Política

Crise causada por delação inverte, no Ceará, acusadores e acusados

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Dr. Sarto é um dos deputados que defende cautela na análise da delação (Foto: Divulgação)

Dr. Sarto é um dos deputados que defende cautela na análise da delação (Divulgação)

Chegada da crise aberta por delação da JBS no Ceará “inverteu” papéis entre acusadores e acusados no parlamento local. Se em Brasília deputados do PT e PDT defendem a validade dos depoimentos para afastar Michel Temer (PMDB), denúncias não recebem mesmo entusiasmo da base local nos pontos que atingem Camilo Santana (PT) ou o ex-governador Cid Gomes (PDT).

A recíproca é verdadeira para peemedebistas e acusações dos irmãos contra Temer e o senador Eunício Oliveira (PMDB), um dos principais líderes da oposição no Ceará. Cobrados por seus adversários, ambos os lados argumentam que casos não podem ser comparados e que acusações feitas contra seus aliados não possuem consistência.

“Não dá para comparar. Contra o presidente tem gravação de voz, maleta com chip. Já sobre o Cid são só acusações inconsistentes”, diz o deputado José Sarto (PDT). Moisés Braz (PT) corrobora: “Não se pode colocar no mesmo nível, uma vez que o próprio delator disse que sequer falou com o governador. Então querer fazer isso não tem fundamento”.

Danniel Oliveira (PMDB), por outro lado, rebate: “Onde não há consistência é na denúncia contra o Eunício. O delator fala em repasses por uma doação ao PMDB entre 2013 e 2014, sendo que é público que o partido não recebeu nenhuma doação nesse período. Então já desconfigura o que foi dito”, afirma.

Ele destaca, no entanto, que defende investigações “amplas e irrestritas”, enquanto base de Camilo estaria tentando blindar o governador. Moisés rebate: “O que se discute é se a Assembleia deve investigar, o que acho que não tem fundamento até o momento. Isso não quer dizer que a investigação da Justiça não seja aprofundada e seja aprovado o envolvimento de algum membro do governo. Aí sim poderia ser investigado aqui”.

Impeachment

Na manhã de ontem, o deputado Capitão Wagner (PR) protocolou pedido de impeachment contra Camilo Santana pelas informações reveladas pelas delações da JBS. Segundo ele, existem indícios claros de que campanha do governador teria recebido repasses de propinas do grupo, liberadas após pagamentos do governo Cid.

Aliados do petista minimizaram a questão, afirmando que o governador não é imputado de qualquer conduta ilegal no exercício do mandato, o que tornaria o pedido do deputado inconstitucional.

“Essa ação tem o objetivo claro de se aproveitar do momento instável vivido pelo País para tentar tirar vantagem política. Isso é oportunismo puro e não vou entrar nesse jogo”, disse Camilo Santana ao O POVO.

As acusações

Em delação premiada, o empresário Wesley Batista, um dos donos da JBS, acusou o ex-governador Cid Gomes de ter “trocado” a liberação de R$ 111,6 milhões em créditos da empresa com o governo em troca de propinas de R$ 20 milhões para a campanha de Camilo.

Já Eunício Oliveira é acusado por um dos delatores da JBS de ter recebido R$ 5 milhões em propinas em troca de atuação do senador em prol de uma Medida Provisória do interesse da empresa.

Bastidores

Na manhã de ontem, eram intensas as conversas nos bastidores da Assembleia sobre repercussões das delações da JBS no Estado. Divulgando entre si tabelas de repasses divulgadas ontem pelo O POVO, os deputados se diziam “apreensivos” por quais dados se transformarão em denúncias pelo MPF.

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