Sincronicidade

Um encontro com o Deus do Encontro

Convido-o a fazermos juntos uma caminhada espiritual. No início dela, é importante tomar consciência de que Deus preparou este momento especial para você. A iniciativa do encontro é sempre Dele: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém abrir, entrarei, cearei com ele e ele comigo” (Ap 3,20). Entre no seu “santuário interior” e escolha uma posição que o ajude a rezar. Pacifique o coração com silêncio exterior e interior. É no silêncio que Deus nos dá as melhores respostas e povoa nossa solidão com Sua presença. Coloque-se na presença de Deus Pai e Mãe e se deixe envolver por Seus amor, Sua misericórdia e ternura, que animam sua experiência de oração e vida. Você não está só!

Padre Eugênio Pacelli; Marília Fiuza

[Padre Eugênio Pacelli; Marília Fiuza. Encontros com a Misericórdia. – São Paulo: Edições Loyola, 2019, p. 53].

O meu contato com este livro nasceu de um encontro. Convidado por um casal de amigos, Denise e Danúbio, para conversar um pouco sobre Maria com o seu grupo de ECC (Encontro de Casais com Cristo), ao encerrar aquele encontro eles me presentearam com um livro que traz no próximo título, curiosamente, a palavra encontro: “Encontros com a Misericórdia”. Embora correndo o risco de incorrer em redundância, devo dizer, portanto, que daquele encontro com um grupo de casais que encontram em Cristo a motivação maior para se encontrarem periodicamente, resultou, também, o meu encontro com o livro aqui comentado.

Motivado por este fato, destaco, inicialmente, um belo e inspirado trecho em que os autores, Padre Eugênio Pacelli e Marília Fiuza, afirmam: “Nossa vida é feita de encontros. O Deus de Jesus é o Deus do Encontro, que nos busca nos caminhos da existência. Os Evangelhos nos transmitem lembranças desses encontros. Um detalhe importante aos nossos olhos: as mulheres e os homens com quem Cristo se encontra quase sempre estão em posições de dificuldade e sofrimento: doenças, luto, situações dolorosas. Ou em situações em que a alma está enferma pelo pecado e necessita do abraço acolhedor. O cristianismo é encontro e abraço acolhedor de Deus em nós. (…)” p. 63.

O livro resultou das reflexões vivenciadas ao longo dos últimos quinze anos nas celebrações da Noite da Misericórdia. Idealizada pelo Padre Eugênio Pacelli, essa celebração acontece todas as segundas-feiras, às 19h15 no Ginásio coberto do Colégio Santo Inácio, em Fortaleza, sendo transmitida pela Rádio Cidade 89,9 (https://www.santoinacio.com.br/noite-da-misericordia/).

Ao longo de vinte capítulos, os autores falam desse grande mistério que é o encontro com a misericórdia divina. Os capítulos constam, basicamente, de quatro partes: Preparação, Passagem Bíblica, Reflexão e, como conclusão, uma Frase de destaque. De leitura agradável e fluente, o livro, como os próprios autores sugerem na Introdução, não deve ser lido, necessariamente, na sequência em que os capítulos foram escritos, podendo o leitor escolher aleatoriamente ou de acordo com suas preferências ou necessidades aquele que deseja ler. Além das maravilhosas e inspiradoras reflexões disseminadas ao longo de suas páginas, os autores foram muito felizes ao estabelecer, logo no início, a diferença entre compaixão e misericórdia, o que muito auxilia o leitor nas reflexões disseminadas ao longo dos capítulos.

Os autores são um padre e uma leiga. O Padre Eugênio Pacelli Correia Aguiar é religioso jesuíta, graduado em Filosofia e Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) e mestre em Teologia pela Universidade Católica de Pernambuco e atua na coordenação pastoral do Colégio Santo Inácio, em Fortaleza.

Marília Fiuza iniciou sua formação espiritual na Comunidade Novo Caminho e é fundadora do Familiaris Consortio, movimento católico que tem como objetivo a evangelização para formação de famílias cristãs. Trabalha como Executive Coach, contribuindo por meio de processos individuais e de time para capacitação profissional.  

A temática do encontro, mencionada no início, perpassa a publicação da primeira à última página. A propósito, dentre os diversos aspectos elencados, vale mencionar o seu valor terapêutico, enfatizado no capítulo intitulado Simeão, inspirado no episódio bíblico da Purificação da Virgem Maria:

“Jesus é o Deus do Encontro, é o Emanuel (Deus conosco). O Evangelho revela um mundo povoado por encontros. Cristo se encontra e se deixa encontrar nas carências humanas, nas necessidades, nos desejos, nas insatisfações e nas marginalizações. Quem se encontra com o Filho de Deus, ou é encontrado por Ele, vive a experiência da descoberta de si mesmo, pois o salvador despe a nossa alma e nos permite acessar todo o potencial que há dentro de nós. Ele entra em nossa vida pela porta da fragilidade e da sensibilidade; quer ouvir as preocupações, angústias, decepções e esperanças. Os encontros de Jesus de ontem e de hoje são terapêuticos: sempre curam a alma, o corpo e o coração. Ninguém sai de um encontro com Ele sem sentir a força do Seu amor e da Sua Palavra” (p. 17).

Posso dizer que li Encontro com a Misericórdia de uma assentada. Depois de dar uma folheada, li a introdução, seguida do primeiro capítulo, que, por sua vez, me motivou a ler o próximo e, assim, sucessivamente. Quando dei por mim tinha chegado à última página. Aliás, quanto ao final da publicação, vale mencionar que, concluída a leitura dos capítulos, o leitor é brindado com um elucidativo relato que cada um dos autores faz, separadamente, do seu encontro pessoal com Cristo. Esses relatos dão um toque especial ao livro, pois fazem o leitor se sentir mais próximo dos autores em sua própria busca de um encontro com Cristo.

Para concluir, transcrevo um último trecho que, especialmente para mim, foi muito significativo: “Nós acreditamos que a dedicação a este livro terá valido a pena por um único coração que aqui tenha se encontrado” (p. 109). De minha parte, não sei se posso afirmar que me encontrei, mas, no mínimo, a leitura de Encontro com a Misericórdia teve o condão de me pôr a caminho do almejado encontro com Cristo, e isso já é mais que suficiente para que eu me sinta imensamente grato ao Padre Eugênio e à Marília por o terem escrito, e à Denise e ao Danúbio por mo terem presenteado.  

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