Plínio Bortolotti

Theóphilo, o general candidato: segurança e “fake news”

2026 34

Em entrevista ontem à radio O POVO/CBN, no programa O POVO no Rádio (Luiz Viana), o general da reserva Guilherme Theófilo — pré-candidato a governador pelo PSDB — afirmou que está faltando “autoridade” ao governo do Estado para enfrentar a criminalidade. A frase pode ser atribuída à sua formação castrense ou ao fato dele querer agradar os “bolsões sinceros, mas radicais” que estão a apoiar as candidaturas militares em todo o país.

Normalmente, os que falam em “autoridade” complementam com um “eu prendo e arrebento” ou acham que a bandidagem vai desaparecer, na base da bravata, como gosta de fazê-las o atual secretário da Segurança Pública, André Costa.

Mas o general complementou o seu pensamento afirmando que segurança pressupõe investimentos em “fiscalização, inteligência e tecnologia”. Também admitiu, a partir de uma pergunta do apresentador, que reduzir a desigualdade social ajuda a diminuir a violência. Menos mal.

Sobre a participação dos militares na política, ele manifestou-se contra a atuação dos que estão na ativa. Mas disse que, na reserva, esse direito lhes é assegurado como a qualquer outro cidadão.  Disse ser oportuna a participação dos militares “nesse momento” em que seria preciso “mais ética, honestidade e transparência na política. E completou: “São valores que, na caserna, nós cultuamos durante os 45 anos em que eu passei no Exército”.

Se o general está atribuindo a ele, individualmente, essas qualidades, não tenho como contestá-lo. No entanto, se a sua fala for generalizante, há divergências. Até hoje o Exército não prestou contas à sociedade brasileira dos terríveis acontecimentos que protagonizou no período da ditadura: tortura, desaparecimentos e mortes.

Recentemente foi divulgado um documento da CIA (a central de inteligência americana) — que Theóphilo classificou como “fake news” –, mostrando que a ordem para executar “subversivos” tinha uma cadeia de comando que chegava aos generais presidentes. Assassinar prisioneiros é crime, inclusive em guerras. Onde está a ética e a honestidade?

Quando os jornais pediram os documentos da época, para cotejar com o informe da CIA, o Exército adotou um procedimento padrão, emitindo uma nota sobre o assunto:

“O Centro de Comunicação Social do Exército informa que os documentos sigilosos, relativos ao período em questão e que eventualmente pudessem comprovar a veracidade dos fatos narrados, foram destruídos, de acordo com as normas existentes à época – Regulamento da Salvaguarda de Assuntos Sigilosos (RSAS)”. Observem: o Exército não nega a veracidade do documento da CIA, apenas alega não ter documentos que pudessem confirmar o informe.

O Exército Brasileiro poderia, pelo menos, mostrar os relatórios que confirmem que os papéis foram destruídos, pois existem normas para a eliminação de documentos públicos. Onde está a transparência?

Até uma explicação mais plausível, vai restar ao general Theóphilo repetir “fake news”, que é o jargão usado por qualquer político quando uma notícia o contraria.

> Ouça a entrevista na íntegra.

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34 Comentários

  • Sergio Gonçalves disse:

    Jornalistazinho ta atacando o general porque sabe que em breve sua cachorrada ira acabar

    • Plinio Bortolotti disse:

      Olá, Serginhozinho, na próxima, se quiser escrever, apresente argumentos, ou vou desconsiderar seu comentário. Portanto, não perca seu tempo com bobagens, mesmo que o tenha disponível.

    • Patrício disse:

      O general foi atacado ou se rebaixa falando o que no mínimo desafia a inteligência mínima de cada um?
      Aliás, de onde é e quem é mesmo esse Sr Pijama que agora fala aos cearenses? Ele se aposentou ontem e por isso começou agora a emitir opiniões públicas? Ou será que foi colocado pelo empresário civil que tomou uma saraivada e não quer arrebentar a saúde concorrendo de novo a governador?
      Uma pessoa que diz faltar autoridade e se coloca como sinônimo dela é no mínimo prepotente, para não ir além!

  • JOSE ROBERTO CORDEIRO BEZERRA disse:

    Plínio diga logo que de esquerda, não faça arrudeios desnecessários. O governo atual cria seguidor do pensamento PTista estão mais 15 anos no poder e nada fizeram de factível para melhorar a Segurança Pública,

    muito circo.

    • Plinio Bortolotti disse:

      Amigão, já disse há muito tempo que sou de esquerda, não tenho problema com isso. Mas não sou militante de nenhum partido. Imagine se eu respondesse que você é apenas um fascista querendo me intimidar, o que você acharia? Íamos ficar nessa briguinha de sarjeta. Ao escrever novamente – se for fazê-lo -, proponho que apresente argumentos adultos. Abraço.

  • Costa disse:

    Colunista, se reduzir a desigualdade social diminui a violência, como explicar sua explosão durante os anos dourados petistas, que, supostamente, teria teletransportado todos os pobres para a classe média?

    • Plinio Bortolotti disse:

      Proponho que você faça uma pesquisa sobre o assunto. A melhor forma de aprender é pelo esforço próprio. Sugiro que comece pela Colômbia.

      • Costa disse:

        Já fiz a pesquisa no Brasil mesmo e concluí que a violência estourou com os anos dourados petistas. Justamente nas áreas mais “beneficiadas” com os programas de distrubuição de renda.
        Dá para explicar?
        Não vivemos na Colômbia.

  • filho disse:

    Vc não respondeu ainda o leitor anterior.Por que nos anos dourados em que o PT desgonvernou o Brasil(virou quase uma Suíça, riqueza pra todo lado), a violência disparou?

  • Milson disse:

    Quando ele fala que precisa de “mais ética, honestidade e transparência” é porque na caserna, onde servi e pude constatar, há uma preocupação em fazer ” bem feito” com poucos recursos e com honestidade, ou seja, sem desvios. Há, eventualmente, erros, há. No entanto, é muito menor em relação à sujeirada política que está aí e à corrupção nas instituições públicas nos três poderes. Tomara que lhe deem oportunidade de se candidatar e ser eleito.

    • Plinio Bortolotti disse:

      É quanto às perseguições, tortura, desaparecimentos e assassinatos? O Exército não deve explicações? Ou você também vai pôr na conta do “fake news”?

  • Pedro Cerqueira disse:

    Plinio, você tem toda razão em cobrar das Forças Armadas transparência em relação aos atos que praticou durante o regime militar. Principalmente porque poria um ponto final nessa história e seguiríamos em frente. Mas, é necessário cobrar dos que estavam do lado contrário empunhando armas que assumam de vez que não objetivavam, ao contrário do que dizem, restabelecer a democracia no país, mas, sim, a ditadura comunista, além de admitirem ter assassinado inocentes em nome dessa causa. A prestação de contas deve se dar dos dois lados. Todavia, deixo o recado de que não devemos tentar punir qualquer dos lados, pois aprovamos uma lei que anistiou todos, sem exceção.

  • Gilmário Nunes disse:

    Está muito claro, pelo menos para mim, que o “jornalista” tentou associar o pré-candidato G. Theóphilo com “fatos” ocorridos durante o regime civil militar. Graças aos militares, que foram chamados pelo Congresso Nacional, no começo do mês de abril de 1964 que chegaram para pôr ordem na bagunça que estavam querendo instalar no país. A grande maioria dos que foram mortos eram pessoas antipatriotas. Que queriam o mal do país, eram vagabundos e inglórios que a esquerda ideológica chama-os de “vítimas da ditadura”. Graças aos militares e o povo de bem que em meados da década de 60 do século passado o Brasil, felizmente, não é hoje uma Cuba, Bolívia ou Venezuela.

    • Plinio Bortolotti disse:

      “Gilmário”, como um “cidadão de bem”, que você diz ser, defende assassinatos? Tortura e execução sumária são crimes graves. E ao que me consta, os “cidadãos de bem” são contra bandidos e defendem o respeito à lei. Ou estou enganado?

  • fabio disse:

    Pena de morte sim, qual o problema? vc acha que nao estamos precisando disso? opressão nesse momento que vivemos é necessária, infelizmente, nossa sociedade esta muito solta à mercê de leis falhas e falta de pulso firme, nos poupe desse retrocesso de discussão da época da ditadura, me diga uma coisa, qual o indice mesmo de violência social nessa época? latrocinio? temos que parar com essa mania de defender bandidos, se uma pessoa decidiu por escolha própria ficar à margem da lei, ela que saiba das consequencias, hj os bandidos ficam é caçoando ao saberem que irão presos. Toda sociedade deve ter suas leis e seus efeitos com rigor. Porque “todos” querem ir morar ou sempre se baseiam nos EUA? apenas de lá tambem ter suas catástrofes sociais como em qualquer outro lugar, lá tem lei e todos sabem oq acontece se as infringirem. não sou de partido algum, mais vejo que precisamos retroagir e começar tudo novamente, à começar com o fim dos direitos humanos, a imprensa ter mais bom senso ao publicar certas notícias, e um governo correto e ao meu ver militarizado. Escolas militares, com seu rigor e amor à pátria formam cidadãos de bem, só analisar os índices. Sinceramente não temos grandes nomes presidenciáveis, mais pelo menos vou votar num que é honesto e tem pulso firme para tentar corrigir certos erros, deixando a politicagem de lado. #BOLSONARO2018

  • Luis Fernando Oliveira de Araujo disse:

    E desde quando o comentário do Gilmário fez qualquer alusão a defender assassinos tão conhecidos durante a ditadura? Ele mencionou você Plinio não como um jornalista comprometido com a informação, mas sim como um esquerdista que no exercício da profissão faz campanha politica da esquerda. FATO!! Porque não ha no seu comentário nenhuma alusão aos abusos cometidos pelos “santos” que lutaram pela democracia como Dilma, Dirceu, Fernando Pimentel, Rui Falcão, Genoino, que hoje estão todos condenados por corrupção!! Quando o nobre jornalista ira fazer uma reflexão sobre sua turma? Ou irá continuar abusando do exercício da profissão pra fazer campanha pra esquerda. Qual pra você é a morte que tem maior ou menor valor, a praticada indevidamente pelo exercito ou a praticada em nome da luta que você se associa pelos marginais que lutaram pela tal democracia da corrupção??? Vamos ver qual sua posição!

    • Plinio Bortolotti disse:

      Olá, Luís Fernando, 1) Não é você que vai definir sobre o que eu escrevo; se você julga importante algum tema, inicie um blog e escreva você mesmo. 2) Vou sim continuar “abusando” da profissão com a certeza que não ofendi nenhum de seus princípios éticos.

  • Luis Fernando Oliveira de Araujo disse:

    Jornalista tergiversa porque não cumpre o papel social da profissão em informar de forma isenta e utiliza do espaço pra apenas criticar aquele que não o satisfaz, de um modo ou de outro. E então monumento da ética, pra você vale mais ou menos a morte patrocinada pela sua turma ?? Porque não responde!! Porque se omite ??

    • Plinio Bortolotti disse:

      Luís Fernando, vou explicar para você: existem matérias, nas quais o jornalista tem de buscar os vários aspectos do fato que está relatando, e existe análise/opinião, na qual se faz exatamente análise e opinião, o objetivo de meus comentários neste blog. Tenho certeza que você irá compreender a diferença entre uma coisa e outra. Ah, sim, a propósito, a minha “turma” é a dos jornalistas.

  • Luis Fernando Oliveira de Araujo disse:

    Nobre jornalista, eu aqui outra vez, dentre os vários aspectos do fato está que o outro lado matou inocentes, com único propósito de formar uma dita democracia da corrupção onde eles se locupletassem, e Sr. simplesmente ignora, nem um parenteses pra dizer que outro lado também tinha assassinos. Omissão grave!! Em tempo: troque-se sua “turma” pelos “assassinos na qual você torcia!” Quem sabe de uma próxima vez possa ser citado que houve assassinatos de parte a parte!

    • Plinio Bortolotti disse:

      Luís Fernando, eu não discuto ao nível da sarjeta. Se quiser perder seu tempo escrevendo comentários do tipo, pode fazê-lo, mas eu não vou mais liberá-los. A propósito: aconselho-o a procurar a sua turma, que deve gostar de substituir o debate por agressões.

  • Gildásio disse:

    Lugar de general é na caserna. Cada qual no seu quadrado (novo). Ou cada macaco no seu galho (velho).

    • Luis Fernando Oliveira de Araujo disse:

      Ele falou justamente isto: lugar de general na ativa é na caserna, foi pra reserva(aposentadoria) ele se desligou da atividade laboral na qual estava associado, e como cidadão tem pelno direito do exercicio politico.

  • Paulo Carvalho disse:

    Estou muito preocupado com essa possibilidade de haver uma massiva militarização na sociedade brasileira, através da política. Esses senhores têm a ideia de que se resolverão os nossos graves problemas sociais, com chibata.

  • Felipe Lima disse:

    Vejo com preocupação o surgimento, do nada, deste candidato apresentado por antigos políticos como uma solução íntegra para nossos velhos problemas. Se qualquer administrador “ficha-limpa” serve, então não devemos olhar para o candidato, mas para o grupo político que ele compõe. E o PSDB é péssima opção. Nacionalmente, tinha há bem pouco tempo atrás Aécio “Tem que ser um que a gente mata antes de falar” Neves. Não dá pra votar em tucano.

  • Luciano de Andrade Filgueiras Filho disse:

    Vendo agora esses comentários, observo que muitas opiniões, não só aqui, são muito superficiais. Por exemplo: dizer que nos anos em que o PT esteve à frente do governo, mesmo voltado mais para o social a violência aumentou, é ficar memso na superficialidade da questão.
    Ora, a violência é um problema histórico e de raízes mais profundas! Não dá para atribuir a um governo ou outro.
    Lembrando que não vai ser com “ordem” e repressão que a violência vai ser solucionada!

    • Plinio Bortolotti disse:

      Pois é, Luciano, e depois vem leitor queixando-se das respostas que deixo aqui. Alguns leitores não querem debate, mas apenas agredir ou escrever palavras que eles consideram xinganento, como “petista” ou “esquerdista”. Ou ainda, outros que querem determinar o que posso ou não escrever. Mas vamos tocando pra frente.

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