Futebol do Povo

Filme norte-americano sobre Pelé é pior do que o 7 a 1

1122 9

Por Daniel Herculano*

Atleta do Século. Tesouro Nacional. Vencedor de três Copas do Mundo como jogador. Recordistas de gols (com 1.283) na história do futebol. Se é melhor que Maradona ou Messi, não consigo cravar nesse momento, mas posso dizer com total convicção que a sua cinebiografia, “Pelé: O Nascimento de uma Lenda” (Pele: The Birth of a legend, 2016), é pior que 7 X 1 em semifinal de Copa.

O drama, que insiste tediosamente na mensagem “os humilhados serão exaltados”, estreia após sucessivos atrasos, não apenas de produção, mas também adiado pela própria distribuidora nacional. A produção internacional, planejada originalmente para estrear durante a Copa do Mundo de 2014, é totalmente falada em inglês.

Em Fortaleza, a película pode ser vista no Center Plex Via Sul 6 (dublado), às 19h40min e 20 horas e também no Cinépolis Rio Mar Fortaleza 4 (legendado), às 13 e às 18 horas

Na trama, acompanhamos Dico, ainda criança, aos seus primeiros passos (e conquistas) e na seleção brasileira, já como Pelé, em 1958. Produzido tanto para ser apreciado pelo público geral do cinema, quanto para o amante do futebol, não só é ineficiente para ambos, como passa uma impressão inversa como produto final.

Acompanhe.

Para o primeiro caso, é dramaticamente raso, não contem grandes estrelas no elenco, e soa como um produto específico aos amantes do futebol. Portanto, vai para o banco de reservas nas opções entre os filmes em cartaz.

Aos loucos por futebol, é um longa curioso, mas representativamente ridículo, e com alguns furos dignos de cartão vermelho. O primeiro jogo em que se destaca na Copa de 1958, Brasil 1-0 País de Gales (vitória com gol antológico de Pelé), pelas quartas de final, é ignorado. Já na semi-final contra a França, um erro futebolístico: quando o jogo estava 1-1, quem desempatou foi Didi, num belo chute de fora da área. Na tela, para efeitos dramáticos, Pelé decide o jogo, e faz três gols em sequência. Sim, ele marcou três gols, mas quando o jogo já estava 2-1.

Em “Pelé”, acontece também algo tecnicamente impossível. Existe uma transmissão dos jogos pela TV, como se fora ao vivo. Na época os jogos eram filmados em 16 mm e retransmitidos em seguida. Jogos ao vivo apenas via rádio. Pois é.
Plasticamente é tão bem filmado, que a realidade retratada se torna irreal, como na partida com a bola de meia, acrobaticamente exagerada, ou mesmo nos treinamentos do jovem Dico e seu pai com as mangas. Em alguns momentos mais parece uma propaganda de material esportivo, com uma mensagem motivacional incutida, quando os jogadores do Brasil equilibram a bola dentro de um hotel, por exemplo. Podemos tratar então que a fotografia entrou em impedimento.

Incessante, a trilha sonora (do vencedor do Oscar, A.R. Rahman, Quem Quer Ser um Milionário?, 2008) bate durante toda a sua projeção, sem espaço sequer para que o espectador respire ou tente se emocionar. O resultado dessa pressão mais parece um gol contra, que qualquer outra coisa.

Está virando goleada.

Sua abordagem narrativa, de colocar sempre o protagonista como um ser inferior, mas que chegará a sua hora de mudar tudo para sempre, carece de tato. Primeiro há a origem humilde, e o confronto com o patrão rico da mãe. Depois em campo, quando são chamados pejorativamente de “descalços” em sua primeira competição. No Santos, é repreendido por sua ginga, ou jogo primitivo. Já na Seleção Brasileira, é mestiço, o anormal, sem educação, o selvagem sem roupas ou modos apropriados. É uma intensa seleção de predicados, costurados sem qualquer tipo de sensibilidade, portanto, bola fora, longe do gol.

Sem entrosamento do elenco (Mariana Nunes – a mãe é a única que passa algum emoção –, enquanto Seu Jorge parece estar apenas se divertindo; Leonardo Lima Carvalho como o jovem Dico, e Kevin de Paula o Pelé, são sofríveis), somado à falta de habilidade (o inglês não naturalista chega a ofender de tão ruim), e uma equipe que não consegue vencer (a dupla de diretores e roteiristas, Jeff e Michael Zimbalist, parece muito impressionada com o próprio material, e figura retratada, contudo sem ganhos dramáticos), o resultado final está mais para time de várzea do que campeão mundial.

*Daniel Herculano é membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), Vice-Presidente da Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine) e publischer do CLUBE CINEMA

9 Comentários

  • Criança de 8 anos disse:

    É melhor ver o filme do pele ou a copa fares Lopes?

  • Roysson disse:

    Baseado no texto acima, fiquemos com o Canal 100. Continua sendo a melhor das homenagens.

  • Raimundo Soares disse:

    Que o Pelé foi e sempre será o melhor do mundo está evidente. É tanto que foi o Atleta do Século XX. Em segundo plano vemos o Garrincha; em terceiro plano vemos o Rivelino, o Romário e o Ronaldo Fenômeno; em quarto plano vemos Rivaldo, Gerson, Maradona NeymarJr., Messi, Cristiano Ronaldo, Eusébio, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Raul, Backembauer e Zidane; quinto lugar vemos o Zico ( pé frio), Careca, Clodoaldo (Fortaleza), o Palinha, o Gérson, Paulo César Caju, Carlos Alberto Pintinho, Jairzinho, Mozar (Fortaleza), Oscar (S. Paulo), Iniesta, Ademir da Guia, Carlos Alberto ( Capita), Marcos ( goleiro do Palmeiras), Falcão, Jorge Mendonça, Roberto Dinamite, Tostão, Dirceu ( Cruzeiro) e Sócrates; em sexto lugar temos Adilson, Felipe Coutinho, Renato Gaúcho, Manga ( goleiro), Edinho, Marinho ( lateral esquerdo Bota), Bebeto, Vavá, Pepe, Denis (Portuguesa), Marco Aurélio (lateral esquerdo do Flu), Clodoaldo ( Santos), Reinaldo (Atlético MG) e Assis.
    Essa foi uma eleição feita por 20 torcedores brasileiros com mais de 55 anos.

  • Magal disse:

    20 gagás que não sabem p…… nenhuma de futebol.

  • João Ximenes disse:

    EU, perco tempo com isso não. Vou nem ler porque só o “pior que 7 X 1 em semifinal de copa” já diz tudo, e nem assistir ao filme me atreverei.
    MAS, aproveitando o termo “PIOR”, digo então que são DOIS piores que o 1 X 7 em semifinal de copa. No entanto, no caso daqui, “os humilhados, acabaram exaltados ao final” !

    Se não ME fiz entender, e quem quiser, vai ter de ler pra entender a que me refiro.
    FUI atrás de respostas sobre a temporada, levantando a seguinte questão: Quem terá sido o “PÉ QUENTE” em 2017 ?

    1. Presidente do ACESSO que, parece, não seguirá no comando do Fortaleza em 2018

    2. ZAGO: “Me sinto realizado. Acho que o mais importante era o Fortaleza voltar à Série B, principalmente, se tratando do seu centenário. Minha prioridade é continuar aqui. Gostei do clube, da cidade, fui bem recebido, agora tem que acertar com a diretoria”.
    Em tempo e atualizando: PARECE VAI ACEITAR CONVITE DO JUVENTUDE que tá “arquejando” na tabela de classificação faltando 7 rodadas, e ZAGO parece tá querendo brincar com a sorte pondo em risco e dúvida o MILAGRE conseguido por aqui.

    3. Boeck: “Nós fizemos mais do que todo mundo imaginava”. Boeck não seria o “pé quente”. Se tivesse de dar um atributo a ele, daria: MILAGREIRO.

    4. LEÃO DE AÇO 2017

    Goleiro – Marcelo Boeck, Matheus,
    Lateral Direito – Felipe
    Lateral Esquerdo – Bruno Melo, Ronny, Guilherme Santos
    Zagueiro – Ligger, Edmar, Adalberto
    Volante – Pablo, Jefferson, Anderson Uchôa, Rodrigo Mancha, Wellington Reis
    Meia – Leandro Lima, Wesley, Éverton, Adenilson,
    Atacante – Lúcio Flávio, Gabriel Pereira, Hiago, Leandro Cearense, Jô, Paulo Sérgio

    Daqui só se JUNTASSE todos pra pensarmos que na juntada(24), acabou gerando o pé quente coletivo, porque FUTEBOL COLETIVO INDIVIDUAL, teríamos, de fato, ACREDITARMOS no MILAGRE Boeck com suas defesas e Zago com sua chegada.

    5. FUTEBOL e suas peripécias: aqui, ACREDITO, deva ser a resposta pra pergunta, pois só mesmo uma PERIPÉCIA do futebol poderia nos conceder esse alívio que foi a conquista do ACESSO, porque:

    a) ATRIBUIR ao presidente, seria como se disséssemos: “Esse é o cara”.
    b) Ao ZAGO seria como acreditar que esses jogadores ficaram com medo dele quando nos vestiários e resolveram correr além de suas forças.
    c) BOECK tá mais pra milagreiro.
    d) PLANTEL… seria pura MÉDIA PÓS ACESSO, porque se for analisar o contexto, as CONTRADIÇÕES seriam tantas que a gente acabaria escancarando a VERDADEIRA REALIDADE.
    E pra isso(realidade) não precisaria ir muito longe. Bastaria citar um nome: BOECK.

    Ao final, achei melhor mesmo deixar de lado esse meu lado “DETETIVESCO” e pensar no HOJE, pois temos um jogo decisivo pra encarar que vale FINAL da Copa Fares Lopes que por sua vez, vale vaga na Copa do Brasil 2018 que é melhor(DICA: assisto no SITE da Federação)

    O objetivo do ACESSO já foi alcançado e afora as opções do PÉ QUENTE mostradas acima, prefiro DIVIDIR a conquista com todas as opções e ACRESCENTAR ai o TORCEDOR que depois de 8 anos tentando, também, se em algum momento chegou a pensar ser o PÉ FRIO da história, terminou tirando de si esse peso e esse CAÉ infernal, e acabou sendo o MAIOR VENCEDOR nessa história.

    Que venha a Bzona com um time de BZONA !

  • Criança de 8 anos disse:

    É pior do que passar 8 anos na série c?

  • KS disse:

    Certamente não é pior que ter 5 estrelas no escudo de um penta que não existiu…

    Que não tem taça.. nem borderô, nem nada.

  • ItaloPiccinini disse:

    KS, nem perco tempo comentando essa baboseira aceita por um velho caduco e salafrário que estava à frente da federação. Tinha federação? Então não encham o saco!!! Não passou de uma jogada para ultrapassar o Fortaleza no número de campeonatos. Em campo jamais passariam. Peripécias do E. Porcão que fez de tudo para entrar na vida política.

  • Leandro disse:

    Cara você não sabe de nada, um ótimo filme, com seu Jorge fazendo uma grande atuação…
    Um filme tão bom que não me canso de assistir.
    Por isso não me deixo influenciar por opiniões, sempre tenha a minha

\

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *