Leituras da Bel

Coluna Ao pé do ouvido: Baladas para leitores e Feliz Ano Novo!

Por Lílian Martins*

Felizmente, o ano é novo e com ele todos os desejosos 365 dias de um novo ciclo. Que venha um ano inteirinho de muita prosperidade e paz para acalentar o nervoso destes últimos dias! Boas novas sempre são bem-vindas e o Réveillon, muitas vezes, é o pórtico destas sutis alegrias de narrar uma vida inteira.  Aquele encontro amoroso, já quase desacreditado, em cima da primeira hora de ir embora, pós-réveillon na Praia de Iracema, em um abraço –  beatlemente branco – a serpentear no asfalto e cingir de beijos a mulher amada.

Às vezes, a surpresa feliz vem de um telefonema, nas primeiras horas após a queima de fogos, de alguém que há quase um ano havia desistido de lhe falar! Pode ser também uma mensagem analógica via sms, quase extinto, de alguém – a meia noite – ainda saudoso a desejar um ano bom, mais ameno e antes dos castanhos olhos alcançarem o ponto final, já se inundara em um mar infinito que ainda ondearia muitos outros anos de amor e partidas.

Na radiola desse valente coração, um clamor Adonirano: “que amanhã tu levanta um barracão muito melhor…”.

 

Enquanto a fatura do aluguel não vence e os boletos todos novos já se acumulam exasperados dos recém-chegados reajustes, celebremos o ano que virá, pois “amanhã vai ser outro dia” e novas conquistas virão, há de vir!

E eu “começaria tudo outra vez, se preciso fosse…”, pois somente eu sei o quanto foi duro chegar até aqui. Recomeçar. Perdoar. Escrever. E você? Quais são suas prioridades nesta nova etapa da vida?

Se o ritmo te cansa, desacelera. Se o trabalho te adoece, muda de emprego. Se o mozão te faz infeliz, separa. A gente se acostuma a viver mal, ganhar pouco, postar demais e flopar – quase sempre – na vida real. Falamos muito, ouvimos de menos, buscamos agradar sempre e esquecemos de si. Por falar nisso, quais suas metas para o ano que vem? Eu já fiz minhas apostas: ser feliz! Sim é possível, na liberdade das escolhas diárias de se fazer presente na vida de quem amamos e de quem nos faz imensamente felizes.

Sem julgamentos ou críticas, no desejo sincero de fazer o bem sem esperar recompensas e respeitosamente cuidemos mais uns dos outros, sem egoísmos, longe da zona de conforto, mas recompensadamente na alegria de uma vida plena de paz e saúde, sobretudo, da alma.

Carlos Drummond de Andrade, outro dia, escreveu um poema-receita de ano novo em que dizia em seu último verso:

“Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre”.

Antes do fim, cantemos no último volume a canção que será balada deste novo e de tantos outros anos enquanto existir brasileiríssima esperança: “amanhã, será um lindo dia, da mais louca alegria que se possa imaginar…”.

Que assim seja.

Aumenta o som e boas leituras!

*Lílian Martins é jornalista, tradutora, professora, pesquisadora e militante em Literatura Cearense. Mestre em Literatura Comparada pela UFC com a dissertação: “Com saudades do verde marinho: O Ceará como território de pertencimento e infância em Ana Miranda”, vencedora do Prêmio Bolsa de Fomento à Literatura da Fundação Biblioteca Nacional e Ministério da Cultura (2015) e do Edital de Incentivo às Artes da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor) em 2016. É uma apaixonada por rádio, sebos, pelos filmes do Fellini, os poemas de Pablo Neruda e outras velharias…

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