Plínio Bortolotti

Lula & Maluf: “O resgate”

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Meu artigo publicado na edição de hoje 28/6/2012, do O POVO.

Ilustração: Hélio Rôla (clique para ampliar)

O resgate
Plínio Bortolotti

Nunca diga que um político está “acabado” ou “morto politicamente”. Como em certos filmes, há políticos aparentados com aqueles estranhos seres com capacidade de retornarem do além-túmulo.

Com esses não resolve nem mesmo pá de cal, estaca no peito ou bala de prata. Quando menos se espera, alguns, enterrados sob todo tipo de denúncia e por um passado duvidoso, ressurgem para assombrar a vida pública.

Paulo Maluf é um desses que morreu e ressuscitou politicamente várias vezes, desafiando aqueles que, por mais de uma vez, o deram por “morto” para a política.

Pois não é que Maluf, com seus 80 anos de idade, meio por baixo – esquivando-se da Interpol – reaparece, todo pimpão com direito às suas devastadoras frases de efeito, do tipo: “Eu, perto do Lula, sou comunista”?

E não é que foi o próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – em troca de 1m35s no horário eleitoral – a resgatá-lo de sua semi-aposentadoria, elevando-o às manchetes dos jornais? Foi dele a ideia de abraçar Maluf – inimigo histórico do PT – e atraí-lo para o lado de Fernando Haddad, o candidato petista à prefeitura de São Paulo.

Só que desta vez a comprovada “intuição” política de Lula parece ter falhado.

Pesquisa divulgada pelo DataFolha mostra que 62% dos eleitores de São Paulo rejeitam a aliança com Maluf. A reprovação aumenta para 64% quando se trata de simpatizantes do PT. A pesquisa ainda revela que 70% dos eleitores paulistas ainda não sabem do acordo; os que têm conhecimento somam 17%.

Acostumada a tacadas certeiras, Lula pode ter errado o alvo desta vez. O candidato Haddad ganhou mais tempo de televisão, mas esqueceram de combinar o preço com os eleitores, principalmente os petistas, para quem Maluf é uma espécie de encarnação do mal.

De qualquer modo, em se tratando de eleição, os caminhos costumam ser surpreendentes. Ver-se-á se Lula deu um tiro no pé ou escreveu por linhas tortas, como muitos de seus adeptos acreditam que ele costuma fazer.

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