Plínio Bortolotti

“Jirau e Pecém”: caso de polícia ou de política?

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Meu artigo publicado na edição de hoje (7/4/2011) do O POVO.

Arte: Hélio Rôla (clique para ampliar)

Jirau e Pecém
Plínio Bortolotti

No dia 15 do mês passado irrompeu uma revolta nas obras da usina de Jirau (Rondônia), construção de uma hidrelétrica que emprega mais de 20 mil trabalhadores. Outras obras PAC passaram por processo semelhante, incluindo a Termelétrica Energia Pecém, cuja construção está a cargo da empresa de engenharia Enesa, que também está em Jirau.

A presidente Dilma Rousseff, de imediato, reuniu ministros, centrais sindicais e pediu providências para resolver o problema. Tratou o caso como casos assim devem ser tratados: como movimentos sociais e não como “baderna”, como apressou-se a dizer a construtora Camargo Correa.

Isso não significa que em tais movimentos tudo seja lícito e que não haja excessos. Eles existem, mas devem ser vistos no contexto do evento. Se há uma determinada empresa em que todos trabalham satisfeitos e surge alguém de dê um grito de “greve” ou “vamos quebrar”, possivelmente seu chamado cairá no vazio.

No entanto, se há caldo propício: salários rebaixados, condições precárias de trabalhos, má alimentação, chefes que se assemelhem a feitores – o provável é que o grito tenha repercussão.

Mas, se para resolver o problema de Jirau, foram chamadas as centrais sindicais e ministros, por que no Ceará se chamou a polícia?

Matéria publicada neste jornal (edição de 2/4) mostra que está preso na cadeia de São Gonçalo do Amarante o operário Antônio Manoel Lopes. Ele é acusado de ter ateado fogo nos alojamentos da empresa. Manoel ganhou dos companheiros o significativo apelido de “Lula”. Ele confirma ser um dos líderes dos trabalhadores, mas nega que tenha participado da depredação do alojamento.

O governador Cid Gomes (PSB) poderia ter uma atitude parecida com a da presidente. A Assembléia Legislativa também poderia chamar o debate para si, mesmo que fosse apenas para mostrar que toma iniciativas, não sendo apenas um órgão homologador das decisões do Executivo.

O aumento da quantidade de obras no Ceará pode agravar o problema, se ele não for solucionado em seu princípio.

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