Política

Artigo: “Guedes e a vergonha”

Ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: Divulgação)

Paulo Guedes não é belo, e ele sabe disso, mas, obviamente, a (falta de) beleza do ministro não vem ao caso. Aos 70 anos, com uma testa pronunciada na qual está encarapitada uma calva lustrosa, o auxiliar de Bolsonaro não se notabiliza por seus predicados físicos, para ficar num terreno no qual o próprio presidente já havia se arriscado ao ofender a primeira-dama da França, Brigitte Macron, chamando-a de “feia”.

Ora, não é vergonha estar em desacordo com a beleza, e Bolsonaro também o sabe. Vergonhosa é a grosseria – é pouco lisonjeiro referir-se a outra pessoa dessa maneira, como fizeram primeiro o chefe de Estado e depois o ministro, reduzindo-a a aspectos físicos dos quais se ri. A atitude extrapola qualquer norma de convívio, sobretudo se adotada por dois homens: ambos feios, na mesma faixa etária de Brigitte e ocupando uma função pública.

Mas, como havia dito, não importa aqui se Guedes se parece com Yoda e Bolsonaro, com o Tio Roy da “Família Dinossauro” (vejam fotos e comparem). Não é de beleza que se fala. Tampouco do comportamento do titular da Economia, a quem caberia não reforçar caninamente a desinteligência do presidente, que o chamou de “chucro” apenas um dia antes. Tudo isso, porém, era esperado: Bolsonaro é o que é.

O elemento que destoa, e é nisso que me concentro, são os aplausos a Guedes por quem o assistia em evento realizado em Fortaleza. Aqui, como um animador de plateia, ele fez rir os presentes ao repetir uma asneira já criticada exaustivamente e cujos estragos à diplomacia nacional estão por ser calculados. Não apenas rir. Fez também aplaudir, de modo que não só ele passasse por ridículo em todo o País, vez que a palestra era transmitida – ouvem-se as palmas e as gargalhadas -, mas igualmente aqueles que o viam falar.

Já éramos a cidade onde os médicos cubanos foram recepcionados por vaias alguns anos atrás porque desejavam trabalhar aonde os brasileiros não gostariam de ir. Agora podemos orgulhar-nos também de sermos o lugar onde se manga (para usar o termo adequado) do que deveria unicamente nos causar vergonha.

Publicado na edição impressa do jornal O POVO desta sexta-feira, 6 de setembro. 

Momento em que Paulo Guedes reafirma ofensa à primeira-dama da França, Brigitte Macron:

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