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Ainda em busca do time ideal, Ceará tem grupo de quase 40 atletas na Série B

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Os clubes que disputam a Série B do Campeonato Brasileiro têm até o dia 15 de setembro para realizar novas contratações. Em oscilação que preocupa as pretensões de acesso à elite nacional e ainda sem peças ideais para um time forte, o Ceará corre para trazer mais reforços à Porangabuçu. Segundo a Diretoria de Futebol, dois zagueiros e um atacante chegam ao Vovô nesta semana. Assim, a equipe alcançará a marca de 38 jogadores no elenco sob comando do técnico Sérgio Soares – número construído pelos inúmeros remendos de planejamento, falta de rendimento, problemas no Departamento Médico e, também, deficiências do próprio trabalho técnico em curso.

A temporada do Ceará em 2016 percorre dentre vários níveis de oscilação. Derrotas e ineficácia dos primeiros meses com Lisca no cargo de técnico, a eliminação no Campeonato Cearense, desclassificação na Copa do Nordeste, reformulação radical do grupo de jogadores, vinda de Sérgio Soares, arrancada na Segunda Divisão, entrada e agora saída do G-4. Para caminhar das baixas até pontos altos num curto espaço de tempo neste ano, a atual gestão alvinegra investiu em ações rápidas para repensar planos, abdicar de projetos sólidos e gastar o que pode para ter um time capaz de resolver e brigar lá em cima.

Conseguiu isso em partes. Os resultados vieram no primeiro turno. Contudo, o calcanhar da campanha continuou o mesmo. O time foi conduzido por boas atuações de uma espinha dorsal qualificada – Éverson, Richardson, Felipe e Bill -, mas deixou sempre pendente ao longo das 18 rodadas a apresentação de um coletivo coeso da defesa até o ataque. Falhas, como o posicionamento comprometedor da linha defensiva e a má administração da posse de bola, continuaram sem resolução.

Com constantes lacunas a serem preenchidas, o Ceará foi trazendo jogadores com o Brasileiro em curso. Exemplos do zagueiro Valdo (hoje titular), Maicon Silva (cadê ele?), Diego Felipe (boas atuações). Porém, mesmo com a ampliação do quadro de profissionais, o peso de uma equipe sem identidade bem estabelecida continua a cair sobre os ombros do Vovô. E é motivo para esta queda de rendimento no segundo turno da competição.

A equipe de Sérgio Soares está há seis jogos sem vencer no campeonato, quatro neste returno (uma derrota e três empates). Hoje, se encontra na 5ª colocação da tabela e em situação de alerta, em especial, porque concorrentes diretos ao G-4 demonstram se estruturar melhor para uma reação e arranque rumo ao acesso nesta reta decisiva. Não meramente em elaboração de elenco, mas na maturação dos treinamentos e a famosa “liga” que se encontra. O Ceará ainda vive os mesmos desafios do primeiro turno, e precisa, para além de continuar trazendo reforços, visar soluções no seu conceito de jogo e postura da equipe em campo.

Atualmente, sem contar os três reforços que virão, o Alvinegro de Porangabuçu tem no elenco: quatro goleiros, seis zagueiros, cinco laterais, seis volantes, seis meias, oito atacantes. Um inchaço que custa mais de R$ 1 milhão por mês na folha do clube. Nesta lista tem peças que não serão sequer utilizadas com frequência por Soares, seja por decepção em campo, treinamento, lesão ou simplesmente porque de fato não eram necessárias.

Alcançar quase 40 jogadores numa Série B é o desespero pelos acertos que não vieram. Nas mãos de Sérgio Soares e do Departamento de Futebol, não conseguiram sequer 11 titulares unânimes. Críticas sobre a qualidade ou fase de boa parte dos jogadores são completamente válidas (e justas, em muitos casos), mas não é da falta de atletas a total culpa por falta de triunfos do Ceará. Isso também vem a cada substituição equivocada, a cada falta de aprendizado ao longo de mais de 20 rodadas. É o trabalho em execução que precisa refletir sobre seus próprios métodos e resultados.

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