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Da delicadeza da reconstrução

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O Grupo de Comunicação O POVO empresta apoio total à campanha Outubro Rosa, que tem como objetivo alertar para a necessidade das mulheres estarem atentas na prevenção do câncer de mama . A pedido do jornal, escrevi o texto abaixo, publicado no caderno de esportes desta quinta-feira.

Autoestima – Da delicadeza da reconstrução 

É um trabalho muito bonito e gratificante, que me emociona demais porque posso participar de histórias marcantes de esperança, renovação e cura”. Foi no ano passado que ouvi essa frase durante um almoço de família. Ana Lucia Viana, tia da minha mulher, se referia à micropigmentação paramédica, técnica que eu desconhecia completamente, usada na reconstrução da auréola mamária após cirurgia para retirada de tumor no seio em função do câncer.

Como jornalista, participei de diversas entrevistas e programas sobre projetos, campanhas, compilação de dados e prevenção da doença – no Ceará, a título exemplificativo, o Instituto Nacional do Câncer prevê 1900 casos em 2015, com prognóstico aproximado de 500 mortes – mas nada me fez compreender tanto a importância de um efetivo acompanhamento psicológico das pacientes do que descobrir todo o complexo contexto do pós operatório, incluindo a colocação da prótese e a consequente necessidade da reconstrução estética da mama. Neste sentido, o surgimento da micropigmentação paramédica ganha importância porque é feita na primeira camada da pele, de forma indolor e muito mais eficaz do ponto de vista estético do que a tatuagem que, para esses casos, é mais agressiva e profunda.

Foram nas conversas informais que percebi o quanto é fundamental, no contexto de recuperação, o resgate da autoestima da mulher. Depois de toda a energia investida na busca da cura, que é um processo doloroso, traumático e de mudanças radicais no dia a dia, a fundamental retomada da normalidade é o caminho a seguir, incluindo também a vida sexual, que guarda relação direta com a sensualidade e a libido. Ana Lucia me contou na prática o que a teoria nos faz imaginar: muitas mulheres chegam fragilizadas, tristes, algumas com relacionamentos desfeitos, receios e inseguranças, mas depois da aplicação da técnica voltam a sentir-se inteiras para começar uma nova vida.

O papel do homem, como companheiro, ganha extrema relevância, mesmo considerando que somos limitados para compreender efetivamente tudo que a mulher vivencia durante a delicada recuperação do câncer. É natural que, durante o processo, a vida sexual do casal sofra interrupções por alguns períodos, mas não há outra forma além do amor, do carinho e da genuína cumplicidade para que esse renascimento conjunto ocorra.

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