Sincronicidade

Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

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Jesus não veio destruir a lei, o que quer dizer: a lei de Deus. Ele veio cumpri-la, ou seja, desenvolvê-la, dar-lhe o seu verdadeiro sentido e apropriá-la ao grau de adiantamento dos homens. Eis por que encontramos nessa lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que constitui a base de sua doutrina. Quanto às leis de Moisés propriamente ditas, ele, pelo contrário, as modificou profundamente, no fundo e na forma. Combateu constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, e não podia fazê-las passar por uma reforma mais radical do que reduzindo-as a estas palavras: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, e ao acrescentar: “Esta é toda a lei e os profetas”.

Por estas palavras: “O céu e a terra não passarão, enquanto não se cumprir até o último jota”, Jesus quis dizer que era necessário que a lei de Deus fosse cumprida, ou seja, que fosse praticada sobre toda a Terra, em toda a sua pureza, com todos os seus desenvolvimentos e todas suas consequências. Pois de que serviria estabelecer essa lei, se ela tivesse de ficar como privilégio de alguns homens ou mesmo de um só povo? Todos os homens, sendo filhos de Deus, são, sem distinções, objetos da mesma solicitude.

Mas o papel de Jesus não foi simplesmente o de um legislador moralista, sem outra autoridade que a sua palavra. Ele veio cumprir as profecias que haviam anunciado o seu advento. Sua autoridade decorria da natureza excepcional do seu Espírito e da natureza divina da sua missão. Ele veio ensinar aos homens que a verdadeira vida não está na Terra, mas no Reino dos Céus; ensinar-lhes o caminho que os conduz até lá, os meios de se reconciliarem com Deus, e os advertir sobre a marcha das coisas futuras, para o cumprimento dos destinos humanos. Não obstante, ele não disse tudo, e sobre muitos pontos limitou-se a lançar o germe de verdade que ele mesmo declarou não poderem ser então compreendidos. Falou de tudo, mas em ternos mais ou menos claros, de maneira que, para entender o sentido oculto de certas palavras, era preciso que novas ideias e novos conhecimentos viessem dar-nos a chave. Essas ideias não podiam surgir antes de um certo grau de amadurecimento do espírito humano. A ciência devia contribuir poderosamente  para o aparecimento e o desenvolvimento dessas ideias. Era preciso, pois, dar tempo à ciência para progredir.

Allan Kardec

[Kardec, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo. São Paulo: Editora Três, 1973, p. 63. (Biblioteca Planeta; 3)]

1 comentário

  • Paulo Roberto Girão Lessa disse:

    Nada acontece por acaso…
    Existe o Deus que criou os homens e
    O Deus que os homens criaram…

    Allan Kardec foi o codificador que compilou princípios que mesmo antes de
    Jesus vir no natal já eram Verdade.
    Todos somos buscadores desta verdade que vem gradativamente … a medida que o ser humano evolui.
    Hoje, iniciados e profanos tem acesso a princípios eternos.
    Não deixemos a intolerância e o preconceito ser obstáculo de nosso crescimento espiritual.
    Saudações
    Do aluno Paulo Roberto.

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