Plínio Bortolotti

Oi, TIM, Claro! “Nas mãos dos oligopólios”

Arte: Hélio Rôla (clique para ampliar)

Meu artigo publicado na edição de hoje (9/8/2012) do O POVO:

Nas mãos dos oligopólios
Plínio Bortolotti

Somos um povo engraçado, os brasileiros. Adoramos xingar o governo, qualquer que seja ele, por qualquer motivo, mas toleramos os maiores abusos de empresas privadas. Se alguém fica na fila de um banco privado, considera a situação normal; mas se acontece em um banco público, a reclamação é estridente.

Consideramos intolerável a demora de atendimento em um posto de saúde (e é), mas pouca gente se queixa de clínicas privadas, cuja espera por um médico demora, no mínimo, duas horas (quando se tem sorte). Para alguns, chega a ser motivo de orgulho, pois (supõem) é um demonstrativo da importância do médico “particular”.

As redes sociais ajudam a mudar a situação, mas pouco, comparado ao desprezo com que o distinto público pagante é tratado por algumas empresas, principalmente pelos oligopólios que recebem concessões de serviço público.

É o caso da telefonia que, antes das privatizações, padecia de vários males, incluindo a falta de recursos para ampliar suas linhas, um dos motivos alegados para a privatização do serviço. Deixando para lá o modo como isso foi feito, que muitos consideraram uma espécie de liquidação no patrimônio público na bacia das almas, o que temos hoje é caos da superoferta, orientada por interesses que pouco levam em conta o consumidor.

Para piorar o panorama, algumas agências reguladores – que deveriam servir de balizas para evitar que a busca do lucro a qualquer preço fosse a única razão de existir das concessionárias – ficam dormindo em berço esplêndido, isto é, nos momentos em que não estão ocupadas defendendo as empresas contra os usuários.

Espera-se que a situação comece a mudar, depois que a TIM, Claro e Oi ficaram proibidas temporariamente de venderem mais linhas.

Agora, se ficar comprovado que a TIM vem lesando seus clientes, derrubando deliberadamente ligações, de modo aumentar seus lucros, a única pena aceitável para a operadora seria cassar a sua concessão de serviços.

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