Clube da Luta

A favor das provocações, mas contra o exagero

Jones disse não a revanche contra Gustaffsson. Foto: UFC/Divulgação

Campeão Jon Jones teve atitude lamentável ao sair na mão com Daniel Cormier, antes da luta. Foto: UFC/Divulgação

Jon Jones e Daniel Cormier protagonizaram mais uma cena lamentável do UFC, e, claro, do MMA. Assim como Chael Sonnen e Wanderlei Silva que saíram na mão durante as gravações do programa TUF Brasil 3, o campeão do meio-pesado e o desafiante partiram para a porrada após encarada em coletiva de imprensa. Os dois americanos deixaram a provocação – estratégia usada para promover um combate – ferver os nervos e entraram em colisão – entrando num contexto exagerado.

Sou a favor das provocações entre lutadores. A estratégia instiga fãs e imprensa. Chael Sonnen chegou longe dentro do UFC pela língua e promoveu combates como ninguém. Quem não quer assistir Conor McGregor? O irlandês virou o novo falastrão, mas com mais talento que o americano. A troca de farpas antes do duelo é fundamental para criar o clima e alavancar o evento.

Quando soube que Wand e Sonnen se enfrentariam e, além disso, participariam de uma edição do TUF como treinadores, fiquei ansioso para ver a troca de farpas. A tensão que antecede qualquer combate faz parte. É normal. É fundamental. Mas, depois que eles cruzaram a linha do bom senso e partiram para a porrada fora do octógono, não só a mídia criticou, como o próprio público perdeu um pouco o interesse no embate entre eles. No final, a luta nem aconteceu.

Ronda Rousey e Miesha Tate foram outras que abusaram na troca de ‘elogios’ antes do embate. O clima esquentou e aumentou a expectativa do mundo do MMA. Ninguém queria perder as duas saindo na mão com carga máxima! Nem depois de tantas provocações, as divas do cage desceram do salto. Da mesma forma, Cormier e Jones ensaiavam um período épico antes da peleja. Porém, o que ocorreu na coletiva de imprensa na encarada manchou esse combate. As farpas vão continuar, a ansiedade de todos que acompanham o Ultimate vai crescer e o desfecho do duelo será dos melhores. Mas, no final de tudo, todos vão lembrar da palhaçada protagonizada por dois atletas que levantam a bandeira do esporte.

Se as artes marciais mistas ainda possuem olhares tortos de gente que desconhece o esporte, muito se deve por atitudes amadoras dos próprios atletas, treinadores e organizações. Existem lutadores que têm discursos prontos sobre a maravilha que é o MMA. Defendem com unhas e dentes. Mas, no momento de ter profissionalismo, eles fazem o contrário.

O que aconteceu entre Jones e Cormier escancara a falta de profissionalismo que o MMA ainda convive. Se no maior evento do esporte, o UFC, isso ocorre, imaginem nos outros de menor porte ao redor do mundo. Já fui cobrir evento de MMA que mais da metade dos lutadores do card não bateram o peso.

O esporte já anda por conta própria. Tem fãs por todo o mundo e mídia especializada nos grandes veículos de comunicação. Basta um pouco mais de comprometimento e profissionalismo para se tornar grande com credibilidade.

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