Artesanato da Mente

Nós nos projetamos nas outras pessoas

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Existe uma lei universal que muitas pessoas não conseguem aceitar, porque exatamente mexe profundamente com o que elas não querem mexer, que são as sombras. Todos nós temos as nossas sombras, que decorrem dos registros do inconsciente. Essa lei é a chamada “lei da projeção”. Nós projetamos nas outras pessoas aquilo que temos de positivo em nós, mas também aquilo que temos de negativo.

Como se trata de registros do inconsciente, muitas vezes nem nos damos conta de porque agimos ou reagimos de determinada maneira.

Para refletirmos sobre isso, compartilho algumas palavras muito profundas da escritora e palestrante Debbie Ford. Leia com bastante atenção…

“Há alguns meses, minha amiga Nancy, que estava passando por uma depressão havia alguns anos, veio me visitar. Convidei-a para ouvir um dos mais famosos conferencistas do mundo na área de terapia motivacional. Durante a preleção, ficamos as duas em silêncio; eu, ocupada em tomar notas. Quando entramos no carro para voltar para casa, Nancy virou-se para mim e disse: “Este sujeito é um perdedor”. Chocada, perguntei-lhe por que achava isso. Ela me disse que ele era cheio de si e que ele não tinha a menor ideia do que estava falando; que ele falava muito rápido e parecia um idiota. Durante o resto do percurso, Nancy se dedicou a indicar tudo aquilo de que não gostara na mensagem e nas maneiras daquele homem. Quando chegamos em casa, pedi a ela que se sentasse perto de mim. Perguntei-lhe se realmente achava que aquele homem era um perdedor. Ela olhou para mim, com a certeza brilhando nos olhos, e me respondeu que sim. Destacando uma folha de papel, perguntei-lhes e ela gostaria de trabalhar um pouco com esse assunto. Ela pensou por um momento e decidiu aceitar.

De um lado do papel escrevi todas as coisas que eu sabia daquele homem. Ele tem um bem sucedido negócio como consultor de quinhentas empresas. Também vende uma infinidade de fitas relativas à terapia motivacional e recebe cerca de 5.000 dólares por palestra. Casado há mais de vinte anos, tem três filhos saudáveis. Do outro lado da página, escrevi o que sabia sobre a vida de Nancy. Divorciada, não tinha filhos. Mantinha pouco contato com o resto da família. Estava desempregada e inúmeras vezes não fora bem sucedida ao tentar seu próprio negócio. Pesava mais do que devia e padecia de diversas enfermidades. As dívidas dela somavam mais de 50.000 dólares, e naquele momento levava uma vida precária. Nancy olhou para a minha lista. Então eu lhe disse: “Se eu mostrasse essas listas a dez pessoas, quem você acha que eles considerariam um perdedor?”

Debbie Ford

Essas palavras servem como um alerta para nós. Será que aquilo que você critica em alguém, ou alguma virtude que você não consegue enxergar em alguém não são aspectos seus que estão obscurecidos pela sua sombra? Vale a pena pensar sobre isso com carinho.

Vou citar um exemplo meu para lhe encorajar a enxergar suas próprias sombras. Eu precisei de muita coragem para citar esse exemplo meu, não é nada fácil contá-lo, mas busco escrever com profunda sinceridade e transparência, para que você reflita a partir da minha própria experiência.

Existe um palestrante e escritor brasileiro incrível e muito famoso, o Roberto Shinyashiki. Esse senhor já vendeu best-sellers pelo mundo inteiro e seus livros já foram traduzidos para várias línguas. Além disso, ele já deu palestras para plateias de milhares e milhares de pessoas. Ele, através de seus cursos, já ajudou na formação de grandes palestrantes como o Anderson Cavalcante, o Gustavo Cerbasi e outros.

Em resumo. Esse senhor é talentosíssimo e ajuda muita gente a alcançar o sucesso e a realização profissional.

Mas porque estou falando dele? Porque já me projetei nele de uma forma negativa, porém, depois que constatei isso, procurei me corrigir. Vou explicar. Um dos meus sonhos é me tornar um palestrante também. Estou alimentando constantemente esse sonho e ao conhecer o Roberto Shinyashiki projetei esse sonho nele, porém com um sentimento de inveja, percebe? Foi isso que aconteceu! Senti inveja do seu grande sucesso e o diminui, disse para mim mesmo que ele “se achava”, que queria ser “o tal”, esse tipo de asneira.

Mas o que eu fiz? Pesquisei sua trajetória. Nossa! Ele teve que batalhar muito, mas muito mesmo para chegar aonde chegou hoje. Ele certamente leu centenas e centenas de livros para adquirir todo o seu conhecimento. Fez diversos cursos e se relacionou com milhares de pessoas para adquirir toda a sua bagagem e experiência de vida.

Hoje, em vez de invejá-lo, me espelho nele para que possa me tornar um palestrante tão bom e tão cativante como ele.

Percebe aqui o fenômeno incrível da projeção? Ela pode ser muito positiva! Quando identificamos o que projetamos nos outros, isso é, na realidade, um exercício de AUTOCONHECIMENTO. Quanto mais eu me conheço, mais posso crescer na vida e mais posso ajudar os outros.

Pense sobre isso…

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