Política

PT abre mão de candidaturas no Nordeste para apoiar “golpistas”

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O senador José Pimentel foi preterido pelo partido. Foto: Aurélio Alves/O POVO

O PT de Lula e Dilma vai pedir votos para os “golpistas” (apelidados dessa forma pela esquerda após votarem a favor do impeachment em 2016) nas vagas do Senado em pelo menos três Estados do Nordeste — terra “vermelha” desde a eleição de 2002. Com Lula liderando por ampla margem as pesquisas de intenção de voto na região, o PT vai abrir mão de pelo menos duas reeleições ao Senado e apoiar outra para acomodar aliados que votaram favoráveis ao impeachment.

É o caso do Ceará, com o senador José Pimentel. No encontro de tática eleitoral, realizado no último sábado, 28, a legenda decidiu não lançar nome ao posto na eleição de outubro. O movimento é para apoiar, indiretamente, a segunda vaga para Eunício Oliveira (MDB), que votou favorável ao impeachment de Dilma Rousseff. A primeira vaga seria de Cid Gomes (PDT).

Em Alagoas, o partido já formalizou apoio à reeleição do senador Renan Calheiros. O parlamentar exercia a presidência do Congresso Nacional no afastamento definitivo da presidente. Na ocasião, votou a favor da deposição da presidente reeleita.

O fato se repete no Piauí. Com a necessidade de acomodar aliados, a sigla negou legenda à senadora Regina Sousa. O governador Wellington Dias (PT) ofereceu o posto de vice-governadora à parlamentar, que aceitou. Por lá, a base do governador deve lançar o deputado federal Marcelo de Castro (MDB) e o senador Ciro Nogueira (PP) para as duas vagas do Senado. Ciro votou favorável ao afastamento da presidente reeleita em 2014.

As movimentações acabam fragilizando o discurso petista nacionalmente quando tenta voltar ao poder com discurso de “derrotar o golpe”. A estratégia poderá fragilizar a legenda em 2018 no Senado, já que Gleisi Hoffmann do Paraná não deverá disputar reeleição. O cenário não é favorável para Lindbergh Farias se reeleger no Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, Paulo Paim terá dificuldades.

Por outro lado, Dilma Rousseff pode se eleger senadora em Minas Gerais, assim como Jacques Wagner na Bahia. Os senadores Jorge Viana, no Acre, e Humberto Costa, em Pernambuco, também têm chances de reeleição.

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