Plínio Bortolotti

O pão e a reforma trabalhista

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Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, no O POVO, edição de 5/7/2018

O pão e a reforma trabalhista

Estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra que a reforma trabalhista fez o empregado perder, em média, R$ 14 em seu salário. Segundo o analista político do Diap, André Santos “pode parecer pouco para a classe média, mas é muito significativo para quem ganha o salário mínimo”.

Ele fez a declaração no seminário realizado na Câmara dos Deputados com o tema Impactos da Aplicação da Nova Legislação Trabalhista no Brasil, conforme registrou o jornal Valor Econômico (3/7/2018). De fato, R$ 14 representam muito para um trabalhador com salário de R$ 954, pois com o valor pode-se comprar um quilo de pão, por exemplo.

Se o objetivo era “dinamizar a economia e modernizar as relações de trabalho”, disse Santos, a reforma falhou, pois não houve crescimento do emprego de janeiro a março deste ano, com as mudanças já em vigor. Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atestam a afirmativa do técnico, revelando que o índice de desemprego atingiu 13,1% no trimestre encerrado em março, com 13,7 milhões de desempregados no País, o maior índice desde maio do ano passado.

Segundo Santos, o trabalho intermitente não deveria ter sido posto em prática da forma “irracional” como foi legalizado, permitindo a demissão de trabalhadores fixos para voltar contratá-los como intermitentes. Para a pesquisadora Marilane Teixeira, da Universidade de Campinas (Unicamp), os “postos de trabalho estão sendo destruídos”, gerando-se empregos predominantemente informais, precários e de baixa remuneração.

Mas pode ser que ambos estejam sendo precipitados, a exemplo das pessoas que acreditaram que o preço da passagem aérea cairia, a partir da cobrança pelo despacho da bagagem. O caso é que houve aumento no preço. Então, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) correu para explicar ao distinto público que era necessário esperar pelo menos cinco anos para avaliar o impacto da medida.

Resta agora perguntar ao governo de Michel Temer quanto tempo será necessário para a reforma trabalhista surtir efeito: cinco, 10 anos? Até lá, quantos quilos de pão o trabalhador irá perder?

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3 Comentários

  • Luciano Filgueiras disse:

    Muito antes da reforma trabalhista ser aprovada o movimento sindical já denunciava que as relações de trabalho seriam precarizadas.
    Precarizou-se o emprego e o poder de compra do trabalhador caiu.
    E é claro que os elaboradores dessa “deforma” já sabiam das consequências.
    Para os donos do poder e do seu respectivo modelo econômico não basta a histórica e atual exploração da mão de obra a seu dispor. É preciso “sugar” mais para manter suas mordomias, ou seja, suas mansões, seus milhões e bilhões em contas, viagens turísticas não só nas férias, as sacolas de compras a desfilar de saltos altos pelos shoppings, seus carros blindados a circular entre balas perdidas…

  • Francisco Ricardo disse:

    Eu não comentarei quanto a reforma em si, pois julgo que tem mais acertos que erros. Por outro lado, é sabido que qualquer avaliação desse tipo deve levar em conta todas as variáveis que descrevem o problema. Realmente esse pessoal da DIAP assim o fez? A piora das condições econômicas do último ano foi considerada? Essa piora advém de variáveis que nada tem a ver com a reforma (são consideradas externalidades em uma análise) trabalhista mas que anulam qualquer impacto das mudanças. Assim fica fácil fazer análises a favor e contra qualquer coisa não??

  • carlos disse:

    Eu gostaria de saber qual planeta o Francisco Ricardo habita porque náo se pode concordar com esse absurdo, eu acho que ele deve ser um lobista achacador que concorda com esse congresso achacador.

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