Confira o meu bate papo com a consultora.
O jeans parece viver um momento de redescoberta. O que está acontecendo agora?
“Já observo essa tendência há algum tempo. O jeans transcende a casualidade diária, adaptando-se à noite e à sofisticação. Posso, por exemplo, combinar um blazer com jeans em ocasiões formais? Certamente”
Por que o jeans tem tanta força simbólica e continua atual?
“É fascinante pensar que ele surgiu como tecido para roupas de trabalho, depois foi popularizado por jovens e pelo cinema, e rapidamente conquistou o mundo. O jeans é o tecido mais democrático que existe está nas vitrines populares e também nas marcas de luxo. Ele reflete uma identidade plural, um espelho da sociedade que se transforma junto com o tempo.”
Você fala em ‘códigos do jeans’. Quais são os principais deles?
“Os códigos tradicionais do jeanswear incluem rasgos, lavagens tom sobre tom, efeitos 3D que simulam movimento e detalhes de reserva de cor nas costuras. O jeans azul, por exemplo, vem da tintura do fio de algodão e pode passar por diferentes processos de desgaste. O desgaste é quase uma assinatura, uma forma de personalização que carrega história.”
E para quem quer apostar nas tendências atuais, o que vale investir agora?
“Evito dar direcionamentos muito fechados, porque o mercado é diverso. Mas, se fosse para mim, apostaria em combinações com camadas, como um jeans com saia assimétrica e uma pantalona. Essa sobreposição traz frescor, movimento e atitude.”

Cintura baixa e modelagem skinny estão voltando?
“Sim. Existe uma nostalgia forte dos anos 2000 e 2010, com marcas como Diesel e DSquared² resgatando esses shapes que foram muito populares e agora estão conquistando a Geração Z. É o ciclo da moda, que revisita o passado com novas leituras.”
A tecnologia tem papel nessa reinvenção?
“Totalmente. Tanto em beneficiamento quanto em design, a tecnologia têxtil abriu infinitas possibilidades. O jeans deixou de ser uma base rígida e se tornou um laboratório criativo. Hoje é possível brincar com textura, elasticidade, brilho, lavagem e até efeitos de ilusão de ótica.”
Há alguma marca que te impressionou recentemente nesse sentido?
“A Diesel tem feito um trabalho incrível em beneficiamento têxtil. As combinações de estampas e lavagens com efeito trompe l’oeil (ilusão de ótica) são impressionantes. É o jeans no limite da experimentação, sem perder a identidade.”
E nas ruas, o que veremos a seguir?
“Os jeans coloridos — muito usados nos anos 2000 — e os tons terrosos, como o marrom, seguem fortes. Também acredito na volta das skinny, agora reinterpretadas para o público jovem. O jeans é sobre movimento e reinvenção: muda, mas nunca sai de cena.”
Mais do que um tecido, o jeans é uma linguagem em constante transformação. E, como lembra Lola Botti, “cada geração deixa sua marca nele e é exatamente isso que o torna eterno.” AMEI!