Política

Revista ‘The Economist’ avalia que “Bolsonaro une perversamente o liberalismo ao autoritarismo político”

Jair Bolsonaro (PSL) foi novamente assunto da revista britânica The Economist, nesta quinta-feira, 25. O artigo intitulado “Bolsonaro e a perversão do liberalismo” se debruça sobre como a “América Latina está revivendo o casamento profano entre economia de mercado e autoritarismo político.”

A matéria mostra que a presença de Paulo Guedes como futuro ministro de Bolsonaro é “uma espécie de prova de confiança que ele quer dar a empresários brasileiros, apesar de seus insultos a mulheres, negros e gays, seu carinho retórico por ditadura e súbita de sua professa conversão à economia liberal.” Mas que essa parceria pode não durar muito, pelas diferenças entre os dois.

Na visão da revista, “Bolsonaro que se beneficiou de um clima de desespero público em relação à crescente criminalidade, corrupção e uma crise econômica causada pelos erros de um governo anterior. Ele promete um governo democrático liberal.” Que é onde entra Guedes, aponta a revista. “O economista defende algumas medidas econômicas liberais. Ele propõe reduzir o estado inflado, ineficaz e quase falido do Brasil através de privatizações e cortes de gastos públicos, e desfazer a burocracia do país.”

Mas a The Economist alerta para o fato que “as palavras de Bolsonaro não costumam ser nem liberais nem democráticas. Ele significa “ordem”, mas não a lei. Ele insta a polícia a matar criminosos, ou aqueles que eles acham que podem ser criminosos. Ele quer mudar a política de direitos humanos para “dar prioridade às vítimas”, embora presumivelmente não signifique as vítimas de assassinatos extra-legais pela polícia. Ele não tem uma consideração liberal pelo bem público em seus planos de favorecer os agricultores sobre o meio ambiente e retirar o Brasil do acordo de Paris sobre a mudança climática.”

Lembram ainda que, como congressista, propôs o controle da natalidade para os pobres. Que chama os generais que tomaram o poder como ditadores no Brasil em 1964 e governaram por duas décadas de “heróis”. Jornalista britânico citou ainda a afirmação de um de seus filhos, Eduardo Bolsonaro, que é deputado federal, que “um soldado e um cabo” seriam suficientes para fechar o STF. 

Semelhanças com ditaduras

O The Economist levantou também as semelhanças entre o que Bolsonaro quer fazer em nossa economia, com o que ocorreu no Chile de Pinochet e no Peru de Fujimori, ambos ditadores citados com admiração pelo candidato do PSL. Relembre a história abaixo e as análises dos possíveis desastres:

Chile

“Reduziram as tarifas de importação e o déficit fiscal, que caiu de 25% do PIB em 1973 para 1% em 1975. Privatizaram centenas de empresas, sem levar em conta a concorrência ou regulamentação. Estabeleceram uma taxa de câmbio fixa e supervalorizada. O resultado de tudo isso foi que a economia passou a ser dominada por poucos conglomerados, fortemente endividados em dólares e centrados nos bancos privados. Em 1982, após um aumento nas taxas de juros nos EUA, o Chile não pagou suas dívidas e a economia caiu. A pobreza envolveu 45% da população e a taxa de desemprego aumentou para 30%.”

Peru

“Algo semelhante aconteceu no Peru sob a presidência de Alberto Fujimori (1990 a 2000). Enviou tanques para fechar o Congresso e promover um programa econômico radical de livre mercado. Mais uma vez, isso lançou as bases para uma economia dinâmica, mas carregou altos custos. O regime Fujimori, engajado na corrupção sistemática, e sua destruição do sistema partidário, e da independência judicial tiveram conseqüências que ainda estão sendo sentidas.”

Bolsonaro e Guedes: uma parceria que pode não durar

Análise final

Dessa forma, a análise da revista britânica é que a presidência de Bolsonaro pode desmoronar em um conflito permanente, tanto dentro do governo quanto entre ele e uma oposição inflamada pela agressão verbal de Bolsonaro. Aponta que, frustrado, ele poderia atacar a legislatura e os tribunais. Separar a liberdade econômica e política pode parecer um atalho para o desenvolvimento.”

As posições antagônicas da economia e de seu possível futuro ministro continuam listadas pela publicação. E termina com um: “Muitas das propostas do senhor deputado Guedes são vagas, mas sensatas em princípio e vencidas. Incluem a redução do déficit e da dívida pública e a reformulação dos gastos públicos. Muitas de suas privatizações propostas são necessárias. Ele justamente quer mudar isso. Mas em muitas dessas coisas Bolsonaro pode ser seu oponente. O senhor Guedes pode não durar muito tempo.”

Para quem quiser ler, clique aqui e leia o conteúdo original da The Economist.

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