uma porção de músicas que relembram a trajetória do Evanescence. A dobradinha “Artifact/The Turn” e “Broken Pieces Shine”, que abre o disco, é o maior exemplo disso.

A introdução compõe uma paisagem sonora etérea com sintetizadores, sussurros de uma crise existencial profunda e um crescendo que estabelece o ambiente para os tambores explosivos de “Broken Pieces Shine”, canção que tem potencial para se tornar o próximo grande hino da banda.

Evanescence é: Will Hunt (bateria), Jen Majura (guitarra), Amy Lee (vocal, piano, teclados, programação), Tim McCord (baixo) e Troy McLawhorn (guitarra)

“The Game Is Over” soa como herança da era pós-The Open Door, quando a banda precisava expor toda repugnância à indústria ao qual faz parte. “Feeding The Dark” é outra que lembra bastante o começo do Evanescence, com a sonoridade mais sombria, refrão poderoso e um piano ao fundo dando o tom da melancolia.

É de se destacar a sequência que começa com “Better Without You”, segue com a política “Use My Voice” (feita em campanha a favor do voto nos Estados Unidos) e termina com “Take Cover” – presente no setlist da última vez que a banda veio ao Brasil, em 2017.

“Far From Heaven”, que quase não entra do disco, é o respiro após uma sequência empolgante, seguido da ótima “Part Of Me”, que poderia ser trabalhada como single e “Blind Belief”.

Lançado em março deste ano, quase um ano depois do primeiro single, The Bitter Truth traz fôlego a um grupo de artistas que insiste em não alimentar a indústria dos charts (foram 10 anos desde o último disco) e mesmo assim conta com o privilégio de ter uma base de fãs ainda atenta ao que eles têm a dizer.

Embora brinque com as possibilidades, não é um disco que se reinventa e nem tem momentos de brilhantismo como The Open Door (2006). É, contudo, um registro maduro e bem produzido, que consegue mixar bem nostalgia com sonoridade mais moderna e momentos marcantes, além do discurso consciente. Pelo menos entre os fãs, deve se tornar um dos favoritos.

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3 Comentários

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