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01. Digressões de um bibliófilo

94 Articles
Vasco Arruda

Pedes que eu escreva
o que não sinto.
Mas não posso, amigo.
Não minto.
Pela caneta transborda
o meu ser,
se esvai minha alma
e eu voo pela imaginação
nos campos do desejo.
Não posso amigo,
não vês,
que o que me inspira
a vida está aqui…
Entre uma letra e outra
é que eu vivo a vida.
Irene Madeiro
[Madeiro, Irene. Depois do sol: poesia. – Fortaleza, Premius, 2012. Poesia: A vida me inspira, p. 257.]

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Vasco Arruda

Assim temos, então, na sabedoria dos antigos, as três condições para uma vida humanamente autêntica: aceitar a morte e vencer os medos, ser capaz de habitar o presente e se tornar, com isso, um fragmento de eternidade. Temos aí uma bela definição da vida boa, que não passa por Deus nem pela fé, e também não apaga a finitude humana. É o que chamo espiritualidade leiga.
Luc Ferry
[Ferry, Luc. O anticonformista: uma autobiografia intelectual. Luc Ferry; entrevistas com Alexandra Laignel-Lavastine; tradução Jorge Bastos. – Rio de Janeiro: DIFEL, 2012, p. 322.]

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Vasco Arruda

Desde que comecei a entrevistar escritores, há pelo menos duas décadas, sempre me impressionei com seu desamparo, com o abandono do homem massacrado pelas leituras que se aderem à obra, e me interessei mais por essas zonas sombrias em que eles travam suas batalhas, pelas pequenas torturas impostas pelo mercado e pela crítica, pelas exigências da vaidade, pela loucura enfim que toma conta de um homem quando ele se posta diante do papel em branco, do que pelas imagens sofisticadas e cheias de glamour que a mídia constrói a seu respeito. A julgar por essa imagem pública, escritores são indivíduos de ânimo firme, sempre cheios de coisas a dizer, que vivem uma rotina espetacular, habitando um mundo restrito, dedicado ao transe, às homenagens e à aventura. Mas escrever inclui farta dose de entrega, de abandono, de devassamento, e impõe um combate contínuo contra o orgulho, o desespero e a solidão, destino que faz dos escritores, quase sempre, seres suscetíveis e irrequietos, que carregam sonhos além de suas forças.
José Castello
[Castello, José. Inventário das sombras. – 3ª. ed. – Rio de Janeiro: Record, 2006, p. 7.]

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Vasco Arruda

Eu quis fazer de minha vida um laboratório.
Inventei (?) muitas fórmulas.
Experimentei todas.
Algumas foram bem-sucedidas.
De outras, ressurgi como Fênix.

Uma certeza firmei:
o que vale não é o que está explícito.
Para se ver claramente,
é preciso tirar todos os óculos
e andar nas entrelinhas.
Goretti Moreira
[Moreira, Goretti. Entrelinhas. – Fortaleza: Premius, 2012, p. 101.]

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Vasco Arruda

No entanto, perceber a rede de coincidências na nossa vida é apenas o primeiro estágio que nos permite entender e viver o sincronismo. O próximo estágio envolve desenvolver a percepção consciente das coincidências enquanto elas estão acontecendo. É fácil percebê-las em retrospecto, mas, se você conseguir detectar as coincidências no momento em que elas ocorrerem, estará em uma posição melhor para aproveitar as oportunidades que elas possam estar apresentando. Além disso, a percepção consciente de traduz em energia. Quanto mais atenção você der às coincidências, mais provável é que elas apareçam, o que significa que você começa a ter cada vez mais acesso às mensagens que lhe estão sendo enviadas a respeito do caminho e da direção de sua vida.
Deepak Chopra
[Chopra, Deepak. O essencial: princípios fundamentais do best-seller: a realização espontânea do desejo: a essência de como utilizar o poder infinito da coincidência. Tradução de Cláudia Gerpe Duarte. – Rio de Janeiro: Rocco, 2012, p. 15.]

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Vasco Arruda

Se não puderes perseverar por amor, obriga-te com santo zelo e passa pela porta estreita da contemplação, porque Deus dá a graça do saber àquele que se atreve a perseverar. Considera que Deus te fez unicamente para a oração. Ele não exige outra coisa de ti, a não ser que O adores em espírito e verdade. Assim, tua habilidade nesta arte será treinada, na qual um dia serás mestre.
Francisco de Osuna
[Osuna, Francisco de. Terceiro Abecedário da vida espiritual. 3ª. edição (revista e ampliada). Tradução de Adolfo Temme. Petrópolis, RJ: Família Franciscana do Brasil (FFB), 2007, p. 8.]

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Vasco Arruda

Há uma imagem para a literatura: a do sujeito solitário que, acomodado em sua poltrona, a atenção voltada para o livro aberto, lê em recolhimento e em silêncio. Imagem serena e íntima, que contraria a turbulência e o desnudamento que vigoram no mundo de hoje. Lugar da contemplação, do resguardo e da volta a si, cujo valor aumenta na medida em que a profundidade do mundo – esse mundo de superfícies velozes, de janelas que se abrem e fecham e de imagens loucas – cada vez mais diminui.
José Castello
[Castello, José. A literatura na poltrona. – Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 64]

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Vasco Arruda

Acho realmente que a arte nos escolhe, conforme a nossa personalidade. Escolhi a literatura para expressar-me e ela, por sua vez, também me escolheu; das artes, a que menos precisa de plateia, porque encontra seu objetivo quando um leitor a lê. O próprio escritor se insere na narrativa como mais um personagem e é impressionante a capacidade de deslocamento que ele tem para versar sobre outras realidades; muitas vezes, transportando-se para situações, épocas ou lugares que não conheceu de fato e descrevê-los com propriedade. Eu mesma, num de meus livros, vivi a maternidade com uma intensidade tal que me pareceu real, uma experiência que a Providência me negou, mas que a literatura me possibilitou. É a força da palavra literária e a forma como o escritor a usa, que torna esta mágica possível, permitindo que a literatura sobreponha-se à experiência de vida.
Íris Cavalcante, pela boca de Drina, personagem de O Sobrevivente
[Cavalcante, Íris. O Sobrevivente. – Fortaleza: Expressão Gráfica, 2010, p. 43.]

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Vasco Arruda

E agora, meu caro bibliófilo aprendiz, de que mais podemos conversar? Já proseamos bastante (talvez demais, na sua opinião) e falta ainda muita coisa que eu gostaria de lhe dizer. Mas, prosa sobre livros não tem fim. Você já deve estar cansado. Quer fechar este livro e ir cuidar da vida. Se cuidar da vida é, para você, ganhar mais dinheiro, digo-lhe que não vale a pena. Ganhar muito dinheiro dá enfarte. Sempre haverá o bastante para comprar-se um livrinho ambicionado. O resto é vão e não vale o sonho imenso de quem gosta de livros raros. Não vive verdadeiramente quem não gosta de dar uma prosa com um amigo ou ler um livro com vagar. Desejo-lhe que tenha sempre tempo para prosear sobre livros. Quando nos encontrarmos de novo, espero que seja você quem me conte coisas sobre livros e me diga os exemplares raros que já possui.
Rubens Borba de Moraes
[Moraes, Rubens Borba de. O bibliófilo aprendiz. – 4ª. ed. – Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros: Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2005, p. 205.]

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Vasco Arruda

Acho que não consigo preservar minha saúde e meu ânimo se não passar quatro horas por dia, pelo menos – e geralmente é mais do que isso -, vagando através das matas, dos morros e dos campos, absolutamente livre de todos os compromissos terrenos. Você pode propor um centavo para ler meus pensamentos, ou até mil libras. Quando às vezes lembro que os artesãos e os negociantes ficam em suas lojas não só toda a manhã, mas toda a tarde também, sentados de pernas cruzadas, tantos deles – como se as pernas fossem feitas para se sentar sobre elas e não para ficar de pé ou caminhar sobre elas -, acho que merecem algum crédito por não terem cometido o suicídio há muito tempo.
Henry David Thoreau
[Thoreau, Henry David. Caminhando. Tradução de Roberto Muggiati. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2006, p. 71. (Sabor literário)]