Política

Análise: sob crítica, Bolsonaro para de crescer e Haddad se isola em segundo

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Hospitalizado, Jair Bolsonaro (PSL) permanece com 28% em nova rodada do Ibope (Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agencia Brasil)

Nova rodada do Ibope faz acender a luz amarela para Jair Bolsonaro (PSL), que está hospitalizado há duas semanas depois de ter sofrido atentado a faca em Juiz de Fora (MG).

Embora tenha se mantido com 28% da preferência do eleitorado, à frente de Fernando Haddad (PT), com 22%, o candidato viu sua rejeição crescer quatro pontos percentuais, chegando a 46% – a maior entre os postulantes.

Pior: nas simulações de segundo turno, o desempenho do militar se deteriorou consideravelmente.

Agora, Bolsonaro apenas empata com Marina Silva (Rede) e perde de todos os demais, inclusive do ex-prefeito de São Paulo (43% a 37%).

No retrato flagrado pela pesquisa, só o petista se movimenta fora da margem de erro (dois pontos), avançando três pontos. Desde que se tornou candidato, Haddad aumentou 14%.

Todos os outros presidenciáveis permaneceram no mesmo patamar – Geraldo Alckmin (PSDB) oscilou positivamente, indo a 8%, e Marina caiu um ponto, chegando a 5%.

Ciro Gomes, do PDT, continua com 11% em relação à pesquisa anterior. Ou seja, Haddad cresceu a despeito do eleitorado do pedetista.

Quinto da série, o levantamento do Ibope cristaliza o provável segundo turno entre Bolsonaro e Haddad. Com uma diferença.

A duas semanas da votação, e mantida a proporção ascendente do substituto de Lula na campanha, é possível que Haddad chegue ao dia 7 de outubro tecnicamente empatado ou mesmo à frente do capitão da reserva.

A dúvida então é se haverá tempo suficiente para que a candidatura do deputado federal eventualmente passe a perder votos.

O nome do PSL, todavia, tem um trunfo: ao olhar para o retrovisor, ele se depara com a imagem de Haddad, somente.

E atrás do petista não há ninguém com trajetória positiva capaz de ameaçar os dois líderes dos levantamentos de intenção de voto.

Logo, o capitão pode até vir a derreter, mas nada faz crer que isso se dê de forma tão acelerada a ponto de permitir que um terceiro candidato (Alckmin ou Ciro) o ultrapasse nesta reta final.

Há um fator contra Bolsonaro, no entanto: mais que qualquer outro concorrente, ele está sob fogo cerrado dos adversários.

De fora, é alvo de intensa campanha internacional e objeto de publicações de prestígio, como a The Economist, cuja última edição o retratou como um risco à democracia.

Dentro de casa, os protestos contra o postulante se acumulam. O maior deles, organizado por mulheres, segmento no qual ele é mais rejeitado, está agendado para o próximo sábado, dia 29/9.

E na televisão: dono da maior fatia de tempo, Alckmin vem empregando toda a sua energia na dura tarefa de desconstruir Bolsonaro. Pode não haver surtido efeito – por enquanto.

Somado, qual o efeito de tudo isso de agora em diante, a 12 dias de os brasileiros irem às urnas? É uma pergunta cuja resposta começa a ser dada já no fim desta semana, com a rodada do Datafolha.

Hoje, a posição de Bolsonaro parece sugerir que ele está garantido no segundo turno. Mas essa maré, a depender do quadro mostado pelo Ibope, pode começar a mudar.

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