Plínio Bortolotti

Seria Luis Fernando Veríssimo meu leitor acidental?

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Reprodução do artigo publicado na edição de 4/2/2016 do O POVO.

Hélio RôlaSeria Luis Fernando Veríssimo meu leitor acidental?
Plínio Bortolotti

Dia desses, em roda de amigos, um deles diz ter lido uma crônica de Luis Fernando Veríssimo com uma grande sacada ao comparar a meia verdade de Eduardo Cunha sobre suas contas na Suíça com a meia mentira do ex-presidente Bill Clinton quanto às suas intimidades com a então estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky.

“Mas eu escrevi a mesma coisa”, respondi, preocupado em ter, involuntariamente, usurpado a ideia do escritor gaúcho.

Em “Felação premiada”, Veríssimo anota: “A questão (Clinton x Lewinsky) passou a ser se, tecnicamente, felação era um ato sexual ou não. Durante semanas a nação se entregou à discussão sobre a natureza da felação e o exato significado, à luz da semântica, da anatomia e até da filosofia, de ‘relações sexuais”’.

Continua: “Uma discussão parecida como a que retardou o julgamento de Clinton tem ajudado o Cunha. Ele alega que o dinheiro que ele e a mulher têm na Suíça não está, tecnicamente, em contas, mas em fundos. Assim, ele não mentiu quando declarou que não tinha conta na Suíça”.

Em “Relações impróprias”, escrevi: “Mesmo quando surgiram provas irrefutáveis de que Clinton tivera contato íntimo com a estagiária da Casa Branca (…), ele continuou negando que houvera relação sexual. Pela interpretação dele, receber sexo oral não se enquadrava no conceito de relações sexuais”.

Continuei: “Pela definição estrita que o deputado tem do conceito de verdade, o fato de uma conta suíça (…) sem o nome ‘Eduardo Cunha’ no fronstipício é diferente de ele ser ‘apenas’ beneficiário do malfeito”.

Temeroso em parecer um plagiário, demorei a conferir na internet. Quando o fiz, descobri aliviado que meu texto era de 5/11/2015, e o de Veríssimo, de 10/12/2015. Eu pensei (ou pelo menos publiquei) primeiro.

Fiquei meio chateado por não ter o amigo entre meus leitores, mas ao mesmo tempo me animei imaginando que Veríssimo poderia ao menos ter, distraidamente, passado os olhos em meu artigo.

(Claro, não deve ter sido assim. Veríssimo independe de mim para ter suas ótimas sacadas semanais. Assim, peço desculpas a ele, caso venha a ler, por não ter resistido a escrever este artigo. : ))

PS. O meu texto aqui; o de Veríssimo, aqui.

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1 comentário

  • Paulo Marcelo Farias Moreira disse:

    Discordo de sua conclusão:
    Claro, não deve ter sido assim. Veríssimo independe de mim para ter suas ótimas sacadas
    semanais.

    Muitos fatos do nosso cotidiano ajudam jornalistas e escritores.
    E nesses tempos de Internet os leitores podem apontar alguns dados que não foram observados ou destacados pelo autor.
    O jornalista, tal qual o juiz, é jornalista 24 horas e precisa acompanhar o que acontece no mundo.

    Professores precisam dos alunos para uma aula melhor. E, mesmo ensinando, aprendem sempre com alunos.

    Você, ou o Eliomar por exemplo, mostram competência e profissionalismo, mas suas colunas ou blog fracassariam sem comentários ou opiniões.
    São dependentes dos leitores. E nós leitores nos sentimos bem quando nossos comentários são publicados, pois em geral os políticos só nos ouvem em períodos eleitorais.

    Então concluo que
    Pode ter sido assim.

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