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Há 25 anos, Cazuza saia de cena

 

 

 

 

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Em 7 de julho de 1990, Cazuza saia de cena. Complicações ligadas à Aids levaram o cantor aos 32 anos. Uma vida breve, mas intensa., uma vida meteórica. Cazuza chamava a atenção pela presença carismática e por um talento para compor que o transformou em um dos principais nomes da música brasileira a despontar na década de 1980. O título de uma das canções de Cazuza resume a personalidade complexa do músico: Exagerado.

Nascido no Rio de Janeiro, em 4 de abril de 1958, Agenor de Miranda Araújo Neto, apelidado de Cazuza, foi influenciado tanto pelo atitude roqueira de Rolling Stones e Janis Joplin quanto pela melancolia da música brasileira de Cartola, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Maysa e Dalva de Oliveira. A poesia beat, da qual era fã, também serviu de inspiração para suas letras, que refletiam dores, amores e a curtição da boemia carioca.

Como vocalista do Barão Vermelho, Cazuza gravou os três primeiros discos da banda e, à frente do grupo, emplacou sucessos como Pro dia nascer feliz, Maior abandonado e Bete Balanço. Vaidoso e em busca de liberdade criativa, o cantor partiu para a carreira solo em 1985. Com uma postura mais rebelde e inquieta, Cazuza lançou cinco álbuns, de onde saíram algumas de suas músicas mais conhecidas, caso de Exagerado, Ideologia, Brasil e O tempo não para – esta última, batiza a cinebiografia sobre a vida do cantor, dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho, lançado em 2004. Ainda em 2015, será lançado um CD com músicas inéditas de Cazuza interpretadas por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Bebel Gilberto, entre outros.

A morte do cantor chocou o Brasil tanto por se tratar de um artista muito querido quanto pelo fato de ele ser a primeira figura pública de grande notoriedade no país a morrer em decorrência do vírus HIV num tempo em que a doença ainda era novidade.

Depois da morte do filho, a mãe do cantor, Lucinha Araújo, fundou a Sociedade Viva Cazuza, cuja missão é dar assistência para crianças e adolescentes carentes portadoras do vírus da aids, assistência social a pacientes adultos em tratamento na rede pública na cidade do Rio de Janeiro e difundir informações científicas sobre HIV/Aids além de esclarecimento de dúvidas para profissionais de saúde ou leigos.

Vinte e cinco anos depois, o legado artístico de Cazuza continua relevante e os principais sucessos do cantor permanecem, além de um veneno antimonotonia, retratos atuais do Brasil. Eu não era nem nascido na época, mas cresci escutando Cazuza através de uma das minhas irmãs, que era fã do cantor. Fica esse legado que Cazuza deixou.

 

 

 

Texto: Eduardo Sousa | Imagem: Internet

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