Ancoradouro

Silêncio quando pedofilia acontece na ONU, na moda e no esporte

A pedofilia é um crime hediondo, uma chaga que assola nossa sociedade. Muito se convencionou a associá-la a religiosos, dada a visibilidade que a opinião pública dar quando um destes incorre nesta prática nefasta. A Igreja tem buscado responder à altura no combate a esta praga que dilacera suas vítimas, mas algo importante se precisa dizer. A maioria dos casos de pedofilia acontece no ambiente familiar,o percentual chega a 90% de acordo com dados compilados pela Ouvidoria Nacional do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

O ex-chefe da ONU, Peter Dalglish, foi condenado a 9 anos de prisão pelo abuso sexual de dois meninos nepaleses. O canadense de 62 anos, que trabalhou por décadas para várias organizações humanitárias, foi preso no ano passado. No momento de sua prisão, Dalglish foi flagrado com os dois meninos, de 12 e 14 anos, em seu quarto.

Por que não se faz tanto alarde na opinião pública quando os casos de pedofilia não acontecem no ambiente eclesial? Quem dos leitores ouviu na grande mídia sobre o relatório de teor gravíssimo que denuncia casos de abusos de menores por funcionários das Organização das Nações Unidas (ONU)? Quem assistiu na TV sobre o assédio atribuído ao estilista Eduardo Costa, criador da marca Brechó Replay? E os mais de 270 casos de pedofilia no esporte publicados em dezembro do ano passado por um grupo de jornalistas independentes, você tomou conhecimento?

Os casos são aterradores, igualmente o silêncio sobre eles. O dossiê que o jornal The Sun teve acesso sobre o escândalo da ONU alega que  60.000 pessoas foram estupradas na última década por funcionários da organização que pode chegar ao número repugnante de  3.300 pedófilos. Ainda segundo o jornal, o acadêmico MacLeod  acadêmico disse: “Existem dezenas de milhares de trabalhadores humanitários em todo o mundo com tendências pedófilas, mas se você usar uma camiseta da UNICEF, ninguém perguntará o que você está fazendo”.

Silêncio aterrador sobre casos de pedofilia na ONU.

“O número sombrio de 60.000 do professor é baseado na admissão do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, no ano passado de que as forças de paz da ONU e funcionários civis abusaram de 311 vítimas em apenas um período de 12 meses em 2016. A ONU também admite que o provável número verdadeiro de casos relatados contra seus funcionários é o dobro disso, já que os números fora das zonas de guerra não são centralizados”, diz a matéria do The Sun.

Na moda, o escândalo explodiu neste ano, mas sem arrazoado na grande mídia que fez um silêncio diante da acusação de menores ao estilista Eduardo Costa que já teve sua grife desfilando na Casa dos Criadores. “Ele vinha nos vestir e sentíamos que o toque dele não era inocente. Era um esbarrar de mão maldoso, na nossa bunda, nas nossas coxas, no nosso pênis. Era incômodo”, conta uma das vítimas, que tinha 15 anos quando participou de uma sessão de fotos da marca. A marca Brechó Replay tornou-se conhecida por se apresentar como uma “marca engajada” e comprometida com a representatividade.

Estilista acusado de abuso criou marca engajada com a representatividade.

Outra história que deveria ocupar muito espaço no noticiário e que foi relegada ao esquecimento é a pedofilia em série no esporte francês. Publicado na  divulgação , uma mídia investigativa sem fins lucrativos, esta investigação sobre violência no ambiente esportivo descobriu 77 casos “marcados por grandes disfunções”, de 1970 até o presente. “Futebol, ginástica, equitação, atletismo, mas também arco e flecha, patinação ou xadrez … 28 esportes estão envolvidos, escrevem os autores. Essas tragédias reivindicaram pelo menos 276 vidas em esportes, a maioria crianças menores de 15 anos no momento dos eventos”, afirma o jornal Le Figaro.

Ainda poderíamos falar do escritor octogenário  Gabriel Matzneff, investigado pela promotoria de Paris por este crime. A acusação da violência sexual e abuso veio de uma ex-aluna.  O escritor – observem – em seus livros, abordava  o tema de seus relacionamentos pedófilos várias vezes. Vanessa Springora, denuncia o relacionamento que ela teve com ele quando tinha 14 anos, em um livro recém-lançado intitulado “Consentimento”.

E o que dizer sobre o que está sendo considerado o maior caso de pedofilia da França? Um cirurgião está sendo acusado por 349 vítimas de abuso sexual, sendo a maioria crianças e adolescentes. Mais uma vez, silêncio na opinião pública internacional.

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