Cinema às 8

“Blade Runner 2049” – O constante questionamento do que nos torna humanos

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“Blade Runner” aborda as relações entre os indivíduos

Os questionamentos sobre a origem da vida e o seu sentido sempre estiveram presentes nas mais variadas obras produzidas da literatura e do cinema. O homem sempre buscou o cerne dessa origem na esperança de nortear suas ações e suas dúvidas, principalmente no que diz respeito sobre os conceitos de alma, da existência ou não de uma entidade superior que o criou e qual o seu destino após a morte.

Em sua obra, “Andróides sonham com ovelhas elétricas?”, Philip K. Dick condensa todos esses questionamentos e os sintetiza em uma única pergunta: O que realmente nos torna humanos? Na época a qual o livro foi escrito, a ideia dos seres com capacidade sobre humana eram de seres mecânicos, muito distantes do ideal humano. Porém, ao trazer o conceito de “Replicante” (termo criado a partir da adaptação Blade Runner, de 1982, a partir do livro de K. Dick), a obra diferenciou-se da maioria.

Depois de 35 anos do lançamento de “Blade Runner” dirigido por Riddley Scott, a história retorna novamente aos holofotes. Descoberta muito após o seu lançamento nos cinemas, o filme foi um marco na história de fazer filmes sobre ficção científica e levanta questionamentos os quais são discutidos ao longo desse tempo.

A atmosfera do filme é bela e intimidadora

O diretor Denis Villeneuve abraçou novamente o projeto e nos dá “Blade Runner 2049” trazendo uma nova significação à história, e trabalhando de uma maneira impressionantemente verossímil os acontecimentos passados à produção de 82, de Scott.

O filme acompanha a jornada do oficial K. (Ryan Gosling), que também faz parte da unidade “Blade Runner”, responsável por aposentar replicantes. Dessa vez, os tais replicantes começam a ser reintegrados – com algumas restrições – na sociedade graças à corporação Wallace, que assume o controle da sua produção e passa a fabricá-los para finalidades mais nobres, como a erradicação da fome no planeta. Porém, o uso de tais indivíduos continua a ser o da exploração em tarefas sobre humanas e escravistas.

Responsável pela aposentadoria então de um Nexus da série 8S(Replicantes aqui recebem número de série comparável aos dispositivos da Apple!), interpretado pelo ator Dave Bautista, K. então faz uma descoberta muito maior, e essa descoberta é a base de todo o filme, ganhando desdobramentos aos quatro atos audaciosamente construídos por Villeneuve.

A técnica de construção do ambiente decaído da Los Angeles de 2049 é de encher os olhos com uma fotografia pouco antes vista, que nos transporta imediatamente para o universo da história. A única ressalva a ser feita talvez fica pelo tempo do filme, que dá um sóbrio peso arrastado na atmosfera “noir” tão bem conhecida, mas que não é um detalhe estranho àqueles que já estão introduzidos nesse universo. E se trilha sonora é um dos elementos mais reconhecidos quando o assunto é Blade Runner, o trabalho entregue por Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch é uma orgânica produção totalmente em sintonia com as cenas, e com o poder de emocionar com apenas três notas disparadas no ar.

Jared Leto interpreta o enigmático “Wallace”

Ryan Gosling apresenta um protagonista substancialmente introspectivo como K. E assume a difícil missão de transmitir toda a significação de atos em tela com gestos e olhares. Harrison Ford retorna como Deckard em uma atuação delicada e impressionante de como esse espaço entre os dois longas nunca tivesse existido. Outro destaque fica por conta do magistral e enigmático Wallace, vivido pelo ator Jared Leto, assinando mais um personagem intimidador e difícil na sua carreira.

“Blade Runner 2049” flerta muito com o contexto da tecnologia e humanidade. Tal distanciamento que julgávamos ter entre a realidade e a ficção agora se transforma em uma linha tênue entre o provável e o possível. A prova disso se dá no reconhecimento com dispositivos já incorporados em nossa realidade atual tecnológica. Porém, entre todo o poder desse meio o qual ele mesmo criou, o homem continua a questionar o que realmente o torna o que ele é: “Mais humano que o humano”?

catherinesantosm@gmail.com

Cotação: nota 8/8

Ficha técnica

Blade Runner 2049 (EUA/ING/CAN, 2017), de Denis Villeneuve. Ficção Científica. 163 minutos. Com Ryan Gosling, Ana de Armas e Harrison Ford.

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1 comentário

  • Fábio Rocha disse:

    O que mais eu gostei deste filme é a musica com a que a ambientaram cada situação da historia. Poucos reconhecem o grande trabalho que se faz com a música dos filmes, realmente eu só veia o filme e me assustava ou me emocionava, mas descobri que muitos dessas emoções são graças a um bom trabalho do Hans Zimmer y Benjamin Wallfisch em trilha sonora Blande Runner. Adorei a seleção que fez, por que conseguiu acompanhar a perfeição cada situação do filme,realmente vale a pena todo o trabalho que a produção fez, cada detalhe faz que seja um grande filme. A fotografia é impecável, ao igual que a edição. Sem dúvida voltaria a ver este filme!

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