Fisioterapia & Saúde

Pesquisa avalia saúde de cortadores de cana: Trabalho pesado pode levar à morte por paradas cardiorrespiratórias

Andréia Pereira
Repórter
 
Dados da Pastoral do migrante de Guariba, em São Paulo, apontaram que 21 cortadores de cana morreram durante o trabalho entre os anos de 2004 e 2008. A maioria das mortes é resultado de paradas cardiorrespiratórias. A entidade ainda divulgou que esses trabalhadores somam quase 70 mil pessoas só na região de Ribeirão Preto, em São Paulo.

Esses dados revelam apenas um retrato de uma situação que merece atenção por parte do poder público e dos estudiosos, não só de São Paulo, mas de todas as regiões do Brasil.

Motivada por esse espírito, a professora e fisioterapeuta Dra. Roseane Caldeira, que é especialista em fisioterapia cardiorrespiratória pelo Hospital das Clínicas, mestre e doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), realizou recentemente uma pesquisa com cerca de 3 mil cortadores de cana do interior de São Paulo para aplicar o teste de “Shuttle”, que é um teste de caminhada para ver qual é o melhor nível para indivíduos saudáveis.

– Na verdade, esse teste é realizado em indivíduos com doenças pulmonares graves. Mas não se sabia se esse teste era adequado para avaliação de doenças pulmonares leves ou em pessoas saudáveis – explica a pesquisadora.

OBJETIVOS E RESULTADOS

Segundo Roseane, o objetivo do estudo foi comparar o teste em ambos os níveis (12 e 15  níveis) em  homens saudáveis (cortadores de cana) em diferentes dias. Foram avaliados a distância percorrida, sintomas respiratórios, saturação de oxigênio e avaliação de sistema cardiovascular.

– Os resultados demonstraram que, no teste com 15 níveis, os indivíduos apresentaram melhor resposta cardiovascular e sintomas, tais como alterações da pressão arterial e do nível de oxigênio, ao percorrerem uma distância superior quando comparado ao de 12 níveis. Portanto, para pessoas saudáveis, esses testes de 15 níveis parecem ser mais apropriados – disse a fisioterapeuta, apontando os resultados da pesquisa.

O nível 12 diz respeito a cerca de 900 metros de distância enquanto os cortadores de cana caminharam durante o trabalho. E o nível 15 se refere a aproximadamente 1.500 metros de caminhada, representando melhor a realidade que os cortadores enfrentam durante o trabalho.

Roseane Caldeira, que também é professora da Funorte – Faculdades Unidas do Norte de Minas, destaca que o teste é eficiente por detectar alterações da pressão arterial, oxigenação e de falta de ar, condições que podem causar a morte desses trabalhadores por exaustão.

A pesquisa foi financiada pelo CNPq, e os resultados foram apresentados durante o Congresso europeu de pneumologia, realizado em setembro deste ano, na cidade de Barcelona, na Espanha. Segundo a pesquisadora Roseane Caldeira, os resultados da pesquisa serão publicados em breve numa revista internacional.

EXPERIÊNCIA EM PROL DA PROMOÇÃO DA SAÚDE

A experiência de mais de 10 anos na área de fisioterapia faz com que a professora e pesquisadora Roseane Caldeira atue em diversas áreas da saúde, compartilhando conhecimento e contribuindo para a promoção da saúde e da qualidade de vida das pessoas. Atualmente, ela coordena a pós-graduação em Saúde do idoso da Funorte e é tutora e palestrante no curso de medicina e professora  e supervisora de estágio no curso de fisioterapia, ambos da Funorte.

– Abrimos um ambulatório de doenças pulmonares na clínica-escola do campus Amazonas, onde os alunos do 7° período de fisioterapia fazem estágio. Está sendo muito benéfico e com resultados positivos tanto para os alunos quanto para os pacientes, pois os acadêmicos colocam em prática o que aprendem em sala de aula – conta a pesquisadora.

Ela enfatiza que, no ambulatório, os pacientes relatam melhora dos sintomas respiratórios, diminuição do uso de inalação, o que comprova que os exercícios fisioterapêuticos têm sido importantes para esses pacientes. Nessa área, a Funorte campus Amazonas atende pacientes que apresentam asma, DPOC, bronquiectasia, fibrose cística etc.

Informações pelo telefone: (38) 3223-2288.

Fonte: O Norte de Minas.

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