Política

O peso de Lula na campanha pela Prefeitura de Fortaleza

Lula deverá ser principal cabo eleitoral de Luizianne Lins  (FOTO: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Lula deverá ser principal cabo eleitoral de Luizianne Lins (FOTO: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Fosse há alguns anos, a disputa pelo apoio do ex-presidente Lula na campanha para Prefeitura de Fortaleza, ou de qualquer outra cidade, seria intensa. Brigas na Justiça envolvendo nomes das mais diversas matizes ideológicas por causa do uso da imagem do petista marcaram as últimas eleições. Em 2016, entretanto, o cenário tende a ser diferente. Desgastado por conta de denúncias no âmbito da Lava Jato, Lula viu sua popularidade despencar. Não é mais a quase unanimidade de alguns anos atrás e, a depender do contexto, pode até afastar os eleitores.

Mas também não é possível afirmar que o ex-presidente esteja morto politicamente. Pesquisas de intenção de votos para as eleições de 2018 ainda o colocam com desempenho considerável, que chega a ser até impressionante diante da avalanche em que o petista e seu partido foram alvo com o escândalo do Petrolão. O fato é que ainda existe uma fatia de eleitores, principalmente em parte da classe intelectual e da mais pobre do País, fiel a Lula e a tudo que ele representa em termos históricos. E é nessa força que a pré-candidata Luizianne Lins deposita todas as suas esperanças.

Em 2004, quando concorreu pela primeira vez ao comando da Capital, a atual deputada federal não teve Lula como seu padrinho eleitoral. Ele e boa parte do PT resolveram apoiar, mesmo que informalmente, a campanha de Inácio Arruda. Contra qualquer previsão, Luizianne acabou sendo eleita, explorando exatamente esse isolamento.

Quando disputou a reeleição, em 2008, a petista também não contou com o apoio direto do então presidente da República, já que havia candidaturas de partidos que integravam a base de Lula no Congresso, como era o caso de Patrícia Saboya, então filiada ao PDT. O principal nome do PT preferiu não se envolver para evitar qualquer desgaste.

Em 2016, seria a primeira vez de Lula participaria efetivamente de uma campanha de Luizianne. Sem apoio do governador Camilo Santana (PT), que deverá estar ao lado do prefeito Roberto Cláudio (PDT), e sem nenhum outro partido a compor sua chapa, o ex-presidente se transformou praticamente no único trunfo que a petista terá na disputa pelo Palácio do Bispo. Caso ele mergulhe de cabeça, trará certa envergadura à nova empreitada de Luizianne. Resta saber se esse apoio será suficiente.

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