Plínio Bortolotti

FHC decide reconhecer filho que teve há 18 anos com jornalista da TV Globo

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu reconhecer o filho, hoje com 18 anos, que teve com a jornalista Mirian Dutra, da TV Globo.

A decisão de FHC foi revelado em primeira mão pela jornalistas Mônica Bergamo, em texto publicado na edição deste domingo [15/11/2009] no jornal Folha de S. Paulo.

Segue abaixo a matéria assinada por Mônica Bergamo.

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«FHC decide reconhecer oficialmente filho que teve há 18 anos com jornalista

Mônica Bergamo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu oficializar o reconhecimento do filho que teve com a jornalista Mirian Dutra, da TV Globo.

Tomas Dutra Schmidt tem hoje 18 anos. O tucano já consultou advogados e viajou na semana passada a Madri,onde vive a jornalista, para cuidar da papelada.

A Folha falou com FHC no hotel Palace, na Espanha, onde ele estava hospedado. O ex-presidente negou a informação e não quis se alongar sobre o assunto. Disse que estava na cidade para a reunião do Clube de Madri.

Mirian também foi procurada pela Folha, que a consultou a respeito do reconhecimento oficial de Tomas por FHC. “Quem deve falar sobre este assunto é ele e a família dele. Não sou uma pessoa pública”, afirmou a jornalista.

O ex-presidente e Mirian tiveram um relacionamento amoroso na década de 90, quando ele era senador em Brasília. Fruto desse namoro, Tomas nasceu em 1991. FHC e Mirian decidiram, em comum acordo, manter a história no âmbito privado, já que o ex-presidente era casado com Ruth Cardoso, com quem teve os filhos Luciana, Paulo Henrique e Beatriz.

No ano seguinte, a jornalista decidiu sair do Brasil e pediu à TV Globo, onde trabalhava havia sete anos, para ser transferida. Foi correspondente em Lisboa. Passou por Barcelona e Londres e hoje Trabalha para a TV em Madri.

Quando FHC assumiu o ministério da Fazenda, em 1993, a informação de que ele e Mirian tinham um filho passou a circular entre políticos e jornalistas.

Procurados mais de uma vez, eles jamais se manifestaram publicamente.

Em 1994, quando FHC foi lançado candidato à Presidência, Mirian passou a ser assediada por boa parte da imprensa.

E radicalizou a decisão de não falar sobre o assunto para, conforme revelou a amigos, impedir que Tomas virasse personagem de matérias escandalosas ou que o assunto fosse usado politicamente para prejudicar FHC.

Naquele ano, a colunista se encontrou com ela em Lisboa e a questionou várias vezes sobre FHC. “Nem o pai do meu filho pode dizer que é pai do meu filho”, disse Mirian.

Em 18 anos, o ex-presidente sempre reconheceu Tomas como filho, embora não oficialmente, e sempre colaborou com seu sustento. Nos oito anos em que ocupou a Presidência, os dois se viam uma vez por ano. Tomas chegou a visitá-lo no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

Depois que deixou o cargo, FHC passou a ver o filho, que na época vivia em Barcelona, com frequência. Mirian o levava para Madri, Lisboa e Paris quando o ex-presidente estava nessas cidades. No ano passado, FHC participou da formatura de Tomas no Imperial College, em Londres.

Neste ano, Tomas mudou para os EUA para estudar Relações Internacionais na George Washington University.»

……..

Comentário

Existem alguns temas que, mesmo acontecendo com pessoas públicas, são da esfera pessoal, que têm de ser respeitados. Mas, nesse caso, é preciso reconhecer que a imprensa tratou o caso com, digamos assim, discrição exagerada.

FHC, na época que o assunto começou a circular, era presidente da República e devia algum tipo de explicação ao país. Desde que não seja ilegal e não iterfira nos negócios públicos, ninguém tem nada a ver com o que um político se faz na vida privada. Mas um presidente da República deixar de reconhecer um filho, me parece que era assunto a ser divulgado.

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, vem passando maus bocados por ter tido filhos, os quais não reconheceu [com o agravante de que, quando mantinha relações amorosas, era bispo da Igreja Católica], antes de assumir a Presidência.

Caros Amigos 

O único meio da comunicação a dar destaque ao assunto foi a revista Caros Amigos. Em abril de 2002, a revista publicou a reportagem: “Porque a imprensa esconde o filho de FHC com a jornalista da Globo?” A matéria tinha seis páginas e trazia cópia do registro da criança, com o nome da mãe, mas com o espaço para o nome do pai em branco. Na ocasião, a revista circulou amplamente por todos os gabinetes de Brasília.

Diferentemente agiu a imprensa quando foi revelado que Lula tinha uma filha – Lurian – com uma ex-namorada. Por coincidência, também uma Mirian [Cordeiro]. Com uma ressalva importante: Lula reconheceu a filha desde o nascimento dela.

Lurian tornou-se conhecida no segundo turno da eleição de 1989, quando Lula disputava contra Fernando Collor. Naquele que é considerado um dos maiores golpes baixos das campanhas políticas no Brasil, o programa eleitoral de Collor mostrou imagens de Miriam Cordeiro, a ex-namorada de Lula, dizendo que ele teria-lhe oferecido dinheiro para que ela fizesse aborto.

Mesmo com assessores de Lula insistindo para que ele levasse a filha à TV para que ela explicasse o relacionamento dos dois em uma entrevista, Lula preferiu não expor a filha.

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4 Comentários

  • Leonardo Ribeiro disse:

    Pois é, Plínio, será que não houve algo mais do que “discrição exagerada”?
    Porventura esse “pacto” não é uma promiscuidade?

    Palavra da jornalista:
    “Em 18 anos, o ex-presidente sempre reconheceu Tomas como filho, embora não oficialmente, e sempre colaborou com seu sustento.”

    Ora, então ele não reconheceu! Isso é falácia. O reconhecimento transcende o dinheiro.
    FHC tratou-o, quando não o reconheceu publicamente, como bastardo. Nada digno.

    Plínio, a edição da revista foi em abril de 2000, quando Tomas tinha 8 anos.

    Feliz cada novo dia…

  • Júlio César disse:

    Fala-se muito, nesses casos, do comportamento dos homens públicos. E da postura amante das jornalistas, nada se fala? Sim, porque elas não se envergonham de se envolver com políticos casados, aproveitando a intimidade que o dia-a-dia profissional jornalístico lhes proporcionam. Do que estão em busca: Notoriedade…? Pensão…? Realização de fantasias…?

  • carlos anselmo disse:

    salve, plínio,

    pelo maneira como os dois homens públicos, lula e fhc, trataram a questão dá pra perceber o abismo de caráter entre eles.
    lula, mais uma vez, mostra sua honradez e fhc se esconde sempre no guarda-chuva da grande imprensa.

  • nelson castelo branco eulálio filho disse:

    Caro Plínio,

    O fato de um Presidente da República ter um filho com uma jornalista da mais poderosa Rede de televisão do país, pedir aos donos dessa Rede que “escondam” essa jornalista e a empresa mandar a dita cuja para Barcelona como “correspondente internacional” (que nunca “correspondeu”), morando em um bairro de classe média alta (como o pessoal da Caros Amigos constatou), o filho estudando nos melhores colégios da Europa (e agora formando-se numa Universidade americana de 1ª linha e, portanto, recomenda a lógica, podendo-se deduzir ser bem cara – tudo isso custa dinheiro e muito. Dinheiro que o salário de Presidente (como o de senador do Renan Calheiros) não comporta.

    Por que a imprensa sacrificou Renan Calheiros no altar da hipocrisia – vê-se agora –
    enquanto gardava a sete chaves esse episódio FHC? Inclusive, ressalte-se, com a manutenção pecuniária do rebendo paga (pelo menos em grande parte) por uma empresa privada do ramo de comunicação.

    Quem pagou toda essa mordomia durante 18 anos? A Empresa televisiva, claro. Não é uma total irresponsabilidde (por omissão) o silêncio de toda a imprensa (de toda a mídia, inclusive respeitados blogs) sobre esse assunto? Sobre o fato de um Presidente da República ficar seus 8 anos de mandato refém de uma emissora de TV?

    Não é a desmoralização total do restinho de credibilidade que os grandes órgãos de imprensa ainda tinham? Se todos sabiam (como demostrou Palmério Dória na época da Caros Amigos e que está rolando na Internet) e todos fizeram um pacto de silêncio sobre esses fatos, não foi uma enorme traição aos fundamentos do “dever de informar”?

    Será que o sr. FHC ficou com medo de ter seu corpo exumado para eventuais testes de DNA numa eventual demanda nesse sentido por parte do filho (herança)? Essa publicação agora (o rapaz é registrado no nome de outra pessoa como pai) não vai trazer enormes constrangimentos e dores de cabeça ao rapaz que, fala-se, recebeu na manhã seguinte à publicação da Folha, mais de 300 e-mails de várias publicações e tomou um susto?

    Enfim, meu caro Plínio com que cara fica a imprena brasileira que sonegou por tanto tempo essa informação ao povo brasileiro? É claro que não estou me referindo ao simples fato de FHC ter um filho fora do casamento – esse tipo de moralismo passa anos-luz de distância de mim. Esou me referindo às circunstâncias que envolveram o fato, desde o exílio dourado da jornalista (caríssimo) até a conivência de toda a mídia com esse verdadeiro ataque insidioso ao Estado brasileiro (refiro-me aqui à situação de refém que FHC ficou em relação à poderosa Globo).

    Releve eventuais erros.
    (estou escrevendo no meu horário de almoço)
    Um abraço,
    Nelson

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