Futebol do Povo

Ceará trocou de técnico 26 vezes desde 2008

258 9

O futebol brasileiro vive uma espécie de delírio perene na relação técnicos e clubes. Contratar profissionais nunca foi problema, há muitos no mercado, e mandá-los embora, que deveria ser uma atitude mais pensada e serena, também não é problema. Os dirigentes confiam na hora de fechar com determinado nome, mas em pouco tempo desfazem completamente o planejamento.

O caso do Ceará é emblemático, mas longe de ser único. Lisca, que assumiu na semana passada, é o quinto técnico do alvinegro em 2015, sem contar o eventual interino, Anderson Silva. Há muita pressa e pouca pesquisa na hora da contratação de um treinador. Não se pensa nas características do profissional, no aspecto tático, na composição ideal com o elenco e no comando de grupo. É mais na sorte do que em qualquer outra coisa que os dirigentes decidem.

A atual gestão do Ceará, que está no clube desde 2008, ganhou destaque pelo fim das dividas trabalhistas, contratos longos com atletas, investimento em patrimônio e campanhas importantes, mas escorregou na chance de um trabalho a longo prazo com treinadores. São 26 trocas, como mostrou matéria do Jornal O POVO, escrita pelo jornalista João Marcelo Sena. É um exagero completo e que tem reflexos imediatos no elenco.

Destas 26 trocas, com algumas idas e vinda, foram 19 técnicos que passaram pelo Ceará. A média é que um técnico fica no Ceará pouco mais de três meses. Duas temporadas foram exceção à regra. Assim que assumiu a presidência, Evandro Leitão conseguiu manter Lula Pereira por algum tempo e, sob sua gestão, o ano de 2008 teve apenas dois treinadores.

Em 2014, novamente dois técnicos no ano. Graças a longa passagem de Sérgio Soares no Ceará (de agosto de 2013 a outubro de 2014), o Vovô também teve dois treinadores, com PC Gusmão assumindo o clube no final do ano.