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Livro-reportagem de Lynsey Addario: observar a guerra

livro reportagem e isso que eu faco

Lynsey Addario registrou os horrores da guerra

Por Mariana Amorim (marianaamorim@opovo.com.br)

Especializada em conflitos, a fotojornalista Lynsey Addario conta sua história em livro, que deve chegar aos cinemas com direção de Steven Spielberg. De sequestro ao prêmio Pulitzer, ela narra o dia a dia de uma guerra

O jornalismo de guerra sempre esteve cercado de horrores, não é fácil trabalhar e viver em uma zona de conflito. E é justamente essa a realidade que a fotografa Lynsey Addario, colaboradora do The New York Times, retrata em seu primeiro livro. É Isso que Eu Faço: Uma Vida de Amor e Guerra é um livro-reportagem sobre o trabalho de cobertura fotográfica e jornalística realizado por Lynsey desde o inicio dos anos 2000 nas regiões da Síria, Iraque, Sudão, Congo e Líbano.

Com 352 páginas, o livro é intercalado por relatos, crônicas e fotografias de Lynsey. As imagens são de tirar o folego. Além do trabalho, a obra conta os bastidores de quem trabalha em zonas de conflito, como casamento, gravidez e o dia a dia dessas pessoas. No inicio do ano, o estúdio Warner Bros anunciou a adaptação cinematográfica da obra. Com direção de Steven Spielberg, o filme deve chegar aos cinemas em 2018 e conta com a atriz Jennifer Lawrence para interpretar Lynsey Addario.

O livro-reportagem é divido  em quatro partes e mostra o dia a dia de quem acompanha e sofre – de maneira direta e indireta – com a guerra. Logo no início, a narrativa nos apresenta como Lynsey se tornou fotógrafa e como chegou às zonas de conflito. A jornalista, formada pela universidade americana do Wisconsin, em Madison (EUA), iniciou a carreira fotografando para o Buenos Aires Herald, jornal argentino. Em seguida, passou a fotografar como freelancer para a Associated Press, tendo Cuba como foco. Foi no inicio de 2000, com 27 anos, quando ainda buscava se estabilizar na carreira, que foi convidada para ir ao Afeganistão documentar a opressão do regime talibã. A autora conta como decidiu pela mudança para o Oriente Médio e como assistiu de perto a invasão americana após os atentados do 11 de setembro, em 2001.

É possível sentir a aflição de Lynsey em muito momentos. A jornalista relata a hostilidade sentida por ser americana, o monitoramento do governo em relação ao seu trabalho, o medo dos inúmeros bombardeios. Mesmo com experiência em fotografia humanitária, foi nesta época que Lynsey viu o horror de perto. Durante o trabalho no Afeganistão, foi necessário aprender a trabalhar de burca (véu utilizado pelas mulheres muçulmanas), o que nunca foi um problema, e que inúmeras vezes foi uma maneira de conquistar as pessoas.

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Durante a apuração, Lynsey Addario chegou a usar a burca, vestimenta tradicional das mulheres mulçumanas

Em 2004, ela resolve se afastar do terror da guerra americana. A jornalista volta sua atenção para o continente africano, cria novas parcerias com The New York Times Magazine, Tempo, Newsweek e National Geographic, e é designada para cobrir o conflito na região de Darfur, localizada no oeste do Sudão. Segundo a autora, a experiência em território sudanês foi decisiva para a carreira. Sem apoio do governo ou das Nações Unidas, Lynsey e mais quatro jornalistas tiveram que entrar de forma ilegal no país. Para isso, foi necessário atravessar uma faixa do deserto do Saara à pé. A caminhada durou cinco dias sob um calor brutal. Lynsey ficou cerca de três anos fotografando os conflitos da região e até hoje faz visitas frequentes ao local.

Tempos depois, em 2008, Lynsey volta para o Oriente Médio. Ela chega ao Paquistão para fotografar as atividades em um campo de refugiados. Um ano depois, se envolve em um grave acidente de carro quando retornava para Islamabad. O trabalho no campo de refugiados do Waziristão, região tribal e inóspita na fronteira entre Paquistão e Afeganistão, rendeu a Lynsey e a outros três jornalistas o Prêmio Pulitzer de Reportagem Internacional.

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O momento mais angustiante da leitura é quando a jornalista narra seu sequestro na Líbia, em 2011. Mantida em cativeiro durante seis dias por ativistas pró-Kadafi, ela conta sobre as ameaças e o medo que sentiu ao lado de mais quatro companheiros do The New York Times. Com mãos e pés amarrados, ela encarou a morte e deixa claro que maior que o medo da morte era o medo do estupro. Assediada diversas vezes, Lynsey todos os dias esperava o pior.

Serviço
É isso que eu faço: Uma vida de amor e guerra
Lynsey Addario
Ed. Intrínseca
352 páginas
Preço Médio: R$ 69,90

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