Plínio Bortolotti

Maria Rita Kehl, o “Estadão” e o marceneiro

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Creio que todo mundo conhece aquela piada do marceneiro

O sujeito é chamado a uma casa para consertar o armário que rangia. O marceneiro é recebido pela dona da casa, que lhe mostra o armário, que toma toda uma parede – e diz: “A ferrovia fica nas proximidades, e faz mais barulho quando passa o trem”.

O especialista diz então que vai ficar dentro do armário, quando o trem passar, ele vai observar as juntas que estão soltas para fixá-las. Entra e fica esperando.

Pouco depois chega o marido; percebe que tem outro homem em casa. Furioso, abre o armário e pergunta: “O que você está fazendo aí”. Constrangido, o marceneiro responde:

— Se eu disser que estou esperando o trem o o senhor não vai acreditar. (risos)

Kehl e Gandur

Pois é. É nesta situação que está o jornal o Estado de S. Paulo, depois de ter afastado a psicanalistas Maria Rita Kehl de seu quadro de articulistas.

O diretor de conteúdo do jornal, Ricardo Gandour diz que não houve censura, tratando-se de um caso corriqueiro de substituição de colunistas; Maria Rita Kehl diz que foi demitida por “delito de opinião”,  depois de ter escrito um artigo defendendo o Bolsa Família.

Gandour pode estar falando a verdade, mas na situação atual e do modo como as coisas ocorreram, vai ser muito difícil alguém crer nas palavras dele.

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6 Comentários

  • Raimundo de Assis Holanda disse:

    E esse jornal fala em liberdade de imprensa, em liberdade de expressão, jornalismo com imparcialidade.

  • Sandra Helena disse:

    Nesse caso caro Plinio…se o marido acreditar na estória do trem…essa certamente não terá sido a primeira nem será a útlima vez…..Nesse caso, a esposa já mostrou há muito tempo e reiteradas vezes do que é capaz! Só se ele realmente conspirar com sua própria cornice…

  • Jonas disse:

    Raimundo, liberdade de expressão e de imprensa eu concordo contigo. Agora, imparcialidade não – eles inclusive assumiram apoio ao PSDB.

    O que eu acho importante (mas utópico) é que, ainda que o veículo tenha uma posição bem definida e explícita, aceite e incentive o pluralismo, principalmente com artigos e matérias bem embasadas e com argumentos fortes, como no caso da Maria Rita.

    Já pensaram se o leitor pudesse encontrar, no mesmo veículo, opiniões diversas, ideologias contrárias, argumentos se contrapondo?? Seria muito mais fácil e cômodo de se interar de um assunto por inteiro, ter visões distintas…. só que a redação precisaria de vidros blindados separando as estações de trabalho, ahaha!!

    Mas voltando ao assunto em questão, ficou muito feio, para o Estadão… e não por culpa do Gandour – é que explicar o inexplicável é uma missão cruel mesmo…

  • JuJu disse:

    Ouvi falar desse caso em uma aula do meu curso na universidade, o professor falou do assunto. Sinceramente, como é que pode um meio de informação usar muito o argumento da “liberdade de expressão” quando vai se queixar dos ataques do Lula, mas quando alguém de dentro do meio emite opinião diferente, simplesmente despacha a pessoa? O Estadão é um bom jornal, mas aí pisou feio na bola. É preciso ter coerência nas coisas…

    Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!

  • joaquim disse:

    Essa tentativa do articulista de usar uma piada para colocar em dúvida o que disse Maria Rita sobre sua demissão de O Estadão por não se enquadrar no autoritarismo vigente no jornal que hipocritamente prega a liberdade de expressão é uma sandice. Assuma cara. Ela é um exemplo de jornalista que não aceita a imposição ditatorial dos donos dos jornais. Daqueles que se comportam como puxa sacos para garantir o emprego.

  • HRP MAN! disse:

    Que saia justa certo?
    Mas os fins justificam os meios!
    “Estado há 2000 dias sob censura”!
    AHAHAHAHAHAHAHAH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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