Política

Quais os efeitos políticos do “Ele não” para a campanha de Jair Bolsonaro

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Mulheres organizam protestos contra Jair Bolsonaro em todo o País (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

 

Maioria do eleitorado brasileiro, as mulheres lideram neste sábado protestos contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) em todo o País.

Na dianteira das pesquisas, o militar deixou na manhã de hoje o Hospital Albert Einstein depois de 22 dias internado após haver sofrido atentado a faca.

De acordo com o Datafolha mais recente, Bolsonaro parou de crescer entre mulheres.

Entre 22 de agosto e 20 deste mês, o candidato do PSL havia aumentado sete pontos percentuais nesse segmento, indo de 14% de intenção de voto para 21%.

De 20/9 até ontem, porém, o capitão da reserva brecou, permanecendo com 21%.

Nesse mesmo período (22/8 a 20/9), Fernando Haddad, do PT, saiu de 3% para 22% na preferência do voto feminino.

Se a intenção de voto em Bolsonaro estancou entre mulheres, sua rejeição disparou nessa faixa do eleitorado. Saiu de 43% (em 22/8) para 52% (em 28/9).

Entre homens, o percentual de eleitores que afirmam que não votariam de jeito nenhum no deputado é 14 pontos menor: 38%.

A pesquisa mostra que o voto feminino está puxando a trajetória de Bolsonaro para baixo.

Nas simulações de segundo turno, por exemplo, o desempenho do candidato apresenta grandes variações entre homens e mulheres.

Considerado apenas o voto masculino, Bolsonaro venceria Haddad no segundo turno por 48% a 40%, uma diferença de quatro vezes a margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para mais ou para menos.

Entre as mulheres, no entanto, o parlamentar perde para o petista num segundo turno por 50% a 32%, uma vantagem de 18% para o ex-prefeito de São Paulo.

O resultado é o mesmo quando Haddad é substituído por outro candidato nessa fase da corrida eleitoral.

Bolsonaro vence qualquer oponente levando-se em conta apenas o voto masculino, aponta o Datafolha. E perde de qualquer adversário, considerados só os votos femininos.

Aí estão exatamente as grandes dificuldades de Bolsonaro na briga pelo Planalto. A rejeição altíssima num segmento majoritário do eleitorado começa a causar estragos.

A nove dias dias das eleições, a campanha “Ele não” e a série de protestos contra o militar marcada para hoje adicionam um elemento de desgaste crescente.

Caso deseje melhorar sua performance no segundo turno e mesmo no primeiro, Bolsonaro terá obrigatoriamente de reduzir sua rejeição entre as mulheres.

Uma tarefa dificílima, senão impossível, dada a proporção que o movimento contra ele tomou.

Por que, então, a intenção de voto em Bolsonaro ainda não caiu?

Grosso modo, porque ele se sai bem noutras faixas do eleitorado que acabam compensando essa queda.

Bolsonaro continua com a preferência dos votantes notadamente entre homens de alta e altíssima renda das regiões Sudeste e Centro-Oeste e com boa formação escolar (nível superior).

Há, portanto, duas clivagens de voto, segundo o Datafolha. A primeira, por região, opõe o Nordeste, onde Haddad tem larga vantagem, ao Sudeste/Centro-Oeste, nas quais Bolsonaro lidera.

E a outra polarização é entre homens e mulheres. Bolsonaro é o candidato da maioria masculina. A maior parte do voto feminino escolhe sempre qualquer nome, exceto o do militar.

A se manter esse quadro, com possibilidade de crescimento da rejeição de Bolsonaro, a derrota do deputado federal terá sido decretada principalmente pelo voto das mulheres  e os do Nordeste.

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