O caminho da história tende à divinização do homem; esta, preparada pela Encarnação de Deus, decretada desde o início como fundamento de todas as coisas e historicamente completada na plenitude dos tempos, terá como termo a restauração da semelhança divina no homem, a deificação do homem. Esta, atualizada com a caridade; de fato, por meio da caridade a vontade do homem se assimila à de Deus e faz uma só coisa com ela…
Ora, esta assimilação da vontade humana à vontade divina é antes de tudo realizada em Cristo. Nele as duas vontades existem distintamente; mas a vontade humana, fisicamente distinta da vontade divina, é inteiramente subordinada a esta até o ponto de fazer moralmente uma só coisa com ela…
São Máximo, o Confessor
[Citado em: Sgarbossa, Mario. Os santos e os beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente: com uma antologia de escritos espirituais. Tradução Armando Braio Ara. – São Paulo: Paulinas, 2003, p. 360.]
A criação da palavra “mariologia” coube ao siciliano Plácido Nigido, que usando o nome do seu irmão Nicolau publicou em Palermo, no ano de 1602, a Sumae sacrae marialogiae pars prima. Também Nigido tem consciência de que é inovador (“primus sine duce”), que se distingue dos outros teólogos, já que propõe “um tratado distinto e separado sobre a bem-aventurada Virgem Maria”.
Stefano De Fiores
[Fiores, Stefano de. Mariologia-Marialogia, p. 850. In: Dicionário de Mariologia. Dirigido por Stefano De Fiores e Salvatore Meo; [Tradutores Álvaro A. Cunha, Honório Dalbosco, Isabel F. L. Ferreira. – São Paulo: Paulus, 1995. – (Dicionários)
Os que buscam a felicidade nas rutilâncias magnéticas do ouro, na volubilidade espetaculosa da glória, no deslumbramento indizível do poder, nas iníquas mundanidades corruptoras, se frustram e se decepcionam. O homem sábio demanda o prazer que não desfalece, que transfigura, que imaterializa, que deifica o homem – o prazer intelectual, o prazer de descobrir verdades novas no domínio da ciência, das letras e das artes, o prazer de dar à sua razão privilegiada a maior soma possível de luz criadora. Como não somos uma corporação de sábios, devemos procurar ser uma bela agremiação de estudiosos a ver nas manifestações da inteligência, nas criações literárias, nas formulações poéticas, a mais sublime conquista do espírito humano.
Seridião Correia Montenegro
[Discurso de posse como Presidente da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza]
E ao permanecerem ele, Frei Masseu, Frei Elias e alguns outros num lugar deserto, e estando num certo dia São Francisco no bosque para rezar, seus companheiros, que o tinham em grande reverência, temiam impedir de algum modo a oração dele, por causa das maravilhas que Deus lhe fazia nas orações.
Atos do Bem-aventurado Francisco e de seus companheiros
[Atos do Bem-aventurado Francisco e de seus companheiros, p. 1124. Em: Fontes Franciscanas e Clarianas. Apresentação Sergio M. Dal Moro; tradução Celso Márcio Teixeira… [et. al.]. 2ª. ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.]
De fato há coisas estranhas na vida que não se explicam facilmente. É por isso que insisto em crer. Parece que a fé tem um poder de mobilização muito grande. William James o disse muito bem quando afirmou durante uma conferência dirigida aos grêmios filosóficos da Universidade de Yale e Brown University, que seria posteriormente publicada: “Sua fé atua sobre os poderes acima dele como uma afirmação e cria sua própria realização” (James, Willliam. A vontade de crer. Tradução de Cecília Camargo Bartalotti. – São Paulo: Loyola, 2011, p. 40). Pouco adiante, completa o psicólogo americano no mesmo texto: “…a fé num fato pode ajudar a criar o fato…” (p. 41).
Para o cristão, Jesus Cristo é o pleno comunicador do Pai. Sua comunicação do Pai assumia ares de autoridade, pois falava a partir de uma profunda experiência de conhecimento de Deus. O próprio Jesus diz isso a Felipe: “quem me vê, vê o Pai”. Em Jesus Cristo, o próprio Deus vem ao encontro do ser humano, revelando-se a ele numa ação carregada de carinho e compreensão. Ao mesmo tempo, ao revelar-se em Jesus, Deus também revelava ao homem a identidade mais profunda do ser humano, feito à imagem e semelhança Dele.
Entretanto, ao assumir um corpo para comunicar-se com os homens na sua própria história, Jesus Cristo aceitava as ambiguidades que compõem a condição humana. Podemos dizer que em Jesus se sintetizam os elementos fundamentais da comunicação humana: emissor, mensagem e receptor. Enquanto emissor, ele transmite aquilo que ouviu do Pai, anunciando a chegada do Reino de Deus. Ao mesmo tempo, ele é a mensagem de vida e salvação para o mundo. É ele o Caminho, a Verdade e a Vida. Ao mesmo tempo, ele só fala do que conhece e do que viu e recebeu do Pai. Como só faz a vontade do Pai, ele é o exemplo da pessoa aberta à mensagem transmitida. Como sabe adaptar a mensagem às circunstâncias das pessoas com quem fala, também relativiza as normas de acordo com as necessidades. Desse modo, a circularidade comunicacional, desejada para a superação da verticalidade do processo, realiza-se plenamente em Jesus Cristo. Modelo de comunicador, ele comunga profundamente com aqueles com os quais interage.
Pedro Gilberto Gomes
[Gomes, Pedro Gilberto. O Jesus da Comunicação e a Comunicação de Jesus. In: Aquino, Marcelo Fernandes de (organização de). Jesus de Nazaré, profeta da liberdade e da esperança. – São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 1999, p. 322.]
Ao escutar pela primeira vez um refrão meditativo que dizia: “Maria, coloca-me com o teu Jesus”, comecei a meditar sobre o papel de Nossa Senhora na vida de Jesus e em nossa oração. O seu papel na obra da redenção nos é claro. Ela acolheu no seu ventre o Verbo de Deus, o Cristo Jesus. Dele cuidou e amou-o. Esteve junto a ele nas diversas etapas da vida: do presépio à ascensão, sofrendo, sobretudo, com a sua morte dramática na cruz e com a solidão do Sábado Santo. Nem o maior e melhor dos discípulos, em todos os tempos, jamais conseguiu viver de forma tão intensa e singular o que Maria viveu e experimentou de Belém a Jerusalém, caminhando ao lado de Jesus. Maria, como ninguém na história da Salvação, consentiu em deixar Deus entrar, morar e agir em sua vida.
José Carlos Ferreira da Silva
[Silva, José Carlos Ferreira da. – 1ª. ed. – São Paulo: Paulinas, 2009,p. 7. – (Coleçao vida cristã)]
A Fundação Waldemar Alcântara (FWA), através da Coleção Obras Raras, torna disponível para pesquisadores, professores, estudantes e aos interessados na história de nossa região títulos incomuns, e amplia o acervo com o qual contempla o resgate de registros marcantes do processo de formação de nossa cultura. A Coleção é composta dos livros “O Ceará”, de autoria de Raimundo Girão e Martins Filho, “Boletim de Antropologia”, organizado pelo Dr. Thomaz Pompeu Sobrinho, e o “Diário de Viagem”, de Francisco Freire Alemão, transcrito dos originais do autor, cujo título leva seu nome.
“Crestomatia”, o moderno livrinho que sai hoje a lume, exige, antes de tudo, que lhe façamos a apresentação ao colendo professorado, à mocidade estudiosa de nossa terra. Qual a sua razão de ser? “Preencher uma lacuna” eis o lema de todas as obras congêneres, ao surgirem a público. Sem embargo, labora em erro bem grave, quem acreditasse preenchidos os claros de nossa biblioteca didática. Dia a dia, novas lacunas se abrem, que tresdobram proporcionalmente às exigências sempre crescentes da pedagogia escolar, às alterações dos programas, às inovações e melhoramentos da moderna metodologia.
Radagasio Taborda
[Taborda, Radagasio. Crestomatia: excertos escolhidos em prosa e verso dos melhores escritores brasileiros e portugueses. 29ª. ed. Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo: Globo, 1958, p. XXVII.]
O Alcorão é a palavra de Allah, revelada a Mohammad, desde a Surata da Abertura até a Surata dos Humanos, constituindo o derradeiro dos livros revelados à humanidade. Ele encerra, em sua totalidade, diversificadas nuanças, tais como: a felicidade, a reforma entre os homens, a concórdia, no presente e no futuro; ele foi revelado, versículo por versículo, surata por surata, de acordo com as situações e os acontecimentos, no decorrer dos vinte e três últimos anos da vida do Profeta Mohammad. Uma parte foi revelada antes da Hégira, em Makka, e outra depois, em Madina. Os versículos e as suratas revelados em Makka abrangem as normas da crença em Allah, em Seus anjos, em Seus livros, em Seus mensageiros e no Dia do Juízo Final. Os versículos e as suratas revelados em Madina dizem respeito aos rituais e à jurisprudência.
Samir El Hayek
[O significado dos versículos do Alcorão Sagrado com comentários. Versão portuguesa diretamente do árabe. Tradução Samir El Hayek. 14ª ed. – São Paulo: MarsaM Editora Jornalística,2009, p. xxiii.]
