Fisioterapia & Saúde

O frevo visto por dentro.

O ballet clássico foi sistematizado através de diversos métodos, como o da técnica russa Vaganova e o Cecchetti, de origem italiana. O ensino do frevo, no entanto, nunca teve uma escola formal. Quem primeiro o transportou para a sala de aula foi o mestre Nascimento do Passo, na década de 1970. Passista de rua, ele orientava de modo intuitivo. Parte dos ensinamentos de Nascimento do Passo são aprofundados no projeto Trançados Musculares, pesquisa técnica pioneira no Brasil sobre as características da dança frevo e as exigências que ela traz para músculos e ossos dos dançarinos. A proposta é sugerir exercícios para a preparação corporal que contribuam para o aprimoramento e complementem os métodos existentes.

Inaê Silva, 19 anos, professora da Escola de Frevo, conta que ficou com a cabeça borbulhando de ideias depois de participar da oficina Trançados Musculares, na Torre Malakoff, durante o último Janeiro de Grandes Espetáculos. Mudar as sequências do plano de aula, preparar o corpo dos alunos de modo mais apropriado para a infinidade de passos do frevo, iniciar pelo aquecimento e terminar com o alongamento dos músculos são algumas atitudes que ela decidiu colocar em prática. ´É importante a questão da consciência corporal do professor, que é diferente do passista folião, que pula só no carnaval`, acredita Inaê.

A pesquisa Trançados Musculares, aprovada no Funcultura de 2009, terá novos desdobramentos. Na oficina, da qual participaram 40 professores e dançarinos de frevo, foram distribuídos questionários para identificar quais áreas do corpo sofrem mais exigências, a exemplo de joelhos e articulações dos quadris. O resultado do estudo será divulgado num CD-Rom que deve ser lançado até julho deste ano.

´A maioria dos movimentos do frevo pedem força e alongamento ao mesmo tempo, por isso fica difícil não comprometer a estrutura física, se você não é atleta`, assegura Valéria Vicente, passista e professora da Universidade Federal da Paraíba, que faz parte da equipe multidisciplinar do projeto, ao lado do fisioterapeuta e coreógrafo Kiran (Giordani Gorki) e das estudantes de fisioterapia Adely Couto e Renata Muniz (também dançarina). O professor Wilson Viana, mestre em biodinâmica do movimento humano, também orientou o estudo.

Valéria Vicente chama a atenção para a falta de investimento na formação dos passistas, que precisam de informações mais qualificadas para minimizar os riscos de lesões. ´É preciso se atualizar através de novas técnicas`, destaca Valéria. (Tatiana Meira)

Fonte: Diário de Pernambuco.