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XII Bienal Internacional do Livro do Ceará anuncia novos convidados e detalha programação e espaços

 

 

Para que é viciado em livros, assim como eu, vive caçando clubes de leitura, cineclubes, diversos eventos que tratam do assunto, e um dos maiores eventos nessa temática aqui em Fortaleza é a Bienal Internacional do Livro do Ceará que chega a sua décima segunda edição e vai acontecer de 14 a 23 de  abril, no Centro de Eventos do Ceará e em diversos espaços de Fortaleza, com entrada gratuita e aberta ao público em todas as atividades. O evento é referência no calendário cultural nacional e promove a reinvenção da vida por meio da arte, do conhecimento, da palavra em seus múltiplos meios e possibilidades. Com o tema “Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca”, esta nova edição, com o renomado escritor Lira Neto assinando a coordenação da curadoria, da também integrada por Kelsen Bravos e Cleudene Aragão, é um momento de culminância da política estadual de livro, leitura, literatura e bibliotecas, de acordo com as diretrizes de democratização do acesso à cultura e à arte, valorização da produção cearense e diálogo com o Brasil e o mundo. Sempre com grande participação popular.  “Tenho certeza que essa vai ser uma das melhores bienais de todos os tempos no Brasil”, afirmou Lira Neto.

A Bienal Internacional do Livro do Ceará, sob a coordenação geral de Mileide Flores, livreira e coordenadora de Políticas para o Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas da Secult, mobiliza a atenção do mercado editorial de todo o País, que investe na exposição de seus principais lançamentos e incentiva a presença de celebridades literárias de renome nacional e internacional, para diálogo direto com o público cearense, ao longo de dez dias de evento, durante os quais são esperadas centenas de milhares de pessoas. Um grande encontro com foco no desenvolvimento da economia criativa do livro, na promoção da leitura, na formação de leitores e na amplitude e alcance de suas ações, por meio da Bienal fora da Bienal.

Com uma programação extremamente ampla, diversificada, ousada e que tem a qualidade por prioridade, a partir do tema que propõe itinerários por entre os acervos formados por cada pessoa e a biblioteca composta pela interação da sociedade, a Bienal oferta ao público atrações de natureza artística e literária, incluindo encontros entre autores, palestras, mesas-redondas, conferências, oficinas, contações de histórias, lançamentos de livros e outros eventos. Sempre tendo a palavra como fio condutor, mas de modo aberto a todos os meios e possibilidades, com o livro e para além dele. Uma programação democrática e de acesso gratuito, contemplando todos os públicos – infantil, juvenil e adulto – e inúmeros temas e áreas de interesse.
O conjunto desses fatores coloca a Bienal Internacional do Livro do Ceará no calendário cultural entre as melhores e mais importantes feiras de livro no Brasil. Um sucesso consolidado ao longo de mais de duas décadas. Uma história que chega à XII Bienal com perspectivas de um encontro extremamente plural e intenso, antenado tanto com a sempre-valorização do livro quanto com todas as portas abertas pelos novos meios, tecnologias e aplicações. Um convite ao encontro e ao diálogo entre os vários protagonistas do grande volume da vida, que segue sendo escrito todos os dias: “Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca”.

O tema da Bienal

Um dos diferenciais da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará é ter sua programação marcada por um tema transversal e instigante – “Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca”. O tema expressa a noção de acervo, seja ele individual ou coletivo, sincrônico ou diacrônico, material ou imaterial, oral ou escrito, xilografado, impresso ou digital. Também homenageia o acervo literário universal, a cultura e a identidade brasileira como patrimônio da humanidade e pauta toda a estrutura e funcionamento da Bienal, aguçando o interesse pela pesquisa e pela leitura, proporcionando debates sobre os mais variados assuntos, contemplando os interesses de um público extremamente diversificado.

“A temática traz em si infinitas possibilidades: a diversidade de expressões, a multiplicidade de vozes; incontáveis itinerários narrativos a proporcionar conexões transculturais, encontros de mundos, diálogos no espaço presencial e no da blogosfera”, destaca Mileide Flores, coordenadora geral da Bienal.

“As editoras organizam parte de seu catálogo com base na proposta do tema. A decoração das praças da feira de livros e de todos os espaços reflete a temática e abraça o público, autores e demais convidados. Há, enfim, coesão na forma e no conteúdo da Bienal”, ressalta.

Conceito e eixos

O conceito da Bienal tem por núcleo a ideia de Acervos Vivos, que será desenvolvido a partir de quatro eixos, relacionados ao tema central:

Pessoas – Este eixo delineia os acervos pessoais a partir da diversidade étnica, da miscigenação, da múltipla expressão da mestiçagem, dos idioletos, dos valores, das idades, das gerações, das nações, das tribos, das bandeiras, dos sonhos…, enfim, a ideia de acervos pessoais como metáfora que encapsula tempo, espaço, duração, ideologia, afetos, a múltipla metáfora da identidade. No âmbito deste eixo, será feito também o registro vivo, durante o evento, de diversos espaços, diversas etnias, diversas idades, diversas tribos presentes na Bienal.

Livros – Este eixo refere-se à evolução dos registros, das inscrições rupestres ao mais avançado acervo digital; o livro, suas formas e contextos: artesanais, digitais, incunábulos, impressos, restritos, best-sellers, clássicos, marginais… O objetivo visa proporcionar argumentos para a constatação dos objetos livros como patrimônio simbólico da humanidade, como sedução para os leitores e como detentores de uma faixa de tempo, guardiões da memória, senhores da História

Mundos – Este eixo expressa a relação entre ficção e realidade, entre história individual e coletiva, o encontro dos acervos individuais através da experiência de leitura de mundo constituindo o conjunto das pluralidades expressivas: reais, imaginárias, presentes, passadas, futuras, (re)criadas, (in)continentes, políticas… resgate de práticas leitoras, festas literárias, cidades do livro, livros emblemáticos e escritores do mundo inteiro e de mundos imaginados.

Bibliotecas – Este eixo propõe a metáfora da permanência, inscrita no conceito Biblioteca como lugar de promoção da leitura e espaço de convivência literária. Fortalece a proposta de política pública para constituição e fomento de bibliotecas comunitárias, escolares, vivas, ancestrais, públicas, particulares, populares, ambulantes… Será criado no local do evento um espaço que favoreça o despertar da noção de que cada pessoa seja entendida como uma biblioteca de saberes e que o mundo é o coletivo de bibliotecas, e que cada biblioteca é um lugar para dinamização de acervos do mundo, a metáfora da metamorfose ambulante, da constante permanência e transformação.

Mestres da Cultura participarão com destaque da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará

Um dos grandes diferenciais da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, que acontece de 14 a 23 de abril, no Centro de Eventos do Ceará, será a ampla participação dos mestres da Cultura tradicional e popular do Ceará. Serão 25 mestres, de todas as regiões do Estado e de várias categorias de saberes: mãos, corpo, voz, alma, em um amplo e representativo painel das tradições, dos ofícios, saberes e fazeres dos mestres oficialmente reconhecidos pelo Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura. A iniciativa se soma ao compromisso da Secult de maior valorização dos mestres e de promoção de mais ações de repasse de seus saberes, com a criação de novos canais de interlocução com o público em geral.

A cada dia, a partir do sábado, 15/4, os mestres estarão em diálogo direto com o público, em rodas de saberes e conversa abertas à participação de todos os interessados. Para o secretário da Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba, a presença dos mestres da Cultura será um grande atrativo para o público, em meio à ampla e diversificada programação da Bienal. “Teremos pela primeira vez um encontro desse porte promovido pela Secretaria, reunindo nada menos que 25 mestres da cultura, trazendo ao público da capital a riqueza de saberes e a magia dos diálogos possibilitados tradicionalmente no Encontro Mestres do Mundo, realizados no Interior”, ressalta.

“Além de constituir mais um reconhecimento aos mestres, que são verdadeiros acervos vivos, em consonância com o tema da Bienal, ‘Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca’, a participação dos mestres gera novas oportunidades de contato direto com o público, para conversas sobre esses saberes e fazeres, trazendo novos olhares sobre os mestres e contribuindo para cumprir as metas do Plano Estadual de Cultura, que falam da ampliação das ações de repasse dos conhecimentos dos mestres”, acrescenta.
O secretário enfatiza que todos os mestres da cultura receberam em novembro de 2016, no Encontro Mestres do Mundo, em Limoeiro do Norte, o título de notório saber em cultura popular, emitido pela Universidade Estadual do Ceará. “A partir de então, foram abertas novas possibilidades de participação dos mestres em eventos, aulas, oficinas, em escolas e universidades, inclusive com um novo parâmetro de remuneração por esse trabalho”, complementa.
“Também ficou definida uma maior participação dos mestres nas ações e na programação dos equipamentos e eventos da Secult, o que será exemplificado na grande presença na Bienal, com atividades todos os dias, a partir do sábado, 15/4”, complementa.

PROGRAMAÇÃO XII BIENAL DO LIVRO

A primeira roda, no dia 15/4, reúne os mestres Aldenir (do Reisado, do Crato) e Zé Pio (do Reisado e do Bumba-meu-boi, de Fortaleza), com mediação do antropólogo Oswald Barroso, com o tema “O corpo é uma festa; o coração, um templo sagrado”, contemplando duas diferentes vertentes de uma mesma manifestação.

No domingo, 16/4, o tema “O corpo é um texto; a vida, alegria” inspira os mestres Gilberto Calungueiro (Teatro de bonecos, de Icapuí) e Palhaço Pimenta (Arte Circense, de Fortaleza), com mediação de Simone Castro.

Na segunda, 17/4, o tema “A voz é um sentimento; a palavra, o sertão” é o mote para Mestre Dina (Vaqueira Aboiadora, de Canindé), Mestre Pedro Coelho (Vaqueiro, aboiador e poeta, de Acopiara) e Mestre Lucas Evangelista (Cordelista, de Iguatu), com mediação de Rosemberg Cariry.

Na terça-feira, dia 18/4, o público participa da roda sobre o tema “As mãos são artes; a cabeça, imaginação”, com Mestre Espedito Seleiro (Artesanato em couro, de Nova Olinda) e Mestre Deoclécio Soares Diniz – Mestre Bibi (Artesão, escultor, de Canindé) e Mestre Zé Pedro (Artesanato em cipó, de Guaramiranga). A mediação é do renomado professor e pesquisador Gilmar de Carvalho.

Na quarta-feira, 19/4, o tema “A alma é um encanto, a memória divina” será o mote para a Mestre Cacique Pequena (Cultura Indígena, de Aquiraz), o Mestre Pajé Luiz Caboclo Tremembé (Cultura indígena, de Itarema) e o Mestre Cacique João Venâncio (Cultura indígena, de Itarema). A mediação é do coordenador de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Secult, historiador Alênio Carlos Noronha Alencar.

Na quinta, 20/4, o tema é “A vida é um som; a música, um sonho”, com Mestre Cirilo (Maneiro-Pau, Côco e São Gonçalo, do Crato), Mestre Chico Paes (Sanfona de oito baixos, de Assaré) e Mestre Antonio Hortênsio (Rabeca, de Reriutaba). A mediação fica por conta da coordenadora do escritório regional da Secult no Cariri, Dane de Jade.

Na sexta-feira, 21/4, o tema “O corpo é uma festa; o coração, um templo sagrado” reúne os mestres Moisés Cardoso (Dança do Coco, de Trairi), Vicente Chagas Gondim (Reisado, de Guaramiranga) e Maria do Horto (Benditos, de Juazeiro do Norte), com mediação do antropólogo e pesquisador Oswald Barroso.

No sábado, 22/4, o tema é “O corpo é um texto, a vida um drama”, reunindo Mestra Dona Zilda (dos Dramas, de Guaramiranga), Mestra Ana Maria (dos Dramas, de Tianguá) e Mestra Terezinha Lino (dos Dramas, de Beberibe). A mediação é da professora e pesquisadora Lourdinha Macena.

Fechando a Bienal, no domingo, 23/4, o tema “As mãos são artes; a cabeça, imaginação” reúne Mestra Francisca Pires (Rendeira, de Cascavel), Mestra Lúcia Pequena (Cerâmica em barro, Limoeiro do Norte) e Mestra Maria Cândido (Cerâmica em barro – Juazeiro), com mediação do escritor e pesquisador Gilmar de Carvalho.

 

 

SERVIÇO:
XII Bienal do Livro do Ceará
Quando: 14 a 23 de abril
Onde: Centro de Eventos do Ceará
Mais informações: http://bienaldolivro.cultura.ce.gov.br/

 

 

Texto: Eduardo Sousa com informações da AD2M Comunicação | Imagem: Felipe Abud

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