Plínio Bortolotti

A importância que (não) se dá à organização do espaço público de Fortaleza

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Estive ontem na manifestação que solidarizou-se com Luiza Perdigão, titular da Secretaria Executiva Regional do Centro, que está sendo ameaçada de morte por uma gangue armada, que presta serviço para os “produtores” de vídeos piratas.

Ameaças

A primeira coisa que quero destacar é a seguinte: não se transige e não se contemporiza com ameaças de morte. Por isso a secretária merece toda a solidariedade possível – para não falar na obrigação legal e moral que têm as autoridades da segurança de protegê-la. Ainda mais que a suspeita das ameças recai sobre um tenente da Polícia Militar que seria o chefe do bando armado.

Dito isso, é preciso registrar

A gravidade da situação parece não ter sido captada nem mesmo pelos aliados da secretária. No ato anotei a presença apenas  dos vereadores Guilherme Sampaio (PT) e de Eliana Gomes (PCdoB)  [o presidente da Câmara, Acrísio Sena justificou a ausência] – e de dois deputados estaduais do partido: Artur Bruno e Francisco Pinheiro (licenciado como secretário da Cultura do governo do Estado). Compareceram também quatro ou cinco secretários municipais e o procurador-geral do Município, Martônio Mont´Alverne.

Não esteve presente, por exemplo, nem mesmo o presidente municipal do PT. A prefeita Luizianne Lins também não apareceu – e  não ouvi nenhuma justificativa pela sua ausência.

Discursos

Em seu discurso, tanto Mont´Alverne quanto Luiza Perdigão destacaram que seria preciso retomar o espaço público ocupado irregularmente – e também se combater o comércio ilegal que toma conta das ruas e calçadas.

Confesso que me pareceu que não eram integrantes da administração pública municipal que estavam falando – sendo eles os responsáveis por fazer o que diziam que precisa ser feito -, mas a oposição ou cidadãos queixosos do caos que se apoderou da cidade.

Para efeito de argumentação, vamos aceitar que as coisas no Centro não andaram devido à ação dessa gangue criminosa. E o resto da cidade? E as ruas e calçadas ocupadas por particulares, em todos os bairros, da periferia ou “nobres”? E as avenidas (Bezerra de Menezes e Dominngos Olímpio, por exemplo), onde obras do Metrofor alinharam calçadas, recupararam asfalto, etc. – e rapidamente o caos voltou a se instalar – com comércio e carros ocupando o lugar dos pedestres?

Pergunta

E mais uma pergunta. Se a questão era tão importante; se uma secretária do primeiro escalão da Prefeitura está sendo ameaçada de morte, por que tão poucas autoridades municipais no ato? Por que o próprio PT, que dirige o Município, deu tão pouca importância à manifestação, pois não mandou nenhum de seus dirigentes?

A primeira que deveria estar lá, para prestar solidariedade com a secretária – e demonstrar que é preciso botar ordem na cidade – deveria ser a prefeita, Luizianne Lins.

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