Leituras da Bel

Leia “Por uma escrita irresponsável”, texto da escritora Lais Eutália

Por uma escrita irresponsável
Por Laís Eutália*

FOTO: Aurélio Alves/O POVO

Eu escrevo porque eu quero e é o que sei fazer.
Juntar palavras, planificar ideias que muitas vezes nem são tão conexas.
Não tenho na minha escrita pretensão de responsabilidade. Nem quero ter.
Deixo as responsabilidades pro cotidiano, pros papéis de energia, o gás que se acaba.
Eu escrevo o que eu quero e pronto.
Não vou salvar o mundo, eu sei.
Quero salvar a mim mesma e se eu conseguir… terei feito muita coisa, já.

Ajudar quem eu posso, com o que eu posso e faço. Visto que, como diz sabiamente um tal Mateus, eu também faço como posso, quase que não posso e faço mesmo assim, eu faço é muito.
Quem achar pouco, vista minha pele e se vire de sol a sol, renovando as escamas e inventando a sobrevivência.
Não preciso de mais responsabilidades e nem que digam o que eu devo ou não escrever, sobre ter responsabilidades artísticas.
Em verdade vos digo: minha responsabilidade é comigo mesma. No papel ou em ecrãs quaisquer, imaginar realidades que me foram impossibilitadas. Sonhar com os lápis, canetas e toques em telas.

Fantasiar futuros é meu dom.
E não venham me dizer que é inútil e quer saber… que seja!

Deixo as responsabilidades para o dia de sol a beira mar, com areia fofa até as canelas. Para os corres diários nas ruas da favela que moro, atrás da farinha e do feijão.
A minha escrita é irresponsável e aqui não me refiro a fazer vista grossa para as maldades do mundo, nem silenciar diante do machismo, racismo, homofobia e todas mazelas gestadas por esse cistema. Não tenho que dar conta de tudo que querem que eu seja.
Minha militância e resistência é a minha vida.
A escrita é a rota de fuga que traço com essas linhas e se incomoda, dá ainda mais fôlego.
Sinal que peguei a estrada certa!

***
Lais Eutália

É estudante de História da Universidade Federal do Ceará (UFC), contadora de histórias, poeta, sonhadora e, dentre todas as coisas, vivedora. Integra juntamente de mulheres maravilhosas Da baRRósas, coletiva de mulheres poetas e escritoras periféricas. Aprecia os ventos de agosto e tem mão boa para plantas.

Recomendado para você

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *