Leituras da Bel

Jornalismo cultural como ponte para o leitor

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Schneider Carpeggiani, participante da mesa

Por Jáder Santana (jader.santana@opovo.com.br)

Três jornalistas vão se reunir na Festa Literária de Aquiraz (Flaq) para conversar sobre o papel da mídia na cobertura de temas culturais. Schneider Carpeggiani, editor do Suplemento Pernambuco, integra a mesa “A Ponte Real Entre o Livro e o Leitor” ao lado de Nelson Lourenço e Dellano Rios. Juntos, debatem as revoluções pelas quais o jornalismo cultural vem passando em um cenário de crise econômica e de reinvenção da profissão.

Segundo a escritora Socorro Acioli, curadora da edição 2016 da Flaq, a proposta da mesa é “discutir o atual momento do jornalismo cultural, com os suplementos literários desaparecendo, o espaço da literatura minguando e a crítica apropriada minguando mais ainda”. Nos últimos quatro anos, dois dos mais importantes cadernos literários do País encerraram suas atividades: o Sabático, do Estado de São Paulo, em abril de 2013, e o Prosa & Verso, do O Globo, em setembro do ano passado.

Por outro lado, iniciativas independentes conquistaram espaço e público nas mídias impressas e digitais, subvertendo prognósticos pessimistas para a cobertura cultural e demonstrando que a capacidade de se reinventar é fundamental. Na web, chama atenção o número de portais, sites e blogs que se dedicam à cobertura do universo editorial: Posfácio, Amálgama, Literatortura e LiteraturaBR são alguns deles, todos com presença marcada nas redes sociais.

Grandes editoras como Companhia das Letras, Record, Rocco e Intrínseca, atentas ao potencial de difusão das plataformas digitais, também lançaram seus próprios blogs, alimentados por colaborações de autores da casa e convidados externos.

Entre os produtos impressos, são dois os que hoje atuam com destaque no cenário nacional da literatura, à margem dos grandes diários de notícias. O mais antigo é o Jornal Rascunho, fundado pelo jornalista e escritor Rogério Pereira em 2000, no Paraná, e com um time de colaboradores de peso como os escritores Affonso Romano de Sant’Anna, Alberto Mussa, Raimundo Carrero e Tércia Montenegro.

Criado no final da mesma década, o Suplemento Pernambuco, caderno cultural do Diário Oficial do Estado, tem proposta parecida e também apresenta a leitores de todo o País conteúdo de resenhas, entrevistas e produções inéditas.

À frente do Suplemento PE está o jornalista Schneider Carpeggiani, que vem à Flaq conversar sobre sua experiência como editor de um dos mais importantes veículos de difusão da literatura no País.

“Estamos vivendo momentos de deslocamento desse cânone branco e heterossexual do século XX. Precisamos nos afinar pra isso, ouvir as vozes das outras pessoas”, afirma ele, que acredita que a palavra-chave para o jornalismo cultural deve ser “engajamento”.

Sobre o cenário de crise que afeta o jornalismo, Schneider opina que a cobertura de cultura não pode ser pensada apenas em termos de mercado e de viabilidade para a empresa: “Não pode ser uma coisa mecânica, temos que transcender o mercado, pensar e propor uma nova forma de falar com as pessoas. Não se trata apenas de pensar nas pautas, mas também nas vozes que vão falar no palco”.

O jornalista e escritor Nelson Lourenço, co-curador da Flaq, adianta que a mesa vai discutir como o jornal pode voltar a ser um espaço em que se discute literatura. “Ainda existe alguma coisa, mas quase sempre com autores convidados. Não existe mais aquele nome, aquele crítico que você fica aguardando pra ler o que ele tem pra dizer sobre obras novas. Queremos saber se existe a possibilidade dessa retomada”, comenta ele, referindo-se a falta de profissionais especializados na cobertura do assunto.

Em comum com Schneider, a crença de que a internet deve ser vista e pensada como ferramenta poderosa para a cultura. “Pra quem procura, tem ânsia, precisa ler sobre literatura e entender o que está sendo lançado, é a internet que vai aparecer. Temos que estar abertos a tudo. A literatura hoje é multifacetada”, conclui.

Serviço
Mesa “A Ponte Real Entre o Livro e o Leitor”
Quando: dia 11, às 18h30min
Onde: Vila Azul do Mar, no Beach Park (Porto das Dunas – Aquiraz)
Entrada franca.

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