Leituras da Bel

Alunos são destaque em prêmio com projeto que uniu seca e literatura

Foto: Cláudio Lima / O POVO, em 05/11/2000

Foto: Cláudio Lima / O POVO, em 05/11/2000

Por  Eduarda Talicy (eduardatalicy@opovo.com.br)

Com leitura de clássicos como O Quinze, estudantes de escola pública de Trairi, no Ceará, realizaram ações de conscientização sobre água. Edição 2016 do prêmio Desafio Criativos da Escola, do Instituto Alana, está com inscrições abertas

“Levantou-se, bebeu um gole na cabaça. A água fria, batendo no estômago limpo, deu-lhe uma pancada dolorosa. E novamente estendido de ilharga, inutilmente procurou dormir”. O trecho é de O Quinze, de Rachel de Queiroz, um dos livros que foram inspiração para um projeto de estudantes em Trairi (Litoral Leste) que aborda falta d’água e literatura nordestina.

A iniciativa foi um dos destaques da primeira edição do Desafio Criativos da Escola, do Instituto Alana, no ano passado. A segunda edição do prêmio nacional que reconhece iniciativas de mudança social protagonizadas por crianças e jovens está com inscrições abertas.

No projeto do ano passado da Escola Estadual Padre Rodolfo Ferreira da Cunha, de Trairi, os alunos perceberam que a realidade de clássicos da literatura nordestina que remontam o cenário de seca e estiagem não estava tão distante do que é vivido por eles. “O livro que mais me inspirou foi Vidas Secas, de Graciliano Ramos”, conta o ex-aluno Renan Sampaio, 18, que, com colegas, desenvolveu o projeto “A literatura engajada no uso consciente dos recursos hídricos”.

Na foto: Reprodução de foto de Rachel de Queiroz Foto: Evilázio Bezerra, em 28/03/1996

Na foto: Reprodução de foto de Rachel de Queiroz
Foto: Evilázio Bezerra, em 28/03/1996

Além de Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos, os alunos tiveram contato com a obra Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, os cordéis de Patativa do Assaré e as músicas de Luiz Gonzaga.

De acordo com a professora orientadora Veronice Ferreira, os próprios alunos propuseram a temática e, partindo da decisão, ela orientou leituras e pesquisas. “Depois desenvolvemos peças de teatro, produzimos um documentário sobre como captar e economizar água e fizemos um concurso de redação com escolas de outras comunidades”, cita.

A cada etapa que o projeto avançava, a professora de português conta que percebia nos alunos o protagonismo, a responsabilidade social e o gosto pela literatura. A experiência ultrapassou e muito os muros da escola e gerou reflexão em toda a comunidade.

Gabriel Salgado, assessor técnico da iniciativa Criativos da Escola, afirma que o projeto buscou incentivar e reconhecer ações realizadas por jovens para transformarem a realidade nas quais estão inseridos, “tanto na sala de aula, como de forma mais abrangente, pensando na comunidade local”.

Saiba mais
Outro projeto foi destaque no Desafio Criativos da Escola de 2015. Inspirados na antiga Comissão Científica de Exploração que veio ao Ceará, entre 1859 e 1861, durante o governo de D. Pedro II, alunos da escola estadual Menezes Pimentel, de Pacoti, realizaram o projeto “Jovem Explorador”. Juntos, eles montaram uma expedição pela região do Maciço de Baturité e criaram o Ecomuseu de Pacoti. Em dezembro deste ano, Levi Jucá, professor tutor do projeto, e a estudante Conceição Soares, 17, irão apresentar a ação na China.

Serviço
Inscrições para o Desafio Criativos da Escola
Quando: até o dia 15 de outubro
Onde: criativosdaescola.com.br
As inscrições são gratuitas.
Informações: (11) 3472 1600

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