Plínio Bortolotti

AMC: burocratas de gabinete acham que sabem mais do que 3 mil pessoas que vivenciam problema; resultado é trágico

A edição de ontem do O POVO publicou que quatro pessoas receberam órgãos da estudante de enfermagem Vanessa Mustafá de Paula, de 22 anos, que morreu atropelada em frente à escola onde estudava.

A estudante foi atropelada, na quinta-feira da semana passada, quando atravessava a rua Guilherme Rocha. Um ônibus avançou o sinal da rua Padre Mororó e a atingiu e a outra colega, que sobreviveu ao acidente. As duas se encaminhavam para aulas na Escola de Enfermagem São Camilo de Lellis.

Ao O POVO, o diretor da Escola de Enfermagem, Weber Carvalho da Silva, deu declaração dizendo que o acidente – e a morte da estudante – poderia ter sido evitado por uma ação da Prefeitura.

Segundo ele, vários outros acidentes aconteceram no mesmo cruzamento, também por desrespeito ao sinal.

Frente ao problema, os vizinhos organizaram um abaixo-assinado com mais de 3.000 assinaturas pedindo uma lombada eletrônica no local.

Questionada pelo OPOVO, a assessoria de Comunicação da Autarquia AMC [Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania] informou que um estudo havia sido feito na área, mas que a conclusão chegada pelos técnicos fora de que o semáforo seria sinalização suficiente.

Para Weber, o que aconteceu foi, “principalmente, a omissão das autoridades competentes”.

Depois da tragédia, a AMC afirmou que o processo para instalar a lombada eletrônica pode ser reaberto. [Vamos ver se a solução sai antes de outra morte.]

É um típico caso em que burocratas de gabinete acham que sabem mais do que pessoas que vivenciam o problema. Certamente, o abaixo-assinado deve ter citado os seguidos acidentes no local, o que não sensibilizou as “autoridades” de trânsito.

E assim caminha a Fortaleza, terra de ninguém.

[Veja na postagem acima sobre o mesmo tema.]

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