Leituras da Bel

Bienal do Livro aposta na diversidade e em nomes internacionais

Lira Neto é curador do evento

Por João Gabriel Tréz (joaogabriel@opovo.com.br)

Mais presença internacional, diversidade e fortalecimento da programação são algumas das apostas da próxima edição do maior evento literário do Estado

A XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, que começa em pouco mais de um mês com o tema Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca, já foi descrita pela organização como uma “nova bienal”. Depois da edição de 2014, que não alcançou altos índices em termos comerciais e de público, o evento deste ano tem a intenção de reverter essa memória a partir de algumas modificações. Em entrevista ao Leituras da Bel, Mileide Flores, coordenadora do evento, e Lira Neto, curador da edição, discutiram sobre as mudanças e adiantaram algumas novidades deste ano.

Política pública
“O que chamamos de ‘nova bienal’ vem pelo conceito de como estamos enxergando o evento dentro da estrutura de livro e leitura da Secretaria de Cultura”, explica Mileide. A coordenadora esclarece que a intenção nesta edição é ligar a Bienal ao planejamento da Secult, não tratando-a como um evento por si só. “A ideia é não dissociar a Bienal do planejamento estratégico. Ela não pode ser um evento separado disso”, detalha. “A grande mudança conceitual da Bienal do Livro é essa: ela é a finalização de um grande processo, e não um processo próprio”.

Na prática, esta edição da Bienal — a partir de parcerias da Secult com outras secretarias do Estado, como da Educação, Ciência e Tecnologia, e Turismo —, pretende acentuar o lado de “política pública” do evento. “Quando apresentamos a Bienal como um processo de política pública, que tem a responsabilidade de manter a relação livro-leitura-biblioteca, as pessoas passam a enxergá-la assim”, defende a coordenadora.

“Bibliodiversidade”
No final de outubro do ano passado, a lista dos primeiros nomes confirmados na Bienal (veja lista aqui) foi divulgada e recebida com entusiasmo. Com curadoria do jornalista e escritor Lira Neto, da professora e pesquisadora Cleudene Aragão e do editor e consultor Kelsen Bravos, a seleção prezou pela diversidade. Para o novo bloco de confirmações – que deve ser divulgado nos próximos dias – a intenção é reforçar essas características.

“Nós teremos uma lista menor que a primeira, mas com acréscimos de autores cearenses, nacionais e inclusive internacionais. Na primeira a gente só tinha o Valter Hugo Mãe (escritor português), mas vamos ter outros agora”, afirma Lira. “Prosseguimos ainda no propósito de reforçar o que temos chamado de ‘bibliodiversidade’. Além da qualidade literária e da expressividade da obra, temos prestado atenção para conseguir contemplar negros, índios, mulheres, mostrar para os leitores um tipo de literatura que não tem grande divulgação”, completa.

Fortalecimento
Além do reforço na lista de nomes, Lira também adianta que a programação completa fortalecerá algumas programações habituais da Bienal. “Haverá a consolidação de algumas programações que fazem historicamente parte do evento, mas que nas últimas edições não tiveram a devida dimensão, como o Salão do Professor”, explica. Outro dos espaços que será valorizado é o da Bienal Fora da Bienal, que leva autores para comunidades, escolas, universidades e até cidades do Interior.

“Quando a gente chega junto, a sociedade dá retorno. Voltar com a programação exterior significa voltar para os grupos de pessoas que talvez não se desloquem até o Centro de Eventos”, pondera Mileide. Lira ainda afirma que um dos autores que ficou “encantando com essa possibilidade” foi Valter Hugo Mãe. “Ele disse estar alimentando a expectativa de poder ir ao encontro de comunidades que nunca viram um escritor de perto”, conta.

Serviço
XII Bienal Internacional do Livro do Ceará
Quando: 14 a 21 de abril
Onde: Centro de Eventos do Ceará

Recomendado para você