Artesanato da Mente

O poder transformador de uma terapia

“A minha educação emocional começou no fim da adolescência, quando vi a minha mãe quebrar todos os tabus da nossa família e começar a fazer terapia. A nossa família era como tantas que eu conhecia – implodíamos discretamente.

Estávamos no início da década de 1980 e por mais sombria e difícil que a situação se tornasse, nunca se discutia como estávamos nem o que sentíamos, até que a minha mãe começou a fazer terapia. Quanto mais curiosa ela se tornava a respeito da sua vida e dos seus sentimentos – e das nossas vidas e dos nossos sentimentos – pior a situação se tornava. As intermináveis escavações da dor e da mágoa pareciam não ter fim. Eu não tinha certeza se valia a pena. Mas minha mãe via esse reconhecimento emocional como uma situação de vida ou morte.

Então, contra todas as probabilidades, minha mãe começou a recuperar suas forças depois de uma longa e lenta queda que começou quando eu tinha cerca de 12 anos. Durante os anos seguintes, ela ia nos ensinando tudo o que aprendia na terapia, e essa pequena centelha deu início a uma transformação inextinguível na nossa família. Também deu origem a vários anos de desconforto e dor tremenda, e incinerou muito daquilo que conhecíamos – incluindo o casamento dos meus pais.

Mas, como o poeta Mizuta Masahide escreveu: “O celeiro ardeu, agora consigo ver a Lua”. O incêndio não só revelou uma nova luz, como revolveu uma terra nova e, com novas sementes, trouxe amor e renovação. Se, durante aqueles dias sombrios e incendiários, alguém tivesse me dito que tudo acabaria por ficar bem, desde que todos continuassem a falar dos seus sentimentos e a estabelecer limites, e que, um dia, os meus pais divorciados e os seus novos cônjuges estariam num quarto de hospital eufóricos enquanto eu dava a luz os meus filhos, eu teria lhe chamado de mentiroso.

O que foi reconstruído está longe de ser perfeito, mas o fingimento e o silêncio acabaram. Simplesmente deixaram de existir. Muitas vezes, basta uma única pessoa corajosa para alterar a trajetória de uma família inteira, aliás, de qualquer sistema.”

Trecho do livro “A Força da Coragem” de Brené Brown

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Essas belas palavras me trouxeram ótimas reflexões e insights que quero compartilhar com você que me lê agora. A Brené Brown está trazendo preciosas ideias desenvolvidas pelo mestre Bert Hellinger, precursor das “Constelações Familiares”. Uma das ideias centrais é essa de que quando um membro de uma família se decide por mudar, por se transformar, por sair dos padrões pré-estabelecidos, isso tem um potencial de gerar transformações em toda a família.

Essa é uma das máximas da espiritualidade que não canso de repetir: “Ninguém muda ninguém, mas a sua mudança efetiva pode influenciar todos ao seu redor”. A história de toda a família da autora foi transformada a partir da decisão da sua mãe, que num primeiro momento sofreu horrores por mergulhar nas suas próprias sombras jogando sobre elas a luz da consciência.

Primeiro ela teve que incendiar toda a sua velha casa para dar lugar a uma nova construção fundamentada no amor, na união, na confiança, no altruísmo e por aí vai.

Percebo a verdade contida nessas palavras dela em mim e na minha própria família. Eu venho buscando individualmente há vários anos esse caminho de autoconhecimento e cura interior e percebo que pelo meu exemplo e mudanças concretas na vida, tenho sido uma ponte inspiradora até mesmo dentro da família.

Talvez o grande segredo seja o não querer estar sempre certo, não querer impor absolutamente nada, deixar todos livres para seguirem suas vidas ao seu modo. É vendo meu exemplo que alguns estão também despertando pra importância de se fazer uma terapia e trabalhar em si aqueles pontos que precisam de mudança e transformação!

Quero a partir desse breve texto apenas lhe incentivar a buscar mais o autoconhecimento e seu imenso poder de transformação através de algum tipo de terapia. E se já faz alguma, que permaneça, porque você não faz ideia do potencial sistêmico que essa decisão proporciona. Dizendo isso até lembrei de um livro cujo título é o resumo de toda a ideia aqui contida: “Sendo você, mudando o mundo” de Dain Heer. Esse é um livro incrível também centrado nas constelações familiares e que resumidamente diz isso, quando você está na sua essência, sendo você verdadeiramente, há um potencial gigantesco de contribuir pra mudança do mundo, a mudança coletiva. E nunca esqueça, você é o mundo! “Cada um de nós é um universo”, como diria o grande Raul Seixas.

Mesmo que você não perceba grandes mudanças acontecerem com as outras pessoas ao seu redor, se ela for efetiva em você, maravilha! Isso já é muita, muita coisa!

Claro que há muito mais que pode ser dito e explorado, mas deixarei pra abordar em outros textos mais pra frente. Gravei também um breve podcast no mesmo dia da escrita desse texto inspirado nessas lindas palavras da Brené Brown. Recomendo que ouça pra assim ampliar essas reflexões. Segue o link abaixo!

 

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