Radar do Comércio

Essenciais na pandemia: profissionais recebem homenagem no Dia do Trabalho

Mulher segurança amostra de sangue, remetendo à Covid-19; no Dia do Trabalho, profissionais de serviços essenciais são homenageados

Os depoimento dos profissionais de Saúde para este Dia do Trabalho demonstram o amor e sacrifício pela profissão (Foto: Fernando Zhiminaicela por Pixabay)

Fecomércio destaca trabalhadores de serviços indispensáveis para a população

E de repente o mundo desacelerou! A nossa rotina mudou e com ela nossos costumes, receios, cuidados, tarefas, e até pesadelos. Mas diante desse caos e de tudo o que nos propõe, como novas descobertas, atitudes, solidariedade, gratidão, surgem também os heróis desse novo tempo.

São profissionais que não medem esforços para fazerem a máquina rodar, pessoas se curarem, não faltar alimentos, a verdade ser dita sem fake news… Tudo isso, com muita dedicação, carinho e trabalho.

Nesse Dia Internacional do Trabalho, o Sistema Fecomércio aproveita a oportunidade para honrar, destacar e homenagear esses grandes heróis da pandemia.

Para essa homenagem, elencamos alguns depoimentos de profissionais que nos são essenciais nesse momento tão delicado de isolamento social.

Dra.Tamires Caracas é médica homenageada no Dia do Trabalho

Dra.Tamires Caracas
Médica

“Diariamente, vivenciamos momentos de muita tensão, medo e incertezas. Além de muito cansaço físico, devido ao aumento progressivo da demanda e da gravidade dos pacientes, mas, principalmente, percebemos um crescente cansaço mental!

Para seguir adiante, enfrentando medos e cansaços, procuro pensar primeiramente nos pacientes que precisam de mim. Na escolha em cuidar do outro, que fiz pra minha vida! Pensar que vai passar e que, após a tempestade, vem a calmaria. Peço a Deus, todos os dias, para que, se eu adoecer, os sintomas sejam leves, para que logo eu possa voltar a trabalhar.

Sempre alerto que, ao sair de casa por escolha, e não por necessidade, além de se expor, você expõe os outros. Que tanto podem ser desconhecidos como, também, seus familiares. Oriento, lembrando que se todos pensassem que “não tem problema em sair”, quando seus familiares ou até mesmo o próprio indivíduo adoecer pode não haver médicos, medicação, vagas ou ventiladores.

Dedico esse Dia Internacional do Trabalho ao amor que sinto por minha profissão. Mesmo em momentos de medo, tensão, angústias e estresse, lembro-me, todos os dias, o que me fez escolher a medicina, então acalmo a minha mente e o meu coração e sigo adiante, confiando e rezando, além de agradecer a Deus por estar cumprindo, fielmente, a minha missão!”

Cléce Alves Paiva Garcia é farmacêutica homenageada no Dia do Trabalho

Cléce Alves Paiva Garcia
Farmacêutica Gestora – supervisora dos farmacêuticos da Santa Branca Empreendimentos

“Nós farmacêuticos colaboramos com o restante do Sistema de Saúde. Na verdade, por termos competência e disponibilidade, o farmacêutico muitas vezes é o primeiro acesso ao cuidado com a saúde. Ou seja, o paciente, potencialmente infectado, chega primeiro nas farmácias. Nosso grande desafio se dá pela velocidade com que o coronavírus vem se espalhando e nós, profissionais da saúde, somos alvo fácil, por estarmos em maior exposição.

Procuro fazer a minha parte, informando e acolhendo da melhor maneira possível o cliente; pois temos consciência de que somos essenciais nesse momento tão delicado.

Para vencer o medo da contaminação, procuro usar todos os meios de prevenção e procuro manter o pensamento positivo.

Higienizo bastante as mãos, lavando com água e sabão, álcool gel ou álcool 70%. Uso máscaras descartáveis, luvas e protetor facial. Evito contato pessoal e faço limpeza no ambiente de trabalho, desinfetando toda a área do estabelecimento. Além de tudo isso, lidamos com o stresse e a pressão. Precisamos cuidar bem de nossa saúde mental para não gerar ansiedade e depressão.

O meu conselho é para que fiquem em casa! Só saiam em casos extremamente necessários. Caso precisem sair, usem máscara e álcool gel. O isolamento é muito importante para reduzir a velocidade de contaminação e não sobrecarregarmos os hospitais. Considero o papel do farmacêutico fundamental nesse momento e em tantos outros desafios que possamos ter na área da saúde!”

Ielano Vasconcelos é farmacêutico homenageado no Dia do Trabalho

Ielano Vasconcelos
Farmacêutico

“Ao longo dos meus 16 anos de profissão é a primeira vez que vejo algo assim, aliás o mundo inteiro nunca tinha visto uma pandemia desse tipo, com alta taxa de transmissão e de óbitos, independente do país ou da classe social. A diferença é somente na forma como os países estão agindo para enfrentar essa crise.

Além de estar apreensivo com algo novo, ao mesmo tempo, nós que somos profissionais da linha de frente, sentimos a vontade e a solidariedade de ajudar. Nós juramos, quando nos formamos, de defender a saúde, a vida e de tratar das pessoas. Então esse é um dos momentos mais importantes da minha carreira, onde eu sou chamado, não só pelo que eu acredito, mas pelo profissional que sou. Sou chamado a ajudar, e o farmacêutico está na linha de frente, seja em hospitais, nas farmácias básicas, nas farmácias comunitárias e nos estabelecimentos de saúde. E algumas farmácias agora vão poder fazer o exame para o Covid-19, e nós farmacêuticos vamos supervisionar e participar desse momento, dessa testagem de paciente.

Nesse momento de pandemia, não só os profissionais da saúde, mas toda a sociedade tem que estar unida. A palavra é união e também tranquilidade para que possamos passar por esse período com saúde, inclusive com saúde mental.

Quando a gente se depara com algo novo e tão grande como essa pandemia, dá medo, até porque trabalhamos na linha de frente como farmacêutico, e porque temos família, filhos e saímos e voltamos para casa para trabalhar. Mas a forma como fomos criados, o próprio entendimento de vida e o que a gente escolheu parra a nossa vida, que foi trabalhar para a saúde, para cuidar das pessoas e salvar vidas, entendemos que esse é justamente o momento pelo qual estudamos, nos dedicamos e pelo qual a gente sonhou quando estávamos na universidade e escolhemos ser um profissional da saúde.

Esse é exatamente o momento que chama a todos a repensar porque escolheu ser um profissional da saúde. E o momento que a gente perde o medo ao nos dar conta de que estamos numa profissão em que as pessoas dependem da gente, e se tivermos medo essas pessoas estarão sozinhas sem ninguém para cuidar delas. E quando a gente começa a trabalhar, a ajudar os outros, percebemos que fizemos a escolha correta e o medo vai embora.

O meu conselho é para que essas pessoas pensem um pouco na vida, não só na vida delas, mas também na vida das pessoas que gostam dela e da família dela. O dom maior que Deus nos deu foi a vida, e nós temos que lutar por ela a todo momento. Então não ligar para uma situação dessa é arriscar o bem maior que Deus nos deu, é uma forma de suicídio e isso é irreparável. Não podemos brincar com a nossa vida! O Brasil já ultrapassou o número de óbitos da China, que foi o epicentro dessa doença e vendo o que aconteceu com os outros países percebemos o quanto é ruim esse momento. Sair do isolamento é cometer suicídios e levar para a sua família um perigo desnecessário.

O Dia Internacional do Trabalho é dia de luta, repensar nossa essência como profissional da saúde e como trabalhador. Esse Dia nos leva a pensar como o mundo evoluiu com relação aos direitos dos trabalhadores e como ainda temos que evoluir para garantir esses direitos. No Dia Internacional do Trabalho e vivendo uma pandemia, temos que discutir as formas de trabalho, para que o trabalhador possa ter um tempo para o lazer, para a família, pois estamos vendo nesse período o quanto é importante a saúde mental e o bem-estar das pessoas.”

Recomendado para você