Plínio Bortolotti

Fortaleza, Praia do Titanzinho: “O estaleiro e a faca no peito”

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Praia do Titanzinho, à esquerda, na faixa de areia; local onde seriam aterrados 100 hectares para a construção de um estaleiro para a produção de navavios gaseiros para a Petrobras. Foto de Gentil Barreira

Meu artigo publicado no O POVO, nesta quinta-feira [24/6/2010]

O estaleiro e a faca no peito
Plínio Bortolotti

Fortaleza não “perdeu” ao ficar sem o estaleiro que se queria instalar na Praia do Titanzinho, em plena área urbana; seus habitantes ganharam a oportunidade de conversar sobre o tipo de cidade querem construir.

Confrontaram-se duas visões sobre o arranjo mais adequado para uma cidade vocacionada para serviços e turismo. Porém, não é o caso de se apontar “derrotados” ou “vitoriosos”, pois o debate tem de transcender possíveis interesses de ocasião.

Mas o desfecho do caso deixa lições para os dois principais governantes do Ceará.

À prefeita Luizianne Lins, que não basta o voluntarismo: “A cidade tem prefeita”, para resolver problemas políticos ou administrativos. Ela terá agora de dar conseqüências às suas palavras, tornando realidade o plano para urbanizar o bairro Serviluz, onde fica a Praia do Titanzinho. Isso incluir ali instalar estrutura de lazer e entretenimento, mantendo os moradores no local; criar-lhes oportunidade de trabalho e renda.

Ao governador Cid Gomes caberá pensar sobre como deve ser o comportamento de um dirigente realmente aberto ao diálogo. Pois não parece aceitável que se inicie o debate sobre uma obra de impacto sobre toda a cidade com pré-condições irremovíveis: “Ou será no Titanzinho ou não será em lugar nenhum (do Ceará)”. O governador devia saber, por experiência própria, que ninguém gosta de negociar com “a faca nos peitos”, muito menos uma sociedade insubmissa como é a fortalezense.

Enfim, entre mortos e feridos salvaram-se todos: o Ceará deverá ter um novo estaleiro, ainda que isso demore um pouco mais – e a orla Fortaleza ficou livre de cadeias que poderiam aprisioná-la a um modelo típico do século XX.

PS. No artigo da semana passada escrevi “censo(sic) comum”, quando deveria ter escrito “senso”, com “s”. Fui traído pela homofonia das palavras. Agradeço o alerta de vários e cuidadosos leitores.

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