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Povos tradicionais estão em risco de insegurança alimentar; Mesa Brasil entrega doações

Indígena visto de cima, com cocá de penas; povos indígenas recebem doações do Mesa Brasil

Aldeias Tapeba, Pitaguary e Jenipapo-Kanindé são alguns dos povos indígenas que receberam alimentos. Doações também chegaram a quilombolas de Caucaia e famílias ciganas da região Norte e Centro-Sul (Crédito: Jr Panela)

Na pandemia, o programa de assistência do Sesc têm ajudado a comunidades tradicionais em todo o Ceará. Campanha de arrecadação de alimentos continua

Em meio à pandemia, muitas pessoas de povos indígenas, comunidades quilombolas, famílias ciganas, entre outras populações tradicionais, estão vivenciando o desabastecimento de comida em suas casas.

Alguns quilombos e aldeias estão necessitando de doações de alimentos e receberam ajuda do Programa Mesa Brasil Sesc, que está entregando nas comunidades, diretamente às famílias assistidas.

O contingente de povos e comunidades tradicionais no Ceará abrange mais de 23 mil indígenas nas 14 etnias, mais de 4 mil famílias quilombolas, entre outros grupos, de acordo com Zelma Madeira, coordenadora especial de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial (Ceppir) e membro Secretaria Executiva de Proteção Social, ambas pastas vinculadas à Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS).

Ela fez a articulação para que, no final de março, uma aldeia do Povo Tapeba de Caucaia, dos Pitaguary de Maracanaú e os Jenipapo-Kanindé de Aquiraz recebessem doações do banco de alimentos do Programa Mesa Brasil Sesc.

A realidade de desemprego, subemprego, informalidade e as desigualdade sociais e raciais no País são apontadas pela coordenadora como razões para que a subsistência das comunidades tradicionais seja ainda mais difícil durante a pandemia.

“É muito difícil a situação deles, que já têm uma fragilidade nas relações de trabalho e, numa situação de isolamento, eles ficam impossibilitados de garantir seu sustento”, afirma Zelma Madeira. A distância para chegar até essas comunidades e a falha dos programas sociais do Estado são também fatores.

Os bancos de alimentos do Mesa Brasil existem no Ceará há dezenove anos e, em média, distribuem mensalmente 300 toneladas de alimentos. Desde o início da pandemia, o programa intensificou as arrecadações e já doou mais de 111 mil quilos de alimentos, coletando estoques de Indústrias de alimentos, centrais de distribuição, supermercados, armazéns, redes varejistas, associação de produtores rurais e de permissionários da Ceasa.

A proximidade das comunidades tradicionais ao Sesc já acontece há mais de cinco anos. Indígenas, quilombolas, ciganos, povos de terreiro são protagonistas do encontro cultural como o Herança Nativa, que reconhece e valoriza suas tradições.

Atento às dificuldades das populações tradicionais durante a pandemia, o Mesa Brasil Sesc Ceará facilitou o cadastro desses grupos para destinar as doações, explica Regina Miranda, gerente do Programa.

“Essas comunidades tradicionais ficam à margem da sociedade e, muitas veze,s não são atendidas pelos programas sociais do Governo, os indígenas, quilombolas, comunidades de terreiro. Nesse momento de pandemia, tivemos que cadastrar estas comunidades tradicionais para chegar até essas famílias”, explica Regina.

Ainda que a responsabilidade de amparo seja das políticas públicas governamentais, as ações solidárias chegam com mais rapidez. “Essa mobilização da sociedade mostra que nós ainda temos que apostar na solidariedade. É impossível falar em bem viver e em uma sociedade justa sem a solidariedade pela via humanitária. Você não sabe o significado que tem essas doações chegando nessas comunidades, tem uma grande valia”, explica Zelma, coordenadora da Ceppir.

No quilombo Caetanos de Capuan, em Caucaia, as doações de produtos laticínios do Mesa Brasil chegaram para 85 famílias. A comunidade está tendo dificuldade de conseguir alimentação, afirma Isabel Cristina Silva Sousa, vice-coordenadora da Comissão Estadual dos Quilombolas Rurais do Ceará (Cerquice) e liderança do quilombo, que está levando as doações até comunidades mais distantes e cadastrando famílias para receber o auxílio emergencial do Governo.

Enquanto espera a chegada de cestas básicas do Governo Federal e e tentam acessar o recurso emergencial, a comunidade, assim como muitas outras, está contando com ações da sociedade civil.

“Temos muitas famílias na vulnerabilidade. Algumas pessoas da comunidade conseguiram ajuda do Governo, outras não. Temos preocupação de eles irem até as agências e aglomerações, aqui em Capuan, já tivemos sete casos confirmados do Coronavírus”, explica Isabel.

Em parceria com o Instituto Cigano do Brasil (ICB) o Mesa Brasil entregou doações no Centro Sul e Região Norte do Estado para famílias ciganas que moram em Jucás, Acopiara e Sobral.

A coleta de doações para os bancos de alimentos do Mesa Brasil continua. Empresas podem doar alimentos perecíveis e não perecíveis. Basta ligar para o telefone (85) 996629143 ou pelo e-maill: mesabrasil@sesc-ce.com.br

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