Política

Jesuítas criticam indicação “com fins ideológicos” de José de Anchieta como patrono da educação

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O projeto de lei do o deputado Carlos Jordy, do PSL do Rio de Janeiro, não foi bem recebido pelos jesuítas que dirigem o Santuário Nacional de São José de Anchieta. A PL 1930/2019 pretende substituir o educador Paulo Freire pelo padre José de Anchieta, jesuíta canonizado pelo papa Francisco em 2014, como patrono da educação no País.

Assinada pelo reitor e vice-reitor do Santuário, Pe. Nilson Marostica e Pe. Bruno Franguelli, a nota oficial divulgada pede “respeito ao valiosíssimo legado” de José de Anchieta, mas critica a alteração “para fins meramente ideológicos”.

“O Padre José de Anchieta merece, de fato, todo louvor e reconhecimento pelo imenso bem que fez pelo nosso Brasil, principalmente no que se refere ao tema da educação”, afirma a nota. “No entanto, a atual conjuntura governamental do nosso País, não podemos aceitar que o legado de São José Anchieta seja instrumentalizado para fins meramente ideológicos (…) (O legado José de Anchieta) Deve sim ser imitado, mas jamais manipulado”, continua.

A nota ainda reconhece a importância de Paulo Freire para a educação brasileira e compara o educador ao jesuíta. “Tanto São José de Anchieta como Paulo Freire caminham na mesma direção. Ambos optaram por estar à serviço da educação dos marginalizados”, destaca.

O autor do projeto que pretende realizar a troca reagiu no Twitter à nota divulgada pelo Santuário. Chamando os padres que dirigem a instituição e assinam o texto de “teólogos da libertação”, afirmando que “padre que compara Paulo Freire à grandeza de José de Anchieta não é padre”.

“Comparar Paulo Freire a José de Anchieta é uma heresia. Um foi comunista e uma farsa na educação, o outro, um cristão legítimo e o primeiro educador brasileiro”, criticou o parlamentar.

Veja a nota na íntegra:

4 Comentários

  • É incrível a capacidade dos nossos irmãos cariocas em eleger tanta gente sem noção, esse tal de Carlos Jordy deve ter sido amigo de infância dos filhos do Bolsonaro. Se o país depender desta gente para superar os graves problemas que passamos, estamos ferrados!

  • Luis Cacio disse:

    O que não é ideológico nessa narrativa popular.
    Se por um lado, parlamentares como Carlos Jordy supostamente usa a figura de José de Anchieta como instrumento ideológico, da mesma forma a nota se mostra enviezada ao comparar Paulo Freire a José de Anchieta.
    Para combater esse aparelhamento da esquerda entranhada nas instituições, vai levar tempo e trabalho duro. Enquanto a Direita não se entendia, a esquerda caminhava unida no mesmo propósito, agora é penar e construir uma relação social, principalmente com as camadas mais baixas da população, de confiança. Talvez, daqui há uns 20 anos conseguimos enfim ter um país de fato democrático.

  • Patente requerida disse:

    Esse deputado não Tem coisas mais importantes para debater não!???
    Melhor procurar um especialista em neurologia, ou um pai de santo!
    Ele deve estar com um encosto, assim como a maioria dos asseclas milicianos!

  • José Silveira Filho disse:

    Acordo com o Santo José de Anchieta como tendo mais méritos educativos que Paulo Freire, contudo, não aceito ignorar o grande educador pernambucano, máxime, pelo seu método de Alfabetização de adultos e, em especial, pela sua pedagogia dialógica da troca de saberes. As suas obras são valiosas e reconhecidas em muitos países. Na minha Licenciatura em Agronomia, tive o privilégio de cursar a disciplina “Pedagogia de Paulo Freire”, ministrada pela educadora Sandra Petit, da Faculdade de Educação – FACED, na Universidade Federal do Ceará’- UFC. Nos meus estudos de Doutorado em Educação na FACED/UFC, utilizei da pedagogia freireana na metodologia de pesquisa qualitativa informacional da minha Tese que pesquisou o Curso de Agronomia da UFC, em Fortaleza. Desde 2011, em todos os meus trabalhos com hortas escolares aceitos e apresentados nos diversos eventos científicos pertinentes utilizo na metodologia de pesquisa a pedagogia dialógica de Paulo Freire. O último trabalho A DIMENSÃO AMBIENTAL DA HORTA ESCOLAR, em 2018, apresentado na SOEA75/CONTECC5 – Congresso Técnico Científico de Engenharia e Agronomia, em Maceió-AL. Entre seus diversos livros, uma preferência especial por “Extensão ou comunicação? que trata do Agrônomo educador.

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