Plínio Bortolotti

Gilmar x Lula: versões

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Meu artigo publicado na edição de hoje (31/5/2012) do O POVO

Arte de Hélio Rôla (clique para ampliar)

Gilmar x Lula: versões
Plínio Bortolotti

Será muito difícil saber exatamente o que conversaram Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, no momentoso encontro, sob o testemunho de Nelson Jobim. Segundo Mendes, o ex-presidente teria pressionado pedindo para adiar o julgamento do caso do “mensalão”.

1) O histórico do ministro do STF lhe é desfavorável. Foi dele a “denúncia” de que um telefonema entre ele e o senador Demóstenes Torres fora grampeado. Na época, o ministro exasperou-se, disse que o Brasil vivia um “estado policialesco” (o que continua afirmando); disse que iria chamar Lula (na época presidente) “às falas”. O barulho derrubou o então diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda. Como agora, foi também a revista Veja a dar guarida ao suposto fato. Em 2010 provou-se que tal “grampo” nunca existiu. Mendes deixou o dito pelo não dito.

2) Parece que agitar o fantasma do “estado policialesco” tem outros cultores, além do ministro Gilmar Mendes. No depoimento à Comissão de Ética, coincidentemente, o senador Demóstenes Torres socorreu-se da mesma tese para tentar desqualificar as acusações que lhe deságuam por sobre a cabeça.

3) No caso do grampo que não houve, como agora, a revista Veja atua rompendo com as práticas do bom jornalismo. A revista não poderia reproduzir as supostas frases de Lula com aspas – como fez. Qualquer estudante de jornalismo sabe que “fato” é aquilo que o repórter vê ou prova – e “versão” é aquilo o que ele ouve dos outros. Portanto, o mínimo que a revista deveria ter feito, seria dispor a fala de Lula em discurso indireto, atribuindo a versão a quem lhe contou a história (quem seria?). Ou havia um repórter invisível da Veja no escritório de Nelson Jobim testemunhando a reunião?

PS. 1) O Uol publicou matéria mostrando trechos “fraudulentos e suspeitos” nas declarações de Gilmar Mendes. 2) Na CPI inexiste o lado do mocinho.

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