Plínio Bortolotti

“A tese da polarização não muda”, diz ministro da Previdência, José Pimentel

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Pimentel

Em visita hoje à tarde ao O POVO o ministro da Previdência, José Pimentel [PT] afirmou que nem a saída de Aécio Neves [governador de Minas] da corrida presidencial, nem a recente pesquisa do Datafolha, alteraram a decisão de seu partido em ter candidatura única à Presidência da República.

“A tese da polarização não muda”, disse ele referindo-se à estratégia de comparar os governos de Lula e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “O presidente Lula não trabalha com a hipótese de duas candidaturas”, garante.

O deputado Ciro Gomes  e seu irmão Cid, governador do Ceará, vêm insistindo na tese de duas candidaturas da base aliada, com Ciro candidatando-se a presidente pelo PSB. Para eles, com dois candidatos governistas ficaria afastado o risco de uma eventual derrota da candidata petista no primeiro turno.

Pimentel lista algumas questões que, na visão dele, fortalecem a tese da “polarização”:

1. Dilma é menos conhecida do que o adversário José Serra [PSDB], mas situação vem sendo superada.

2. A rejeição de Dilma cai quando ela se torna conhecida dos eleitores.

3. A canditada cresce na preferência do eleitorado à medida em que se torna  mais forte a vinculação Lula/Dilma.

4. O debate sobre os “dois projetos” [Lula X FHC] vai fazer com o eleitorado – principalmente a camada da população que ascendeu economicamente e socialmente no governo Lula- escolha Dilma como a candidata que dará continuidade a essas políticas.

5. E, por fim, Pimentel reproduz uma frase que, segundo ele, costuma repetir: “Família dividida não chega a lugar nenhum”.

Senado

Sobre sua candidatura ao Senado, o ministro é reticente em confirmá-la oficialmente; diz que sua decisão seja divulgada em março.

Mas é só seguir as pistas que ele deixa para acabar com qualquer dúvida sobre o rumo político que tomará o ministro no próximo ano.

Ele garante que o PT terá candidato ao Senado nos 26 estados e no Distrito Federal – e que o partido poderá abrir mão para o PSB ou PCdoB em “três ou quatro estados”, mas que o Ceará está fora dessa negociação: “No Ceará, o PT terá candidato ao Senado”.

Na foto, a partir da esquerda: Arlen Medina [diretor-geral de Jornalismo], André Azevedo [diretor Financeiro], a presidente do Grupo de Comunicação O POVO, jornalista Luciana Dummar, o ministro José Pimentel; eu. Fotografia de Edmar Soares.

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1 comentário

  • nelson c. b. eulálio filho disse:

    Caro Plínio,

    Apesar dos “mas, mas, mas…” típicos dessas análises, vale a leitura.

    ANÁLISE

    “Votos” de Lula podem igualar Dilma a Serra
    MAURO PAULINO
    DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA
    ALESSANDRO JANONI
    DIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHA

    A capacidade de transferência de votos que o presidente Lula demonstra ter elevando sua candidata Dilma Roussef (PT) ao atual patamar de 23% não se esgotou. Uma análise mais detalhada da última pesquisa Datafolha mostra que há 15% de brasileiros que manifestam o desejo de votar no candidato apoiado pelo presidente, mas não sabem ainda que Dilma é sua escolhida, deixando de optar por ela.
    Este percentual equivale, em termos quantitativos, à diferença que mantém José Serra (PSDB, 37%) na liderança do quadro mais provável de candidaturas nesse momento, formado ainda por Ciro Gomes (PSB, 13%) e Marina Silva (PV, 8%).
    Para chegar a essa conclusão o Datafolha combinou os resultados de três perguntas: intenção de voto estimulada, grau de influência de Lula como cabo eleitoral e o conhecimento de Dilma como candidata do presidente.
    Somando-se os que não escolhem Dilma, mas outro candidato (58%), os que optam por votar em branco ou anular (9%) e os que não sabem em quem votar (10%) chega-se a 77% da população adulta que não declara, neste momento, apoio à petista. Dentre estes, 21% afirmam que votariam com certeza em um candidato apoiado por Lula. Estes dividem-se em 6% que identificam Dilma como candidata de Lula e 15% que não sabem quem Lula apoia.
    Há, portanto, 15% da população que, neste momento, não declara intenção de votar em Dilma, não sabe que ela é a candidata de Lula, mas afirma que votaria com certeza em um candidato apoiado pelo presidente.
    Mas, para que isso se transforme em apoio real, há que se considerar as variáveis que agem sobre o processo eleitoral. Estratégias de comunicação e o posicionamento dos candidatos nos segmentos específicos do eleitorado tornam fundamental o conhecimento do perfil desses 15% de potenciais novos eleitores governistas, que ainda não identificaram a candidata de Lula.
    A característica mais marcante desse estrato é a baixa escolaridade. Enquanto na média da população brasileira adulta, 48% têm grau de escolaridade fundamental, nesse segmento, essa taxa vai a 68%.
    O mesmo ocorre com a renda. Na média, 43% dos brasileiros têm renda familiar de até dois salários mínimos. No segmento dos potenciais eleitores de Dilma, esse percentual vai a 59%. Além disso, 36% vivem no Nordeste e 20% no Norte ou Centro-Oeste, índices que superam a média em oito e cinco pontos percentuais, respectivamente.

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2312200913.htm

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