Política

“Tem muito petista que prefere Bolsonaro a mim”, diz Ciro Gomes

Para Ciro Gomes, muitos petistas preferem o "quanto pior, melhor" (Mariana Parente/ Especial para O POVO)

Para Ciro Gomes, muitos petistas preferem o “quanto pior, melhor” (Mariana Parente/ Especial para O POVO)

Pré-candidato do PDT à Presidência, o ex-ministro Ciro Gomes avalia que só terá apoio do PT em eventual 2º turno da disputa. Em palestra feita nesta quinta-feira, 14, no Rio de Janeiro, o pedetista avaliou como impossível um apoio petista no 1º turno até por uma rejeição de setores do partido ao seu nome. “Tem muito petista que prefere Bolsonaro a mim”, disse.

Segundo ele, tal rejeição ocorre pois esses petistas operariam na lógica do “quanto pior, melhor”. Ex-ministro da Integração Nacional no governo Lula, Ciro tenta construir candidatura mais à esquerda, com especulações em torno de possível aliança com petistas no caso de o ex-presidente não sair candidato.

Lula e o PMDB

Na palestra, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o ex-ministro acusou ainda o ex-presidente de tratar o povo como “imbecil” ao manter aliança com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Um dos articuladores do impeachment de Dilma Rousseff no Congresso, Calheiros recebeu diversos afagos do petista durante viagem por Alagoas no mês passado.

“Houve um golpe. Sucede daí que quem fez esse golpe foi o Senado Federal, cujo presidente era Renan Calheiros. O que faz o PT agora? Vota em Eunício para presidente do Senado e o Lula chega em Alagoas e se abraça com Renan Calheiros. Está pensando que o povo é imbecil? Se houve um golpe, quem são os golpistas?”, disse.

PT e evangélicos

Ciro Gomes também criticou relação que a esquerda brasileira teria com fieis de igrejas neopentecostais brasileiras.  “A esquerda antiga não entende o que está acontecendo. Dessa gente que cresceu fora da política. Aí começa a esquisitar esse povo, falar mal como se fosse um imbecil, enganado pelo pastor. Como se fosse tão fácil”, diz.

“A pessoa paga por pertencimento, um pertencimento que a política não dá mais. É uma rede. Isso, se a gente não for atrás desse povo, eles vão virar tudo de direita mesmo”, diz. “Eles não acreditam em Estado, porque para eles Estado é uma abstração hostil, que só chega para pedir alvará, cobrar propina”, disse.

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