Leituras da Bel

Leia “Do outro lado do tabuleiro”, texto do escritor cearense Bruno Paulino

Do outro lado do tabuleiro
**Por Bruno Paulino

“Em seu grave rincão, os jogadores
as peças vão movendo. O tabuleiro
retarda-os até a aurora em seu severo
âmbito, em que se odeiam duas cores.”
(Jorge Luis Borges)

Hoje finalmente consegui. A gente vive uma vida tão corrida que é difícil o tempo para nós mesmos. Outro dia o Paulo Coelho escreveu uma crônica sobre o assunto – sim, eu leio o Paulo Coelho. Então, decidi dar um tempo para mim mesmo, e realizar uma atividade prazerosa que a muito não me dedicava, fui jogar xadrez (vocês sabem jogar xadrez, né?).

O mais significativo para mim, não foi ganhar ou perder, e sim, simplesmente participar de um encontro de enxadristas. O importante foi verdadeiramente chegar à conclusão que não sou atleta e nem quero ser, e que o xadrez, na minha existência, pode acabar se tornando um belo passatempo, transformando assim minha antiga diversão em um quase vício novamente. É a mesma ideia do Mário Quintana ao escrever “a matemática é o pensamento sem dor” que eu adapto para o xadrez. Sim, O xadrez é o pensamento sem dor.

Falo sério, diante de um adversário com um olhar atento ao tabuleiro, não vejo sentido em perder, não vejo sentido em ganhar (isso parece papo ensaiado de perdedor). Tanto faz. Talvez – ainda é um pensamento incerto que compartilho com vocês – o que importa para mim numa partida de xadrez é ser capaz de ponderar a emoção com a razão, criando lances seguros diante da pressão do tempo. É um maravilhoso desafio. Se conseguir equilibrar bem a emoção e a razão, mesmo com o seu rei sufocado no final da partida, com um relógio correndo. Parabéns, você venceu!!!

Fazendo uma leitura da vida fora dos tabuleiros acho que as coisas funcionam numa harmonia (ou desarmonia? afinal, nunca se sabe…) semelhante. Cada instante, cada jogada, todo movimento de peça, sejam elas, peão ou rainha, são como as águas que descem de um rio: jamais iguais. E por mais cuidadosos e atentos que possamos ser sempre estamos correndo o risco de levar xeque-mate de nosso adversário.

Quem seria nosso adversário na vida?

Xeque-mate!

***

Bruno Paulino é cronista e aprendiz de passarinho

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